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Incontinência urinária: condição afeta milhões de brasileiros e pode ser tratada

Campanha da Sociedade Brasileira de Urologia alerta sobre a importância do diagnóstico e tratamento da disfunção

Por: João Livi Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia
16/03/2025 às 09h48
Incontinência urinária: condição afeta milhões de brasileiros e pode ser tratada
A incontinência urinária afeta milhões de brasileiros, mas tem tratamento. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado. (Foto: Freepik)

A perda involuntária de urina é um problema que impacta significativamente a qualidade de vida de muitas pessoas, especialmente mulheres e idosos. Apesar de ser comumente associada ao envelhecimento, a incontinência urinária tem tratamento e não deve ser encarada como um processo natural do corpo. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) faz um alerta sobre a condição no Dia Mundial da Incontinência Urinária, celebrado nesta sexta-feira (14), reforçando a importância de buscar ajuda especializada.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2020 e 2024, mais de 29,3 mil procedimentos cirúrgicos foram realizados para tratar a disfunção. No entanto, o número é considerado baixo pelos especialistas, uma vez que a estimativa é que 45% das mulheres e 15% dos homens com mais de 40 anos apresentem algum grau de incontinência urinária.

Sinais e impacto 

Os escapes de urina podem ocorrer em diversas situações do dia a dia, como ao tossir, rir, espirrar, fazer esforço físico ou mesmo por uma vontade incontrolável de urinar. Em casos mais graves, a pessoa sequer consegue chegar ao banheiro a tempo. Esse quadro pode levar ao uso constante de fraldas e absorventes, além do isolamento social devido ao constrangimento gerado pela condição.

Diante desse cenário, a SBU promove ao longo do mês de março a campanha "Saia do Molhado", que visa conscientizar a população sobre a importância do tratamento. Com ações nas redes sociais, incluindo posts, lives e vídeos com especialistas, a iniciativa busca esclarecer as principais dúvidas sobre o tema. Além disso, mutirões de cirurgias e exames especializados serão realizados em diversos estados brasileiros.

Tipos 

A incontinência urinária pode ser classificada em três categorias principais:

  • Incontinência urinária por esforço: caracterizada pela perda de urina ao realizar esforços como tossir, rir ou levantar peso. Representa de 40% a 70% dos casos em mulheres.

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  • Incontinência urinária de urgência: ocorre quando há uma necessidade repentina e incontrolável de urinar, sendo também conhecida como bexiga hiperativa.

  • Incontinência mista: combina os dois tipos anteriores.

Principais fatores de risco

O desenvolvimento da incontinência urinária pode estar relacionado a diversos fatores, como:

  • Envelhecimento e enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico;

  • Sexo feminino e gestação;

  • Histórico familiar;

  • Tabagismo, diabetes, sobrepeso e obesidade;

  • Cirurgias pélvicas e na próstata;

  • Doenças neurológicas, como Parkinson e esclerose múltipla.

Para os idosos, a perda de urina pode estar relacionada à diminuição da capacidade de armazenamento da bexiga e ao uso de determinados medicamentos. Entre os homens, a hiperplasia prostática benigna é uma das principais causas do problema.

Prevenção e tratamento

A prevenção da incontinência urinária passa por uma rotina de hábitos saudáveis. Manter um peso adequado, praticar atividades físicas regularmente, evitar o tabagismo e controlar condições como diabetes e hipertensão são medidas essenciais. Para mulheres grávidas, o acompanhamento médico e a realização de exercícios específicos para fortalecimento do assoalho pélvico ajudam a reduzir os riscos de disfunção urinária no pós-parto.

O tratamento varia conforme o tipo e gravidade do quadro, podendo incluir:

  • Mudanças comportamentais, como controle da ingestão de líquidos e evitação de cafeína;

  • Medicamentos para controle da função da bexiga;

  • Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico;

  • Estimulação elétrica dos músculos da região pélvica;

  • Aplicção de toxina botulínica na bexiga em casos de bexiga hiperativa;

  • Cirurgia para implantação de sling ou esfíncter artificial.

Uma nova tecnologia para o tratamento da bexiga hiperativa está prevista para chegar ao Brasil em 2026. O dispositivo será implantado no nervo tibial, próximo ao tornozelo, e estimulará a bexiga de forma crônica, promovendo um melhor controle da incontinência urinária de urgência.

Por qualidade de vida

A incontinência urinária afeta milhões de brasileiros e interfere diretamente na qualidade de vida. A falta de informação e o preconceito em relação à condição levam muitos pacientes a evitarem buscar ajuda médica. No entanto, a ciência avança constantemente, trazendo novas abordagens e soluções para quem convive com essa disfunção. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível recuperar a confiança e ter mais qualidade de vida.

 

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