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A pé pelo Peabiru, francês redescobre paisagens e histórias do Oeste do Paraná

Expedição de Gilles Verrecchia atravessa o território Cataratas e Caminhos e transforma uma jornada de milhares de quilômetros em experiência de turismo, cultura e conhecimento sobre uma das antigas rotas da América do Sul

Por: João Livi
02/09/2026 às 16h39
A pé pelo Peabiru, francês redescobre paisagens e histórias do Oeste do Paraná
Gilles Verrecchia percorre a pé o território Cataratas e Caminhos durante expedição pelos históricos Caminhos do Peabiru, em uma jornada que seguirá por diferentes países até a costa do Oceano Pacífico. (Foto: Divulgação)

Há caminhos que levam a um destino. Outros ajudam a compreender a história de um território. É com os pés na estrada que o francês Gilles Verrecchia percorre os históricos Caminhos do Peabiru, em uma expedição que atravessa paisagens, municípios, fronteiras e lugares ligados a uma antiga rede de deslocamento utilizada por povos indígenas na América do Sul.

Radicado no Brasil há mais de três décadas, Gilles já caminhou aproximadamente 1.000 quilômetros desde o início da jornada, em Santa Catarina. Nesta terça-feira (1º), chegou a Céu Azul depois de percorrer a pé o trecho desde Santa Tereza do Oeste, inserindo o território Cataratas e Caminhos no roteiro de uma viagem que pretende alcançar a costa do Oceano Pacífico.

A passagem pela região também coloca em evidência um modo diferente de conhecer o Oeste do Paraná. Em vez de apenas chegar aos destinos, o caminhante experimenta as distâncias entre eles, observa as mudanças da paisagem e estabelece contato com comunidades e lugares ao longo do percurso.

Uma região conhecida passo a passo

Depois de Céu Azul, o roteiro prevê passagens por Matelândia, Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Foz do Iguaçu. O trajeto regional passa pela rede de trilhas que compõem o Caminhos do Iguaçu e conecta a caminhada a iniciativas que buscam valorizar natureza, história e identidade territorial.

De Foz do Iguaçu, a expedição ganha dimensão internacional. Gilles seguirá pelo Paraguai e pela Argentina, avançando posteriormente em direção à Bolívia e ao Peru até alcançar o Pacífico.

Toda a jornada é realizada a pé. Os equipamentos seguem em um pequeno carrinho puxado pelo próprio viajante, no qual são transportados roupas, alimentos, utensílios para o cotidiano e uma barraca utilizada como abrigo durante as paradas.

A simplicidade da estrutura contrasta com a dimensão do percurso. São milhares de quilômetros projetados e sucessivas mudanças de ambientes, culturas e países.

Caminhar para conhecer

Gilles não é estreante em percursos de longa distância. Entre suas experiências estão duas travessias pelo Caminho de Santiago de Compostela, uma das rotas de peregrinação mais conhecidas da Europa.

A caminhada pelo Peabiru, entretanto, apresenta outra dimensão. Ao percorrer parte dos antigos trajetos sul-americanos, a expedição aproxima a experiência contemporânea de deslocamento de uma história construída muito antes das atuais fronteiras nacionais.

É justamente essa combinação que amplia o potencial turístico dos Caminhos do Peabiru. O percurso deixa de ser apenas uma referência histórica para se transformar em possibilidade de contato com paisagens, comunidades, patrimônio cultural e diferentes formas de compreender a ocupação do território.

Uma rota que atravessa a história

Os Caminhos do Peabiru constituíam uma antiga rede de caminhos utilizada por povos indígenas para deslocamentos e intercâmbios entre diferentes regiões da América do Sul. Seus trajetos atravessavam extensas áreas do continente e, ao longo do tempo, passaram a integrar também diferentes narrativas históricas.

Hoje, o resgate dessa memória abre espaço para iniciativas relacionadas ao turismo de experiência, caminhadas, educação patrimonial e valorização cultural. No Oeste do Paraná, a relação entre o Peabiru e os atuais roteiros permite apresentar o território para além de seus atrativos mais conhecidos.

A passagem de Gilles Verrecchia pelo território Cataratas e Caminhos ajuda a tornar essa história novamente visível. A cada trecho percorrido, a viagem reúne passado e presente em uma experiência na qual o próprio caminho se transforma em destino e fonte de conhecimento.

 

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