
Um grupo reduzido de sete deputados federais concentrou R$ 1,5 bilhão em indicações de emendas de comissão ao Orçamento em 2025, valor que representa cerca de 20% dos R$ 7,5 bilhões distribuídos por esses colegiados ao longo do ano. Os dados revelam uma forte concentração de recursos em poucos parlamentares, enquanto a maioria dos deputados teve acesso a valores significativamente menores.
O levantamento mostra que, enquanto esse pequeno grupo direcionou cifras superiores a R$ 100 milhões cada, os demais 423 deputados dividiram aproximadamente R$ 6 bilhões, com média individual de cerca de R$ 14 milhões. Outros 83 parlamentares não registraram indicações formais de emendas, embora possam ter sido contemplados por meio das lideranças partidárias.
As emendas de comissão são propostas por colegiados temáticos do Congresso e indicam ao governo federal onde os recursos devem ser aplicados. Apesar de o Executivo poder decidir sobre a execução, não há possibilidade de redirecionamento para outras áreas fora do previsto.
Até 2024, esse tipo de emenda não permitia identificar o parlamentar responsável pela indicação. A mudança ocorreu após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que passaram a exigir maior transparência na destinação dos recursos.
Com isso, tornou-se possível identificar que o deputado Julio Arcoverde (PP-PI) liderou o volume de indicações, com R$ 244,3 milhões. Na sequência aparecem Hugo Motta (Republicanos-PB), com R$ 180,5 milhões, e Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões.
Além disso, líderes partidários de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PL concentraram mais de R$ 930 milhões em indicações realizadas em nome das bancadas, prática que, segundo relatos, pode dificultar a identificação do autor real das emendas.
Parlamentares ouvidos apontam que a distribuição desigual contraria acordos internos e favorece nomes com maior influência política, como líderes partidários e presidentes de comissões. Segundo esses relatos, havia expectativa de diferença nos valores, mas em patamares menores do que os verificados.
A fragmentação das votações ao longo do ano também teria dificultado a percepção imediata da concentração de recursos.