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Raízen busca renegociar R$ 65 bilhões em dívidas e entra com pedido de recuperação extrajudicial

Empresa formada por Shell e Cosan já conta com adesão de cerca de 40% dos credores e tenta acordo para reestruturar passivos financeiros

Por: João Livi Fonte: Estadão
11/03/2026 às 13h58
Raízen busca renegociar R$ 65 bilhões em dívidas e entra com pedido de recuperação extrajudicial
Posto de combustíveis da Shell no Brasil; a companhia é acionista da Raízen, que busca renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. (Foto: Divulgação)

A companhia de energia Raízen protocolou na madrugada desta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais. A empresa é uma joint venture entre a Shell e a Cosan.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o pedido já conta com a adesão de credores que representam cerca de 40% da dívida total. Para que o plano seja homologado pela Justiça, será necessário alcançar o apoio de 50% mais um dos credores.

A proposta envolve exclusivamente compromissos financeiros e não inclui obrigações operacionais da empresa, como pagamentos a fornecedores ou despesas correntes.

Bancos e investidores já aderiram ao plano

De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, grandes instituições financeiras que figuram entre os principais credores já aceitaram a proposta de renegociação.

Entre os bancos envolvidos estão Itaú Unibanco, Banco Santander e Banco Bradesco, além de investidores que detêm títulos de dívida da companhia.

O principal desafio agora está na negociação com diversos credores menores, cujos valores são mais pulverizados dentro do endividamento total, o que torna o processo mais complexo.

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Empresa mantém caixa bilionário

Apesar do elevado volume de dívidas, a Raízen encerrou dezembro com R$ 17,3 bilhões em caixa.

A estrutura do endividamento inclui aproximadamente:

  • US$ 5 bilhões em títulos emitidos no exterior (bonds);

  • US$ 5 bilhões em dívidas com bancos;

  • US$ 3 bilhões em títulos emitidos no mercado doméstico.

Segundo fato relevante divulgado pela empresa na semana passada, os acionistas controladores estudam um reforço de capital que inclui R$ 3,5 bilhões aportados pela Shell e R$ 500 milhões vindos do empresário Rubens Ometto, fundador da Cosan, por meio da holding Aguassanta.

Empresa ganha prazo de 90 dias para negociar

Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen passa a ter proteção judicial por até 90 dias, período em que poderá negociar diretamente com os credores sem risco de execução imediata das dívidas.

O objetivo é preservar o caixa da companhia enquanto tenta construir um acordo definitivo de reestruturação.

O processo já é considerado um dos maiores movimentos de renegociação de dívida corporativa no país, comparável a casos históricos como o da Oi e da antiga Odebrecht, atualmente chamada de Novonor.

Credores podem virar acionistas

Entre as alternativas discutidas nas negociações está a possibilidade de conversão de aproximadamente R$ 16 bilhões em dívidas em participação acionária.

Caso essa estratégia seja adotada, credores passariam a se tornar sócios da companhia. Nesse cenário, a participação da Cosan seria diluída, e a Shell poderia assumir o controle da Raízen.

A Cosan enfrenta limitações financeiras para acompanhar o aporte total planejado pela Shell. Por isso, a empresa buscou reforço de capital com apoio do BTG Pactual, que se tornou sócio da Cosan no ano passado após coordenar uma operação de capitalização de R$ 10 bilhões.

Conversas envolveram reunião com Lula

Nas últimas semanas, representantes da Shell, Cosan, Raízen e BTG Pactual realizaram uma série de reuniões para discutir a reestruturação financeira da empresa.

Segundo o Estadão, um desses encontros ocorreu em Brasília e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As negociações buscaram definir o volume de recursos que os acionistas estariam dispostos a aportar na empresa. Até o momento, o valor total discutido não ultrapassou R$ 4 bilhões.

Resultado negativo pressiona grupo Cosan

O movimento ocorre em meio a um cenário financeiro desafiador para o grupo Cosan.

No balanço divulgado recentemente, a companhia registrou prejuízo líquido corporativo de R$ 5,803 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado 38% menor que o prejuízo observado no mesmo período de 2024.

A dívida líquida expandida da Cosan foi de R$ 9,760 bilhões, representando queda de 58% na comparação anual.

Ao comentar os resultados, a administração da empresa destacou as dificuldades do ambiente econômico.

“Mesmo diante desse cenário, conseguimos dar passos fundamentais para o aprimoramento da estrutura de capital da Cosan e redução do endividamento. Concluímos a capitalização e entrada dos novos sócios estratégicos, reforçando nossa governança e aportando estabilidade de capital para o longo prazo”, afirmou a gestão da companhia, conforme divulgado pelo Estadão.

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