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Brasil elimina 322 mil cargos de gerência e diretoria desde 2020, apontam dados do Caged

Enquanto país cria 9 milhões de empregos formais, vagas de liderança encolhem com digitalização e reestruturações

Por: João Livi Fonte: Caged
17/02/2026 às 09h58
Brasil elimina 322 mil cargos de gerência e diretoria desde 2020, apontam dados do Caged
Digitalização e reorganização interna das empresas reduzem cargos de gerência no Brasil. (Foto: Freepik)

O mercado de trabalho brasileiro vive um paradoxo. De um lado, o país acumulou aproximadamente 9 milhões de novos empregos com carteira assinada desde 2020. De outro, eliminou 322 mil postos de gerência e diretoria no mesmo período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A discrepância evidencia uma mudança estrutural no perfil das contratações e na organização das empresas.

Liderança em retração

Somente em 2025, o saldo de admissões para cargos de liderança ficou negativo em 112,3 mil postos. A tendência de queda vem se intensificando desde 2023, quando foram eliminadas 89,6 mil vagas de gerência e diretoria. Em 2024, o corte foi ainda maior: 98,3 mil posições extintas.

Enquanto isso, o mercado formal como um todo seguiu gerando empregos, com 1,2 milhão de vagas líquidas criadas apenas em 2025.

Crescimento com alta rotatividade

Os 9 milhões de empregos acumulados no período representam saldo líquido, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos. O volume total de movimentações é significativamente maior.

O Brasil possui historicamente alta taxa de rotatividade. Milhões de trabalhadores mudam de emprego todos os anos, especialmente em setores como serviços e comércio. Assim, parte das admissões ocorre por substituição e troca de vínculo empregatício.

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Mesmo com essa dinâmica intensa, o saldo positivo indica que o estoque total de empregos formais cresceu. Porém, a estrutura das vagas está se transformando.

Horizontalização e digitalização

A redução de cargos gerenciais está associada ao avanço da digitalização e à reorganização interna das empresas.

Modelos mais horizontais diminuem níveis hierárquicos e ampliam a autonomia das equipes. Sistemas de gestão integrados, indicadores de desempenho em tempo real e automação permitem que menos gestores supervisionem mais colaboradores.

Esse movimento, que já era observado na década passada, ganhou força com a transformação digital acelerada nos últimos anos.

Redução de custos e aumento de produtividade

Empresas também buscam enxugar estruturas para reduzir despesas administrativas. Cargos intermediários passaram a ser reavaliados, e parte das funções de supervisão foi absorvida por tecnologias ou redistribuída entre equipes.

O resultado é um mercado que cresce em número total de empregos, mas encolhe em posições de liderança tradicional.

Mudança estrutural

O fenômeno não é exclusivo do Brasil e acompanha tendências globais. Organizações cada vez mais orientadas por dados, eficiência operacional e modelos ágeis tendem a operar com menos camadas hierárquicas.

O cenário aponta para uma reconfiguração do perfil profissional exigido pelas empresas. Em vez de estruturas rígidas de comando, o mercado caminha para equipes multifuncionais, lideranças mais estratégicas e maior integração tecnológica.

O desafio, diante desse novo desenho, passa pela requalificação profissional e adaptação às exigências de um ambiente corporativo mais enxuto, digital e competitivo.

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