
A possibilidade de chuvas acima da média, ventos fortes e episódios de granizo durante os próximos meses colocou Marechal Cândido Rondon em mobilização preventiva. Autoridades, secretarias municipais e representantes de diferentes entidades reuniram-se na manhã desta quarta-feira (16), na prefeitura, para discutir como o município deverá agir diante de eventuais impactos associados ao fenômeno El Niño.
O encontro teve como um dos principais pontos a apresentação do Plano de Contingência elaborado pela Defesa Civil municipal. O documento deverá orientar a atuação dos órgãos envolvidos caso ocorram situações provocadas por eventos climáticos severos.
Também entrou em discussão a criação de um comitê municipal para acompanhar os cenários climáticos, avaliar riscos e auxiliar na definição das medidas necessárias. A proposta é estabelecer uma atuação integrada para agilizar decisões e organizar a resposta em uma eventual situação de emergência.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Marechal Cândido Rondon, capitão Alexsandro de Siqueira Boni, abordou durante a reunião as perspectivas relacionadas ao El Niño e chamou a atenção para a necessidade de preparação antecipada.
“Eu considero essa reunião como ímpar, não são todos os municípios que têm essa iniciativa de mobilizar Poder Executivo, secretários, vereadores e representantes de entidades do município para tratar desse tema tão delicado que é o El Niño. E, mais do que falar do problema, é como nós podemos prevenir e também gerir o momento em que nós estivermos num cenário de desastre”, afirmou.
Segundo o capitão, o Oeste do Paraná figura entre as regiões que podem sentir os efeitos do fenômeno. As projeções apresentadas durante o encontro indicam possibilidade de atuação de forte intensidade especialmente durante a primavera e o verão.
“Na nossa região são previstas chuvas intensas, acima da média, ventos, granizo. Então, são cenários que exigem, sim, ações para redução dos riscos. E, por mais que os riscos sejam, como eu disse, reduzidos e não anulados, aquilo que fica de sobra que o desastre se configura é onde a gente precisa, então, ter esse entrosamento para dar uma resposta de forma organizada”, explicou Boni.
Participaram da reunião o prefeito Adriano Backes; o coordenador da Defesa Civil municipal e secretário de Mobilidade, Marcos Carlton; o diretor da pasta e integrante da Defesa Civil, Murilo Wasem; os vereadores Coronel Welyngton, Rafael Heinrich, Carlinhos Silva, Marcos Spohr, Marciene Specht e Cristiano Metzner (Suko); representantes das secretarias municipais e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).
Também estiveram presentes a representante da Acimacar, Carla Rieger; o presidente do Sindicato Rural, Edio Chapla; o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Alexsandro de Siqueira Boni; além de outros convidados.
A participação de diferentes setores está relacionada à estratégia de estabelecer previamente responsabilidades e canais de comunicação. A intenção é que, diante de uma eventual ocorrência, os órgãos envolvidos possam atuar de maneira coordenada.
Além da preparação do poder público, o comandante do Corpo de Bombeiros ressaltou que medidas adotadas pelos próprios moradores podem contribuir para reduzir danos.
“A população tem sempre que, em primeiro lugar, ter calma, se informar por fontes confiáveis de informação, não gerar em si própria, na sua família e na comunidade, pânico, porque as informações estão sendo ventiladas de forma bastante antecipada por diversas fontes do governo”, orientou.
Boni também explicou que o recebimento de um alerta meteorológico não significa necessariamente que o evento previsto atingirá determinado imóvel ou região. O aviso funciona como instrumento de prevenção diante da possibilidade de ocorrência.
“Por mais que o alerta que chegue no seu celular não se configure em vivenciar um cenário, aquilo é bom, porque o alerta tem essa finalidade. Não é só avisar que, de fato, ocorreu ou ocorrerá, é uma hipótese, então, é uma situação que realmente é uma previsão”, afirmou.
Entre as providências preventivas citadas está a manutenção dos imóveis antes da chegada de períodos de maior instabilidade.
“A pessoa pode cuidar dentro do seu imóvel de limpar as calhas antes que as chuvas venham e ela tenha um excesso de água dentro da sua casa, estragando seus móveis, eletrônicos, enfim. Então, são condutas simples que a pessoa consegue se antever a esse cenário”, exemplificou o comandante.
A orientação reforça a proposta discutida na reunião: antecipar medidas para reduzir riscos, mesmo que os eventos previstos não venham a ocorrer com a intensidade projetada.
A mobilização deverá prosseguir nas próximas semanas e envolver outros segmentos da comunidade. Um novo encontro está marcado para o dia 22, na prefeitura, com representantes do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (CMDA) e de entidades ligadas ao setor rural.
Outra reunião está prevista para o dia 29, no auditório da prefeitura, desta vez com representantes da área da educação.
Com a sequência dos encontros, o município pretende ampliar a participação das entidades, consolidar o planejamento preventivo e estruturar uma resposta coordenada caso Marechal Cândido Rondon seja atingido por eventos climáticos severos nos próximos meses.

