
O Governo do Paraná lançou nesta sexta-feira (24) o programa Nexus Inovação Aberta, uma iniciativa voltada a aproximar a produção científica das demandas reais do setor produtivo. A primeira ação do programa terá aporte de R$ 20 milhões para projetos de genômica aplicada ao agronegócio.
Os projetos serão desenvolvidos por dez empresas âncoras com sede no Paraná, que deverão contratar startups de base tecnológica e instituições de pesquisa como parceiras. As propostas podem ser enviadas até 3 de julho.
Cada projeto poderá receber até R$ 2 milhões. A chamada pública busca soluções tecnológicas construídas de forma colaborativa, com participação de empresas, startups e instituições de ciência e tecnologia.
O programa é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e conta com parceria da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), Fundação Araucária, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A iniciativa dá sequência a um movimento iniciado no Show Rural do ano passado, quando o Governo do Paraná assinou protocolo para desenvolver um modelo de inovação aberta baseado em genômica para o setor agropecuário.
Desde então, a proposta passou a ser estruturada como uma ação conjunta para fortalecer a competitividade do setor e ampliar a capacidade de transformar pesquisa científica em inovação aplicada. O objetivo é consolidar uma rede multissetorial formada por ciência, mercado e governo.
A genômica aplicada ao agronegócio é considerada estratégica para o Paraná por permitir avanços no melhoramento genético de plantas e animais. A tecnologia pode favorecer o desenvolvimento de culturas mais resistentes a pragas e condições climáticas adversas, além de contribuir para a redução de custos de produção.
A primeira chamada pública do Nexus abrange projetos nas áreas de modificação genética de precisão, bioinsumos, biodefensivos, integração de dados agronômicos e genômicos, sequenciamento e anotação de genomas e bioinformática aplicada ao agro.
Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, o programa representa um avanço na conexão entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo. “O Paraná avança de forma decisiva ao conectar os desafios reais do setor produtivo à pesquisa científica, como o melhoramento genético de produtos, aproximando o conhecimento acadêmico das necessidades empresariais, para que tenhamos a ciência como um motor de desenvolvimento para todo o Estado”.
A metodologia do Nexus é inspirada na experiência do BRDE Labs, que reúne empresas, startups e universidades em torno de desafios econômicos, sociais e ambientais. O modelo prevê três fases: seleção de desafios, formação de arranjos colaborativos e execução dos projetos com recursos não reembolsáveis.
A proposta é acelerar a transformação do conhecimento científico em produtos, processos e tecnologias capazes de gerar competitividade empresarial e impacto socioeconômico.
O secretário estadual da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, destacou a integração entre ciência, tecnologia e setor produtivo. “O Nexus Inovação Aberta se conecta à política estadual de inteligência artificial e transformação digital ao incentivar o uso de dados e tecnologias avançadas na solução de desafios do setor produtivo. Ao apoiar projetos em genômica e bioinformática, o programa contribui para o desenvolvimento de soluções em inteligência artificial aplicadas ao agro, com impacto na produtividade e competitividade”.
Podem se inscrever no edital empresas com sede no Paraná e receita bruta anual igual ou superior a R$ 4,8 milhões. Na fase inicial, serão selecionadas até 20 propostas, das quais dez receberão o aporte financeiro do Estado.
Os recursos serão destinados à contratação de startups de base tecnológica e instituições de pesquisa para o desenvolvimento das soluções. Os projetos poderão chegar a R$ 2 milhões, conforme o arranjo escolhido, envolvendo startups deeptechs, instituições de pesquisa ou ambos.
A contrapartida mínima exigida é de 5%, com prazo de execução de até dois anos, prorrogável por mais seis meses. As empresas selecionadas também participarão de workshops, sessões de mentoria e capacitação em inovação aberta com startups e instituições de pesquisa credenciadas.
Um webinar será realizado no dia 14 de maio para detalhar os critérios e as etapas da chamada pública. Conforme o cronograma, o resultado das propostas habilitadas será divulgado em agosto deste ano. A contratação dos projetos pelas empresas proponentes começa em agosto de 2027.
Nesta primeira ação, o programa conta com parceria do Hotmilk, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), que atuarão na curadoria técnica e no apoio à jornada de inovação aberta.
O Hotmilk atuará na articulação entre empresas, startups e instituições de pesquisa, apoiando a definição dos desafios e a formação dos arranjos colaborativos. “Quando há conexão entre os atores certos e um método bem definido, a inovação ganha velocidade e consistência, aproximando o conhecimento da aplicação prática”, afirmou Marcelo Moura, diretor do ecossistema.
O presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, destacou a experiência do banco na articulação de ecossistemas de inovação. “O BRDE participa do Nexus com uma contribuição que vai além do financiamento. Nós trazemos um histórico de aproximação entre empresas e startups, algo já desenvolvido no BRDE Labs e que agora ajuda a dar base a uma política pública estratégica para o Paraná”.
Para o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, a atuação integrada é fundamental para transformar a política pública em resultados. “Atuamos para assegurar que os recursos sejam bem aplicados e que os projetos tenham condições reais de execução. Além disso, fazemos a ponte entre empresas, startups e instituições de ciência e tecnologia, viabilizando os arranjos colaborativos que estão no centro do programa”.
A gerente do Departamento de Desenvolvimento Tecnológico e Subvenção Descentralizada da Finep, Thais Macieira, também destacou a consistência da chamada pública. “A chamada pública foi construída com bastante qualidade técnica. Ela parte de uma agenda relevante, conecta competências complementares e cria condições concretas para transformar ciência em inovação”.
Além do agronegócio, o Nexus Inovação Aberta tem potencial de expansão para áreas como saúde e biotecnologia, energias renováveis e sustentabilidade, indústria 4.0 e cidades inteligentes. A proposta é converter conhecimento científico em produtos e serviços para o mercado.