Terça, 01 de Setembro de 2026
17°C 21°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

El Niño exige atenção redobrada nas lavouras de soja, milho e trigo no Oeste do Paraná

Nota técnica da Embrapa aponta aumento das chuvas no Sul do Brasil e recomenda ajustes no manejo das principais culturas presentes na região para reduzir riscos na safra 2026/2027

Por: João Livi Fonte: Embrapa
01/09/2026 às 10h54
El Niño exige atenção redobrada nas lavouras de soja, milho e trigo no Oeste do Paraná
Soja, milho e trigo estão entre as culturas do Oeste do Paraná que exigirão atenção especial diante da perspectiva de maior volume e concentração das chuvas com o El Niño 2026/2027. (Foto: Magnific)

Produtores rurais do Oeste do Paraná entram na safra 2026/2027 diante de um cenário climático que exige planejamento. Nota técnica da Embrapa sobre os efeitos do El Niño aponta perspectiva de chuvas mais intensas e concentradas na Região Sul, especialmente entre setembro e dezembro, condição que pode interferir diretamente nas lavouras de soja, milho e trigo, culturas de forte presença em Marechal Cândido Rondon e municípios vizinhos.

O documento informa que a NOAA confirmou o estabelecimento do El Niño 2026/2027 e aponta probabilidade entre 97% e 99% de permanência do fenômeno nos trimestres entre junho de 2026 e o verão de 2027. Há ainda, conforme a nota, 63% de possibilidade de o evento atingir a categoria "muito forte" entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Para a agricultura regional, o alerta não significa necessariamente uma safra ruim. A própria Embrapa ressalta que os impactos do El Niño não devem ser interpretados como resultados previamente definidos. O comportamento das chuvas, o momento em que elas ocorrerem e, principalmente, o manejo adotado em cada propriedade terão influência sobre o desempenho das culturas.

Soja requer cuidado com excesso de água

Para a soja, uma das principais culturas de verão do Oeste paranaense, o excesso de precipitação aumenta o risco de erosão, estiolamento e acamamento das plantas. A combinação de elevada umidade e períodos de maior nebulosidade também pode favorecer doenças como ferrugem asiática, mofo-branco e podridões radiculares.

Entre as medidas indicadas pela Embrapa está a manutenção de uma boa cobertura de palha sobre o solo. A proteção reduz o impacto direto das gotas de chuva, diminui o escoamento superficial e favorece a infiltração da água.

A nota também recomenda atenção à densidade de semeadura da soja. Em condições de elevada umidade, a redução da população de plantas, quando tecnicamente indicada, pode melhorar a circulação de ar no dossel e contribuir para reduzir condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças.  

Milho pode sofrer com perda de nitrogênio

No milho, outro componente fundamental do sistema produtivo regional, uma das preocupações é a lixiviação de nitrogênio provocada pelo excesso de água. Chuvas frequentes ou de grande volume podem transportar nutrientes para camadas mais profundas do solo, reduzindo seu aproveitamento pelas plantas.

A recomendação técnica inclui o parcelamento da adubação nitrogenada e cuidados com a drenagem superficial, especialmente em pontos mais baixos das propriedades. O objetivo é evitar períodos prolongados de encharcamento e reduzir o risco de falta de oxigênio no sistema radicular.  

Soja e milho compartilham outro desafio importante: a conservação do solo. Diante da possibilidade de precipitações intensas, a Embrapa reforça práticas como plantio em contorno, manutenção de palhada e adoção de sistemas de manejo capazes de aumentar a infiltração e diminuir a formação de enxurradas.

Trigo enfrenta risco ainda nesta safra

Os efeitos do El Niño também merecem acompanhamento nas lavouras de trigo. Para os cereais de inverno, a Embrapa aponta riscos relacionados à maior pressão de doenças, germinação dos grãos antes da colheita e ocorrência de micotoxinas quando períodos excessivamente úmidos coincidem com fases críticas da cultura

Entre as estratégias recomendadas estão a utilização de cultivares com resistência genética a doenças, escalonamento da semeadura e parcelamento da adubação nitrogenada para diminuir perdas por lixiviação.

Dependendo das condições próximas à maturação, o planejamento da colheita também ganha importância. A nota técnica cita a possibilidade de antecipar a operação com grãos apresentando maior umidade, seguida de secagem artificial, como estratégia para diminuir a exposição da produção a períodos prolongados de chuva.  

Janela de plantio deve ser respeitada

Para as três culturas, uma das principais orientações é seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A Embrapa destaca que as janelas estabelecidas pelo zoneamento consideram séries históricas de pelo menos 30 anos, incluindo períodos influenciados tanto por El Niño quanto por La Niña.  

Outra recomendação é evitar concentrar toda a semeadura em um único período. O escalonamento das épocas de plantio e a utilização de cultivares de ciclos diferentes ajudam a distribuir os riscos, impedindo que toda a área esteja na mesma fase de desenvolvimento caso ocorra um episódio climático mais severo.

A mensagem central da nota técnica é de gestão de risco. Em vez de considerar antecipadamente o El Niño como sinônimo de perdas, a Embrapa orienta produtores e técnicos a acompanharem previsões oficiais, adequarem o investimento em insumos à expectativa realista de produtividade e adotarem medidas preventivas de conservação do solo e manejo das lavouras.



Veja a Nota Técnica completa AQUI.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários