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Copel inicia mutirão de poda e reforça ações para melhorar energia no interior de Marechal Rondon

Operação intensiva começou nesta quinta-feira, seguirá até sábado e integra uma série de medidas cobradas por entidades rurais para reduzir quedas e melhorar a qualidade do fornecimento de energia

Por: João Livi
07/05/2026 às 10h46 Atualizada em 07/05/2026 às 11h34
Copel inicia mutirão de poda e reforça ações para melhorar energia no interior de Marechal Rondon
Copel iniciou operação intensiva de poda de árvores próximas à rede de alta tensão em Marechal Cândido Rondon, com apoio de entidades rurais e do município. (Fotos: João Livi)

A Copel iniciou, na manhã desta quinta-feira (07), em Marechal Cândido Rondon, uma operação intensiva de poda de árvores próximas à rede de alta tensão, tanto na área urbana quanto no interior do município. A ação tem foco nos pontos considerados mais críticos e busca reduzir interrupções no fornecimento de energia elétrica, especialmente nas propriedades rurais.

O lançamento da operação contou com a presença do prefeito Adriano Backes, secretários municipais, gerentes locais e regionais da Copel, além de lideranças de entidades como a Cercar e o Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon. Após o ato inicial, as autoridades participaram de uma reunião no auditório da Cercar, onde a equipe da Copel apresentou o trabalho em andamento e as próximas etapas previstas.

A operação será realizada de forma intensiva de quinta-feira até sábado, com mais de 20 equipes e mais de 50 profissionais mobilizados em diferentes regiões do município.

Poda é reivindicação antiga do setor rural

Para o presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla, a poda de árvores próximas à rede de alta tensão é uma demanda defendida há anos pela entidade. Segundo ele, os produtores acumulam prejuízos quando há falhas no fornecimento de energia, principalmente em atividades que dependem de funcionamento contínuo.

Edio destacou que o mutirão representa uma resposta importante às reivindicações apresentadas pelo sindicato, pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e demais entidades ligadas ao setor produtivo.

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“Nós temos muitos prejuízos dentro das atividades que os produtores exercem. Chegamos hoje, juntamente com a Copel, para esse mutirão de limpeza, principalmente nas redes de alta tensão”, afirmou.

Segundo ele, a expectativa é que os produtores tenham benefício direto com a limpeza das redes e a redução de ocorrências causadas pela vegetação.

Cobrança continuará mesmo com início da operação

Apesar do avanço, Edio Chapla afirmou que a mobilização das entidades rurais não será encerrada com o início do mutirão. Segundo ele, a poda pode reduzir parte significativa dos problemas, mas não resolve todas as dificuldades enfrentadas no interior.

O presidente do Sindicato Rural citou que, conforme informações discutidas, a limpeza da vegetação pode representar a eliminação de cerca de 40% das falhas. Os demais problemas, segundo ele, podem estar relacionados a outros fatores, como variações de tensão na rede.

“Não é porque a Copel começou o trabalho que o sindicato vai esmorecer nessa cobrança. Nós vamos continuar”, reforçou.

Edio orientou os produtores rurais a continuarem levando ao sindicato informações sobre problemas nas unidades consumidoras, com nome, número da unidade e descrição da ocorrência. Esses dados serão organizados e encaminhados por meio da FAEP aos canais responsáveis.

Recadastramento é prioridade para produtores

Outro ponto destacado pelo presidente do Sindicato Rural é a importância do recadastramento das atividades produtivas junto à Copel. A orientação vale especialmente para produtores de suínos, aves, peixes e outras atividades que dependem de energia elétrica de forma contínua.

Segundo Edio, o produtor deve verificar na fatura de energia se a atividade exercida na propriedade está corretamente descrita no campo correspondente. Quando a atividade está cadastrada, o produtor passa a integrar uma linha de prioridade para restabelecimento do fornecimento em caso de falha.

“É imprescindível que o produtor compareça à Copel e faça esse recadastramento, ou faça via site”, explicou. 

Ele reforçou que o recadastramento deve ser feito o quanto antes, sem esperar a ocorrência de uma interrupção de energia.

As equipes da Copel no lançamento do programa.

Canal exclusivo do agro

Os produtores cadastrados também contam com um canal exclusivo de atendimento da Copel Agro. O número é 0800 643 7676, voltado especificamente ao atendimento do setor rural.

Edio Chapla avaliou que o canal é resultado das discussões realizadas nos últimos anos sobre a qualidade da energia elétrica no campo.

Segundo ele, a criação de uma linha direta para o agro representa uma conquista para os produtores e deve ser utilizada sempre que houver necessidade de comunicação com a companhia.

