
Durante a sessão ordinária da Câmara de Marechal Cândido Rondon, realizada em 13 de abril de 2026, a vereadora Marciane Specht utilizou o grande expediente para reforçar a importância da Indicação nº 363/2026, apresentada em conjunto com o vereador Marciel Evandro Escher, que propõe a adesão do município ao programa estadual Bolsa Cuidador Familiar.
Embora a proposição tenha sido feito em conjunto com o vereador Marciel Evandro Escher, Marciane deu protagonismo ao tema ao levar à tribuna um dos pontos mais sensíveis da iniciativa: o reconhecimento e o apoio direto às famílias que assumem o cuidado diário de pessoas em situação de extrema dependência, especialmente idosos acamados.
Em sua manifestação, a vereadora destacou que o programa prevê auxílio financeiro ao cuidador familiar, podendo chegar a cerca de meio salário mínimo mensal. “Estamos falando de pessoas que abrem mão de suas vidas profissionais para cuidar de um familiar em situação de vulnerabilidade. Esse programa vem justamente reconhecer esse trabalho e oferecer um suporte mínimo, mas extremamente necessário”, pontuou.
O Bolsa Cuidador Familiar é um programa do Governo do Estado do Paraná, instituído pela Lei nº 22.189/2024, que prevê o pagamento de um auxílio mensal de R$ 810,50 - valor equivalente a meio salário mínimo em 2026 - a familiares responsáveis pelo cuidado de idosos em condição de dependência.
A iniciativa tem como objetivo valorizar o cuidador familiar e garantir melhores condições de vida a idosos fragilizados, incentivando que o cuidado permaneça no ambiente familiar. Neste estágio inicial, o programa já está sendo implantado em 20 municípios paranaenses, entre eles Toledo, Cascavel, Londrina, Ponta Grossa, Guarapuava e Curitiba.
Para ter acesso ao benefício, é necessário cumprir alguns critérios. O cuidador deve ter 18 anos ou mais, residir no mesmo domicílio do idoso e estar com cadastro atualizado no CadÚnico. Já a pessoa idosa precisa apresentar fragilidade clínico-funcional, também estar inscrita no CadÚnico e não pode estar institucionalizada. Outro requisito é que a renda familiar per capita não ultrapasse um salário mínimo.
O acesso ao programa ocorre por meio do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) ou de estruturas municipais específicas de cuidado, onde as famílias passam por processo de cadastramento e seleção.
Ao defender a adesão do município ao programa, Marciane Specht ressaltou que a realidade de muitas famílias rondonenses envolve uma rotina intensa de cuidados, frequentemente sem qualquer apoio financeiro ou estrutura adequada.
Para a vereadora, além do auxílio financeiro, o programa representa uma mudança importante na forma de encarar o envelhecimento e a dependência, valorizando o cuidado no ambiente familiar e fortalecendo vínculos afetivos.
A Indicação nº 363/2026 sugere que o Executivo municipal realize estudos técnicos para viabilizar a adesão ao programa, além de estruturar uma rede de atendimento envolvendo a Secretaria de Assistência Social, a área da saúde e o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso.
Entre as ações previstas estão a identificação das pessoas elegíveis, a organização de equipe técnica e a possível criação de um núcleo municipal de cuidados, garantindo que a política pública seja implementada com planejamento e eficiência.