
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31), mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) na segunda colocação e uma mudança significativa na disputa: Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana e assumiu isoladamente o terceiro lugar.
No cenário que inclui Pablo Marçal (PRTB), Lula aparece com 37%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Cury alcança 11%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. Marçal e Renan Santos (Missão) têm 3% cada e Romeu Zema (Novo), 2%.
Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) registram 1% cada. Brancos e nulos somam 3%, enquanto 2% não souberam ou não responderam.
Mais do que o crescimento de nove pontos, a análise da movimentação do eleitorado ajuda a dimensionar a mudança registrada pela pesquisa.
No cenário sem Pablo Marçal, usado pela Nexus para comparar a evolução dos candidatos, Lula caiu de 41% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 37% para 33%. No mesmo período, Cury avançou de 2% para 11%.
Segundo análise apresentada pela própria Nexus, quatro dos nove pontos incorporados por Cury teriam vindo de eleitores que na rodada anterior declaravam voto em Flávio Bolsonaro. Outros dois pontos teriam origem entre eleitores de Lula. Parte restante estaria relacionada, entre outros movimentos, à procura por uma candidatura fora da polarização entre os dois primeiros colocados.
Os números não significam que toda a oscilação negativa de Lula e Flávio tenha necessariamente migrado diretamente para Cury. Pesquisas sucessivas também estão sujeitas à margem de erro e a movimentações entre outros candidatos, indecisos, votos brancos e nulos.
Os recortes da pesquisa ajudam a identificar onde Cury apresenta maior desempenho. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, ele chega a 22%. Na faixa dos 25 aos 40 anos, alcança 16%.
O percentual diminui à medida que aumenta a idade dos entrevistados: são 8% entre pessoas de 41 a 59 anos e 4% entre aquelas com 60 anos ou mais.
A escolaridade também revela diferenças. Cury registra 17% entre os entrevistados com ensino superior, 14% entre aqueles com ensino médio e 3% no grupo com ensino fundamental. Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, alcança 13% em um dos recortes apresentados.
A ascensão eleitoral ocorre simultaneamente ao aumento da exposição de Cury no ambiente digital. Dados citados pela Folha de S.Paulo apontam que seus perfis oficiais ganharam cerca de 2,6 milhões de seguidores em uma semana, expansão de 18% na base do candidato.
A própria Nexus observa que o levantamento foi realizado após o primeiro debate televisionado, entrevistas dos presidenciáveis no Jornal Nacional e o início da propaganda eleitoral gratuita. A análise também registra forte crescimento das buscas pelo candidato na internet durante o período.
Apesar do avanço, a pesquisa revela uma diferença importante entre Cury e os dois primeiros colocados: a consolidação do voto.
Entre os eleitores que atualmente escolhem Cury, 59% afirmam que a decisão está tomada, enquanto 39% admitem que ainda podem mudar de candidato. Na rodada anterior, apenas 30% dos eleitores do candidato diziam ter uma escolha definitiva.
Entre os eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro, por outro lado, 85% afirmam já estar decididos. Isso indica que, embora Cury tenha ampliado rapidamente seu eleitorado, uma parcela relevante desse grupo ainda pode se movimentar durante a campanha.
O crescimento de Cury ainda não alterou o cenário de eventual segundo turno entre os dois líderes.
Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro, com 45%, exatamente os mesmos percentuais da rodada anterior. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, há empate técnico.
Entre os atuais eleitores de Augusto Cury, 46% afirmam que votariam em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. Outros 23% escolheriam o atual presidente e 29% declararam intenção de votar em branco ou nulo.
Há empate técnico também na simulação entre Lula e Ronaldo Caiado: 45% a 44%. Contra Zema, Lula aparece com 46% diante de 41%; contra Renan Santos, o resultado é de 47% a 38%.
A Nexus entrevistou por telefone 2.005 pessoas com 16 anos ou mais, em todo o país, entre sexta-feira (28) e domingo (30).
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08900/2026.
A rodada mostra, portanto, Lula e Flávio Bolsonaro ainda concentrando as maiores parcelas do eleitorado, mas com uma alteração relevante na faixa seguinte da disputa. O salto de Augusto Cury para 11%, especialmente entre jovens e pessoas com maior escolaridade, passa a ser um dos movimentos a serem acompanhados nas próximas pesquisas para verificar se o crescimento se consolida ou se representa uma oscilação pontual da campanha.