Copel promete continuidade do trabalho

O gerente da unidade da Copel em Marechal Cândido Rondon, André Locatelli, afirmou que a operação iniciada nesta quinta-feira é um pontapé inicial importante e faz parte de uma ação mais ampla da companhia para melhorar a qualidade do fornecimento de energia.

Segundo ele, toda a área rural está mapeada, incluindo as árvores que precisam de poda. Algumas situações ainda dependem de liberação do Instituto Água e Terra (IAT), mas as solicitações já estão sendo encaminhadas.

“Toda a área rural, todas as árvores do município onde teria que ser feita poda estão mapeadas. Tem algumas que carecem de liberação do IAT, mas essas liberações estão sendo todas solicitadas”, afirmou.

André explicou que, nos próximos meses, a Copel deverá manter equipes atuando em podas no interior. A poda urbana deve chegar ao município entre o fim deste mês e o começo do próximo.

Obras estruturantes também estão em andamento

Além da poda, o gerente local da Copel destacou que há várias obras em andamento em Marechal Cândido Rondon e na região. Segundo ele, novas redes estão sendo construídas com cabo protegido, tecnologia que reduz o impacto do contato de árvores com a fiação.

André Locatelli afirmou que Marechal Cândido Rondon e Toledo estão entre os municípios mais atendidos pela Copel com novas obras.

“A região Oeste do Paraná é a região que mais está se desenvolvendo. E o Paraná é o estado que mais está se desenvolvendo proporcionalmente no país. Então, a Copel não pode ficar para trás disso”, destacou.

Segundo ele, a companhia também voltou a contratar eletricistas próprios. Toledo será o projeto piloto, mas a expectativa é que, até o fim do ano, Marechal Cândido Rondon e região também sejam contempladas com profissionais próprios da Copel.

Autoridades presentes na reunião na Cercar.

Cercar poderá auxiliar na rede alta

O presidente da Cercar, Celso Prediger, afirmou que a operação é resultado de um trabalho iniciado há bastante tempo, com participação de cooperativas, Ocepar, Copel e entidades locais. Para ele, a ação demonstra a importância da intercooperação para melhorar o fornecimento de energia elétrica aos associados e clientes do interior.

Segundo Celso, cooperativas de infraestrutura do Paraná discutiram com a Copel uma nova etapa de atuação conjunta. A Cercar e a Cerfo, de Palotina, se prontificaram a participar de um plano piloto de 60 dias para auxiliar em serviços de manutenção na rede.

Nesta primeira fase, a atuação será limitada ao religamento de chaves na rede alta. Em etapas futuras, poderão ser avaliados outros serviços, como consertos e troca de equipamentos com defeito.

O presidente da Cercar esclareceu que a rede de alta tensão é responsabilidade da Copel, enquanto a cooperativa atua na rede baixa, do transformador até a casa do associado ou cliente.

Ocepar leva demanda ao Senado

O coordenador técnico da Ocepar, Silvio Krinski, também participou das discussões e destacou que a entidade vem acompanhando há anos os problemas relacionados à energia rural no Paraná.

Ele esteve nesta semana em Brasília, em reunião no Senado, junto com representantes da Copel e o senador Sérgio Moro, para tratar da busca de soluções para o fornecimento de energia no interior do Estado.

Segundo Silvio, há abertura de diálogo com a Copel, mas a percepção do produtor ainda é de que a qualidade da energia no meio rural está abaixo da necessidade atual.

“Nós precisamos de energia em qualidade e em quantidade lá no meio rural”, afirmou.

Falhas causam prejuízos no campo

Silvio Krinski também apontou que as regras técnicas que permitem períodos prolongados de interrupção precisam ser discutidas diante da realidade atual do campo.

Segundo ele, os sistemas de produção agropecuária estão cada vez mais complexos. Em atividades como suinocultura, avicultura, produção de leite e piscicultura, poucos minutos sem energia podem causar prejuízos significativos.

“Hoje os sistemas de produção já são muito mais complexos. Questões de minutos podem trazer toda uma danificação para o sistema produtivo dentro da propriedade”, afirmou.

Município promete apoio às equipes

O prefeito Adriano Backes destacou a importância da operação iniciada pela Copel e afirmou que a prefeitura dará o apoio possível ao trabalho das equipes.

Segundo o prefeito, a expectativa é que a ação contribua para melhorar o fornecimento de energia elétrica aos produtores rurais e reduza transtornos em propriedades que dependem diretamente da rede para manter suas atividades.

A operação de poda, somada ao recadastramento dos produtores, ao canal exclusivo do agro, às obras estruturantes e à cooperação entre entidades, marca uma nova etapa nas discussões sobre energia rural em Marechal Cândido Rondon. A cobrança, porém, seguirá ativa até que os produtores percebam melhoria efetiva dentro das propriedades.

 

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