Quinta, 14 de Maio de 2026
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Investimento verde transforma terras improdutivas em oportunidade bilionária para o agro

Regeneração de solos improdutivos pode ampliar em 52% a produção de grãos no Brasil sem abrir novas fronteiras agrícolas

Por: João Livi Fonte: Arara Seed
29/08/2025 às 10h15
Investimento verde transforma terras improdutivas em oportunidade bilionária para o agro
Recuperação de pastagens degradadas pode ampliar em até 52% a produção agrícola do Brasil, sem necessidade de desmatamento. (Foto: Divulgação)

O Brasil guarda um dos maiores potenciais do mundo para unir crescimento produtivo e preservação ambiental: a recuperação de terras degradadas. De acordo com o relatório Áreas de Pastagens Degradadas e Potencial de Conversão, do Itaú BBA, o país possui cerca de 28 milhões de hectares de pastagens improdutivas, concentrados principalmente em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará, que podem ser transformados em lavouras de alta produtividade.

A conversão dessas áreas, segundo o estudo, pode gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária e elevar em 52% a produção nacional de grãos, tudo isso sem a necessidade de avanço sobre novas fronteiras agrícolas. O movimento, além de contribuir para a segurança alimentar global, se mostra como uma das estratégias mais inteligentes para o futuro do agronegócio e para a sustentabilidade do planeta.

O elo do financiamento

Apesar do enorme potencial produtivo e climático, recuperar essas terras exige um esforço financeiro expressivo. O Itaú BBA estima que o investimento necessário varie entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões, conforme o nível de degradação e a infraestrutura disponível.

Estudos da Embrapa apontam que 57% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação, sendo que a maior parte ainda é recuperável. O retorno pleno da produtividade, no entanto, costuma levar de 3 a 5 safras, o que exige linhas de crédito compatíveis com esse ciclo.

Atualmente, os recursos disponíveis estão muito aquém da necessidade. Um relatório da Climate Policy Initiative (CPI) Brasil, de 2023, revela que o financiamento climático destinado ao uso da terra e agricultura regenerativa representa menos de 2% do volume total de recursos para clima no país. Dentro do Plano ABC+, por exemplo, apenas R$ 3,5 bilhões foram destinados em 2022 para tecnologias de recuperação de pastagens via crédito rural.

Novos mecanismos para destravar a agenda

Diante desse cenário, o setor tem buscado alternativas para democratizar o acesso ao financiamento e acelerar a restauração das áreas improdutivas. Entre os mecanismos em expansão estão o CRA verde, a CPR verde, o blended finance, os fundos de impacto e o investimento coletivo, que permitem a participação de investidores individuais e institucionais na transformação do campo.

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Essas soluções oferecem a chance de unir retorno financeiro, rastreabilidade, redução de carbono e impacto ambiental positivo, atendendo a uma demanda crescente dos mercados globais por alimentos sustentáveis e de origem responsável.

Agro do futuro: produtivo e regenerativo

Com tecnologias já disponíveis no país, a regeneração de pastagens degradadas representa um caminho viável e estratégico para o agro brasileiro. A combinação de ciência, inovação e novos modelos de financiamento coloca o Brasil em posição privilegiada para liderar uma transformação verde, capaz de gerar valor econômico, fortalecer a produção de alimentos e contribuir de forma concreta para o combate às mudanças climáticas.

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