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Grupo restrito de deputados concentra R$ 1,5 bilhão em emendas e amplia desigualdade na distribuição de recursos

Levantamento aponta que sete parlamentares controlaram um quinto do total destinado pelas comissões da Câmara em 2025

Por: João Livi
20/04/2026 às 09h33 Atualizada em 20/04/2026 às 10h45
Grupo restrito de deputados concentra R$ 1,5 bilhão em emendas e amplia desigualdade na distribuição de recursos
Deputado Julio Arcoverde foi o parlamentar que mais indicou recursos por meio de emendas de comissão em 2025. (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)

Um grupo reduzido de sete deputados federais concentrou R$ 1,5 bilhão em indicações de emendas de comissão ao Orçamento em 2025, valor que representa cerca de 20% dos R$ 7,5 bilhões distribuídos por esses colegiados ao longo do ano. Os dados revelam uma forte concentração de recursos em poucos parlamentares, enquanto a maioria dos deputados teve acesso a valores significativamente menores.

O levantamento mostra que, enquanto esse pequeno grupo direcionou cifras superiores a R$ 100 milhões cada, os demais 423 deputados dividiram aproximadamente R$ 6 bilhões, com média individual de cerca de R$ 14 milhões. Outros 83 parlamentares não registraram indicações formais de emendas, embora possam ter sido contemplados por meio das lideranças partidárias.

As emendas de comissão são propostas por colegiados temáticos do Congresso e indicam ao governo federal onde os recursos devem ser aplicados. Apesar de o Executivo poder decidir sobre a execução, não há possibilidade de redirecionamento para outras áreas fora do previsto.

Transparência expõe concentração de recursos

Até 2024, esse tipo de emenda não permitia identificar o parlamentar responsável pela indicação. A mudança ocorreu após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que passaram a exigir maior transparência na destinação dos recursos.

Com isso, tornou-se possível identificar que o deputado Julio Arcoverde (PP-PI) liderou o volume de indicações, com R$ 244,3 milhões. Na sequência aparecem Hugo Motta (Republicanos-PB), com R$ 180,5 milhões, e Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões.

Além disso, líderes partidários de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PL concentraram mais de R$ 930 milhões em indicações realizadas em nome das bancadas, prática que, segundo relatos, pode dificultar a identificação do autor real das emendas.

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Parlamentares ouvidos apontam que a distribuição desigual contraria acordos internos e favorece nomes com maior influência política, como líderes partidários e presidentes de comissões. Segundo esses relatos, havia expectativa de diferença nos valores, mas em patamares menores do que os verificados.

A fragmentação das votações ao longo do ano também teria dificultado a percepção imediata da concentração de recursos.

 

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