
As práticas ESG começam a ganhar espaço também na gestão das associações comerciais do Oeste do Paraná. Um grupo de 32 executivos participou de uma jornada de capacitação destinada a transformar conceitos de sustentabilidade, responsabilidade social e governança em medidas aplicáveis à rotina das entidades empresariais.
A Jornada ESG para Lideranças Associativistas foi desenvolvida pelo Sebrae/PR e pela Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar). Dividida em quatro módulos, a formação trabalhou desde a avaliação da maturidade das entidades até a elaboração de planos de ação.
A iniciativa teve origem em um termo de parceria firmado durante o Fórum da Caciopar, em 2024. A metodologia foi construída pelas instituições ao longo de 2025 e passou a ser aplicada neste ano.
Em vez de concentrar a formação apenas nos conceitos relacionados à sigla ESG - ambiental, social e governança -, a jornada buscou identificar como essas práticas podem ser incorporadas aos processos administrativos e às decisões das associações comerciais.
Entre os temas trabalhados estiveram gestão de riscos, ética e transparência, desenvolvimento e valorização dos colaboradores, relacionamento com associados, consumo responsável e eficiência na utilização de água e energia.
Na área ambiental, foram discutidas medidas como redução do consumo de papel, coleta seletiva, destinação adequada de resíduos e utilização mais eficiente de recursos. Na dimensão social, entraram ações de capacitação, pesquisa de clima, integração, reconhecimento e valorização das equipes.
Para o gerente regional do Sebrae/PR, Augusto Stein, o objetivo é fazer com que o conhecimento resulte em benefícios concretos para as entidades e empresas representadas.
“A aplicação do ESG visa gerar valor e benefícios diretos tanto para as associações quanto para os associados. A nossa contribuição é fazer com que as equipes compreendam o assunto e consigam, de fato, aplicar essas práticas nas associações”, explica.
A engenheira e especialista em sustentabilidade Bruna Saara conduziu os módulos e trabalhou a aplicação dos princípios de acordo com a realidade das associações comerciais.
“Trabalhamos governança, gestão de riscos, desenvolvimento de pessoas, relacionamento com associados, sustentabilidade e o papel das ACEs no desenvolvimento regional, sempre conectando conteúdo e prática. A proposta da Jornada ESG foi mostrar como incorporar esses princípios à gestão, com ferramentas, indicadores e ações possíveis dentro da realidade de cada associação”, afirma.
Na governança, a formação abordou especialmente ética, transparência, gerenciamento de riscos e processos decisórios. A intenção é que essas práticas deixem de aparecer apenas em projetos específicos e sejam incorporadas ao planejamento e à administração permanente das entidades.
Segundo o presidente da Caciopar, Reni Fernande Felipe, essa mudança depende diretamente da cultura das organizações.
“O ESG deixou de ser apenas uma tendência e se tornou um pilar de sustentabilidade e competitividade. O maior desafio é transformar cultura em ação, fazendo com que essas práticas estejam inseridas no planejamento estratégico das associações e não apenas em projetos pontuais”, ressalta.
Ao longo dos quatro módulos, os participantes avançaram da sensibilização sobre o tema para instrumentos destinados à implementação e ao acompanhamento das ações.
Entre as ferramentas trabalhadas estão avaliação do nível de maturidade ESG, elaboração de plano de ação, Plano de Desenvolvimento Individual, controle de treinamentos e atividades realizadas e gestão de riscos.
A estratégia considera ainda a capacidade das associações comerciais de disseminar essas práticas entre seus associados. Por manterem relacionamento com empresas, poder público e comunidade, as entidades podem ampliar o alcance das iniciativas e estimular a adoção de medidas ambientais, sociais e de governança no ambiente empresarial regional.
Com a conclusão da jornada, o próximo passo será incorporar os planos e ferramentas desenvolvidos durante a capacitação à rotina das associações, permitindo acompanhar a evolução das práticas e os resultados alcançados ao longo do tempo.