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SUS reduz espera de sete anos para seis meses no diagnóstico de doenças raras

Nova plataforma de sequenciamento completo de DNA deve atender até 20 mil pessoas por ano e ampliar acesso em todo o país

Por: João Livi Fonte: EBC
27/02/2026 às 09h29
SUS reduz espera de sete anos para seis meses no diagnóstico de doenças raras
Ministério da Saúde anuncia nova plataforma de sequenciamento de DNA para reduzir tempo de diagnóstico de doenças raras no SUS. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Sistema Único de Saúde passa a contar com uma nova tecnologia capaz de transformar o diagnóstico de doenças raras no Brasil. O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do sequenciamento completo do exoma à rede pública, com potencial para reduzir o tempo médio de espera por diagnóstico de sete anos para apenas seis meses.

A nova plataforma deve atender até 20 mil demandas anuais em todo o território nacional. A estimativa oficial aponta que ao menos 13 milhões de brasileiros convivam com doenças raras.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26), em Brasília, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento que também marcou a habilitação de novos serviços especializados.

Exame de alto custo passa a ser ofertado pelo SUS

Segundo o ministro, "nós colocamos para o SUS o sequenciamento completo do exoma, que é um exame que custaria R$ 5 mil". A incorporação do teste representa avanço estratégico na política pública voltada às doenças raras.

De acordo com o coordenador de doenças raras do ministério, Natan Monsores, o investimento inicial foi de R$ 26 milhões. O exame, que no mercado pode alcançar R$ 5 mil, passa a ser ofertado ao SUS por R$ 1,2 mil.

A tecnologia será acessada por pacientes atendidos em serviços de referência ou identificados por meio da triagem neonatal. Eles poderão ser encaminhados aos polos de sequenciamento já ativados.

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Coleta simples, impacto decisivo

O procedimento começa com a coleta de material genético por meio de um cotonete na parte interna da bochecha. Também pode ser realizado com amostra de sangue. O material é enviado aos laboratórios para análise.

Monsores destacou que "é um ganho enorme para a comunidade de pessoas com doenças raras. Fornecendo para os médicos geneticistas, para as equipes de neurologia e de pediatria, uma ferramenta essencial para fechar esse diagnóstico".

A ferramenta permite avançar na identificação de deficiências intelectuais, atrasos no desenvolvimento global infantil e diversas condições genéticas complexas.

Expansão nacional até abril

Atualmente, 11 unidades da federação já contam com serviços ativados. Em 90 dias de utilização da ferramenta, foram realizados 412 testes, com 175 laudos concluídos.

A meta do Ministério da Saúde é expandir a rede para todas as unidades da federação até abril de 2026, ampliando a cobertura e descentralizando o acesso ao exame.

Durante o evento, também foi anunciado o tratamento com terapia gênica para crianças com atrofia muscular espinhal - AME. Segundo o ministro, trata-se de uma condição que, sem tratamento em tempo adequado, pode ser letal. Ele afirmou que todas as crianças que receberam a terapia tiveram interrupção na progressão da doença.

Pacientes cobram informação e fortalecimento

Representantes de entidades que atuam na defesa de pessoas com doenças raras participaram do anúncio. A presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências, Maria Cecília Oliveira, declarou: "eu espero que o programa Agora tem especialistas seja realmente um programa que possa impactar significativamente os pacientes com doenças raras, que é a nossa luta".

Lauda Santos, presidente da Associação Maria Vitoria de Doenças Raras e Crônicas e cofundadora da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras, afirmou que a principal dificuldade ainda é fazer com que a informação chegue aos pacientes. "As dificuldades continuam. A gente espera que isso mude porque tudo leva um tempo para poder entrar nos trilhos", disse.

Ela também defendeu o fortalecimento das entidades que representam os pacientes e criticou a carga tributária incidente sobre medicamentos.

 

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