A vacinação contra a dengue, um marco importante no combate a uma das doenças mais prevalentes do Brasil, está enfrentando desafios significativos. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) emitiu um alerta nesta sexta-feira (24), destacando a baixa adesão à vacina Qdenga, disponível em 1.921 municípios brasileiros. Até o momento, apenas 50% das doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram aplicadas.
O imunizante, produzido pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma, foi lançado em fevereiro de 2024 com a proposta de reduzir os casos graves da doença entre crianças de 10 a 14 anos, faixa etária prioritária devido à alta hospitalização por dengue. Entretanto, a adesão está aquém do esperado, mesmo diante de um cenário preocupante: em 2024, o Brasil registrou um recorde de 6,6 milhões de casos prováveis e mais de 6 mil mortes causadas pela doença.
De acordo com a presidente da SBIm, Mônica Levi, a vacina Qdenga é segura e eficaz, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por órgãos reguladores de vários países. Ela reforça que o esquema vacinal de duas doses é essencial para garantir uma proteção duradoura.
“A segunda dose é responsável pela proteção mais longa, de pelo menos quatro anos e meio. Quem perdeu o intervalo de 90 dias pode e deve tomar a dose adicional normalmente, sem prejuízo ao esquema vacinal”, orienta Levi.
Ainda assim, o Ministério da Saúde tem enfrentado dificuldades na ampliação da cobertura vacinal, devido à limitação de doses fornecidas pelo fabricante e à necessidade de priorizar regiões com maior incidência da doença.
Enquanto a vacinação não alcança níveis satisfatórios, o governo federal mantém foco em medidas preventivas. A intensificação do combate ao mosquito transmissor, Aedes aegypti, tem sido uma prioridade, com iniciativas como o método Wolbachia, Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) e a Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE-Irradiado).
O Ministério da Saúde também instalou o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para ampliar o monitoramento de arboviroses, uma resposta ao ressurgimento do sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3), que não era predominante no Brasil desde 2008 e que coloca uma grande parcela da população em risco por falta de imunidade natural.
Em meio às dificuldades de distribuição, o Instituto Butantan anunciou o início da produção de uma nova vacina contra a dengue, a Butantan-DV, aguardando aprovação da Anvisa. A expectativa, contudo, é que a imunização em massa ainda não seja viável em 2025, segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Especialistas reforçam que a adesão à vacinação está diretamente relacionada à conscientização da população sobre os benefícios do imunizante e os riscos associados à dengue. Iniciativas de comunicação efetiva e engajamento comunitário são fundamentais para superar a baixa procura e evitar que os números alarmantes de casos se repitam.
Com o Brasil sendo o primeiro país a oferecer a vacina Qdenga no sistema público de saúde, é crucial transformar este marco em uma vitória efetiva contra a dengue, protegendo vidas e reduzindo o impacto da doença no sistema de saúde e na sociedade como um todo.