
O financiamento destinado à cadeia produtiva do leite no Paraná registrou forte crescimento no último ano. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul direcionou R$ 164,5 milhões em 1.627 contratos de crédito para a pecuária leiteira paranaense nos últimos 12 meses, volume 84% superior à média anual dos últimos cinco anos.
Desde 2021, os financiamentos do banco para o setor já somam R$ 471,3 milhões, reforçando a expansão da atividade e os investimentos em produção e beneficiamento do leite no Estado.
O avanço do crédito acompanha o crescimento da produção no país. De acordo com análise da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a produção brasileira de leite registrou alta estimada de 7,2% em 2025.
No cenário nacional, o Paraná ocupa a segunda posição no ranking de produção, respondendo por quase 13% do volume total produzido, segundo dados organizados a partir das estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Além das linhas tradicionais de financiamento, produtores e agroindústrias também podem acessar recursos por meio do programa Banco do Agricultor Paranaense, que oferece juros subsidiados para incentivar investimentos e modernização no campo.
Para o diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, o crescimento do crédito reflete a profissionalização da atividade leiteira no Estado.
“O papel do BRDE é dar escala a esse salto, com financiamento de longo prazo e foco em produtividade, sustentabilidade e renda no campo. Esses ganhos ajudam a reduzir custos e ampliar a competitividade, inclusive no mercado externo”, afirmou.
Entre os produtores beneficiados está Marius Bronkhorst, que iniciou a atividade em 1982 com 20 vacas. Hoje, a propriedade localizada em Arapoti possui 600 vacas em lactação e produz 18 mil litros de leite por dia.
Com financiamento do BRDE, a propriedade investiu em confinamento total do rebanho, tecnologia de ordenha e monitoramento, ampliando a produção de 6 mil para 18 mil litros diários, com expectativa de atingir 7 milhões de litros por ano.
“Com o crédito, passamos a crescer de forma gradativa e sustentável, com ganhos na produção e na satisfação dos funcionários”, relatou o produtor.
Além da produção primária, o banco também apoiou a industrialização do leite. Nos últimos cinco anos, foram firmados 25 contratos voltados ao beneficiamento e processamento do produto, somando R$ 59 milhões em financiamentos.
Segundo o diretor-administrativo do BRDE, Heraldo Neves, o crédito contribui para a modernização da atividade.
“Quando o investimento chega ao produtor com condições adequadas, ele se transforma em produtividade e estabilidade para a propriedade”, destacou.
Dentro do Paraná, as regiões Centro-Sul e Sudoeste concentram mais de 50% dos contratos firmados pela agência do BRDE no Estado.
A grande maioria das operações é voltada à criação de bovinos para produção de leite, sendo que 99,44% dos financiamentos têm como beneficiários produtores rurais.
A série histórica indica dois momentos recentes de maior expansão no crédito ao setor:
2022 para 2023: aumento de R$ 51,8 milhões para R$ 94,9 milhões
2024 para 2025: avanço de R$ 100 milhões para R$ 150,7 milhões
Somente nos dois primeiros meses de 2026, já foram formalizados 246 contratos que somam R$ 24,8 milhões.
Para o superintendente da agência do BRDE no Paraná, Paulo Starke, os números refletem um novo momento da atividade.
“O produtor está investindo em tecnologia, eficiência e escala. O crédito é um instrumento fundamental para viabilizar essa transição e garantir maior estabilidade econômica para as propriedades”, afirmou.