
As fortes tempestades registradas na última semana no Paraná tiveram origem em um fenômeno atmosférico específico: o downburst, também chamado de microexplosão. A confirmação é do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná - Simepar -, após análise técnica detalhada dos eventos que atingiram Campina Grande do Sul e municípios do Sudoeste.
Em Campina Grande do Sul, na tarde de terça-feira - 17 -, foram registrados 59,6 mm de chuva entre 17h e 21h na estação hidrológica do Simepar na represa do Capivari, sendo 46 mm em apenas meia hora. A precipitação veio acompanhada de rajadas intensas que atingiram um conjunto comercial às margens do km 48 da BR-116, provocando o colapso de um telhado. Caminhões e carros foram atingidos, mas não houve feridos.
Após o episódio, a equipe do Simepar analisou imagens de satélite, dados de radar meteorológico e sensores de raios. Nenhum indício de vento em rotação foi identificado, o que descartou a hipótese de tornado.
Na manhã seguinte, o coordenador de operações Marco Jusevicius e o gerente de Infraestrutura e Hidrologia, José Eduardo Gonçalves, sobrevoaram a área com um drone adquirido com recursos da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial - SEIA -. O equipamento, equipado com sensor de mapeamento, cobriu 180 hectares em 40 minutos, voando a oito metros por segundo.
O levantamento, analisado pela equipe de Geointeligência do Simepar, confirmou que os dados são compatíveis com downburst, especificamente um microburst, que ocorre em áreas inferiores a 4 km de extensão.
"O fenômeno conhecido como microexplosão causa rajadas de vento fortes e destrutivas, normalmente associadas com o colapso da chuva que está dentro da nuvem na direção do solo. Ela precipita praticamente todo o volume de água que possui de só uma vez, e junto com isso ela arrasta o ar, criando rajadas de vento muito fortes em superfície", explicou Marco.
O termo downburst integra os estudos de Theodore Fujita, cientista que criou a escala internacional de classificação de tornados. Diferentemente do tornado, cujos ventos têm movimento convergente e rotacional, o downburst espalha os ventos lateralmente, em movimento divergente. Apesar das diferenças, os danos podem ser igualmente severos.
Na quarta-feira - 18 -, novas tempestades atingiram o Paraná. Em Maripá, estimativas de radar indicaram volumes próximos de 50 mm em curto intervalo, com rajadas entre 60 km/h e 70 km/h. Municípios como Manoel Ribas, Realeza, Jardim Alegre e Quedas do Iguaçu registraram queda de árvores, destelhamentos e danos a silos e barracões.
Assim como em Campina Grande do Sul, as análises de radar, satélite, fotos e vídeos não apontaram evidências de tornado. Os dados são compatíveis com downdraft - rajadas intensas descendentes - associadas a microexplosões.
"Os eventos que nós verificamos, basicamente desde o início da primavera até o momento no Paraná, mostraram uma diversidade muito grande de tempestades severas, onde nós tivemos tornados, com evidências e dados meteorológicos corroborando essas evidências, mas também outros tipos de tempestade severa, como as microexplosões, que também ocasionam rajadas fortes e causam danos", afirmou Marco.