
A Itaipu Binacional completa, nesta terça-feira, dia 5 de maio, 42 anos de produção ininterrupta de energia. A data marca a entrada em operação da primeira unidade geradora da usina, a U01, em 1984, início de uma trajetória que transformou Itaipu em uma das maiores referências mundiais em geração hidrelétrica.
Desde o início da operação, a produção acumulada já ultrapassou 3,1 bilhões de megawatts-hora (MWh), marca inédita registrada no Guinness, o livro dos recordes. Administrada por Brasil e Paraguai, a usina opera atualmente com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada.
Em 2025, Itaipu produziu 72.879.287 MWh, volume responsável por atender 7% do mercado brasileiro e 88% do Paraguai. No mesmo período, a taxa de disponibilidade das unidades geradoras foi de 96,29%, desempenho superior à meta empresarial de 94%.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destacou que os números reforçam o papel estratégico da usina para Brasil e Paraguai. “Itaipu entrega uma energia limpa, de qualidade, com baixo custo e responsabilidade socioambiental. Isso tudo graças a uma equipe técnica altamente qualificada e comprometida com os resultados.”
A produção contínua ao longo de mais de quatro décadas consolidou a hidrelétrica como uma das estruturas mais importantes para a segurança energética dos dois países.
A usina atingiu os 14 mil MW de potência instalada após a entrada em operação das duas últimas máquinas, em 2006 e 2007, nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A evolução da produção de Itaipu evidencia o peso da usina no sistema elétrico. O primeiro bilhão de MWh foi alcançado em junho de 2001, 17 anos depois do início da geração, em um período marcado pela crise de racionamento de energia no Brasil.
Depois disso, a binacional atingiu 2 bilhões de MWh em mais 11 anos e dois meses. A marca de 3 bilhões de MWh veio após outros 11 anos e 7 meses.
O recorde anual de produção ocorreu em 2016, quando Itaipu gerou 103,1 milhões de MWh, maior volume já registrado pela usina em um único ano.
O ritmo de produção anual vem se alterando nos últimos anos por fatores hidrológicos e também pela mudança na matriz energética brasileira.
A expansão de fontes renováveis intermitentes, especialmente a energia solar e a eólica, redesenhou o papel de Itaipu e de outras hidrelétricas dentro do sistema elétrico.
Além de gerar grande volume de energia, as hidrelétricas passaram a ter função decisiva no atendimento das rampas de carga, que ocorrem principalmente no fim do dia, quando o consumo cresce rapidamente e a geração solar deixa de operar.
O diretor técnico da Itaipu, Renato Sacramento, explica que a alta disponibilidade da usina permite apoio direto ao sistema elétrico nesses momentos de variação da demanda.
“Trata-se de uma característica comum às hidrelétricas, mas o porte de Itaipu amplia de forma relevante sua capacidade de apoiar o atendimento às rampas de carga, funcionando como uma espécie de bateria do sistema”, afirmou.
Essa capacidade reforça a importância da usina não apenas pelo volume produzido, mas também pela estabilidade que oferece ao sistema elétrico em um cenário de maior diversidade de fontes de geração.
Para manter os índices de desempenho, Itaipu conduz o mais abrangente plano de atualização tecnológica desde o início da operação da usina. O programa já conta com cerca de US$ 670 milhões em investimentos contratados.
A execução começou em maio de 2022 e prevê 14 anos de serviços. A atualização contempla a substituição de sistemas de controle e proteção da usina, incluindo os das 20 unidades geradoras, da subestação isolada a gás, dos serviços auxiliares, das comportas do vertedouro e da barragem.
O plano também prevê a modernização da Subestação da Margem Direita.
A substituição de equipamentos eletromecânicos pesados, como turbina, rotor e estator, não está incluída no plano de atualização tecnológica.
Segundo a Itaipu, esses componentes permanecem em excelentes condições e ainda estão longe do fim da vida útil típica para esse tipo de equipamento.
“O objetivo é simples: preservar os bons resultados e preparar Itaipu para os próximos desafios, com tecnologia de ponta, processos bem estruturados e segurança operacional”, explicou Renato Sacramento.
Ao completar 42 anos de geração, Itaipu reafirma sua posição estratégica na matriz energética de Brasil e Paraguai. A produção acumulada, a disponibilidade operacional e o plano de modernização reforçam o papel da binacional como infraestrutura essencial para o presente e o futuro do setor elétrico.
Com mais de 3,1 bilhões de MWh produzidos, a usina chega a este novo aniversário como símbolo de geração limpa, cooperação internacional e segurança energética para milhões de consumidores.