
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Marechal Cândido Rondon completa, nesta quarta-feira, dia 19 de agosto, 60 anos de criação. A autarquia municipal, instituída em 1966, durante a gestão do então prefeito Werner Wanderer, nasceu com uma estrutura simples de abastecimento e hoje é responsável por um sistema amplo, estratégico e essencial para a qualidade de vida da população.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o diretor executivo do SAAE, Fábio Regelmeier, e o prefeito Adriano Backes destacaram a trajetória da autarquia, os investimentos em andamento, os avanços no abastecimento de água e os próximos desafios na área de esgotamento sanitário.
Fábio, que atua há 22 anos no SAAE, afirmou que a data representa o reconhecimento ao trabalho de servidores, diretores, gestores e colaboradores que ajudaram a construir a história da instituição.
O abastecimento público de água em Marechal Cândido Rondon teve início a partir de um poço artesiano localizado na região central, próximo à esquina das avenidas Rio Grande do Sul e Irio Jacob Welp. No mesmo espaço, ainda hoje, permanecem estruturas históricas ligadas à primeira captação.
Segundo Fábio, o sistema começou com a primeira captação, o primeiro poço, uma captação superficial com mina e um reservatório apoiado com capacidade para 200 mil litros.
Na sede do SAAE, atualmente, a capacidade de reservação chega a 650 mil litros, considerando também o reservatório enterrado existente no local.
Ao longo de seis décadas, a autarquia acompanhou o crescimento urbano, industrial e rural de Marechal Cândido Rondon.
Hoje, o SAAE conta com mais de 18 poços artesianos ligados ao sistema urbano, uma Estação de Tratamento de Água em operação e uma segunda ETA em fase final de construção.
Considerando também os poços do interior, a estrutura da autarquia soma mais de 70 poços. A rede de distribuição ultrapassa 600 quilômetros na área urbana e chega a mais de 700 quilômetros na área rural.
A capacidade de produção também mudou de escala. Atualmente, o SAAE bombeia em torno de 16 milhões de litros de água por dia.
Os poços possuem produção variável, entre 15 e 50 metros cúbicos por hora. A ampliação da demanda, especialmente após a crise hídrica enfrentada entre 2019 e 2021, levou o município a investir também na captação superficial.
A ETA em operação capta cerca de 30 litros por segundo. A nova estação em construção terá capacidade para produzir 150 litros por segundo, o equivalente a aproximadamente 12 milhões de litros de água por dia a mais para o sistema.
Fábio afirmou que a segunda ETA está em fase avançada. Bombas, tubulações e estruturas principais já estão instaladas, restando ajustes técnicos, acabamentos e regulagens necessárias para o funcionamento adequado.
A expectativa é que a nova estação entre em funcionamento em até dois meses, caso não ocorram novos imprevistos técnicos.
A estrutura deverá dar mais segurança ao abastecimento e ampliar a capacidade do sistema para os próximos anos, reduzindo riscos de desabastecimento em períodos de maior consumo ou menor disponibilidade hídrica.
O prefeito Adriano Backes destacou que a atual gestão trabalha com cerca de R$ 35 milhões em investimentos no sistema de água e esgoto.
Entre as ações citadas estão a construção da nova ETA, renovação da frota, aquisição de veículos, compra de duas retroescavadeiras, melhorias na estrutura operacional e investimentos em tecnologia.
Segundo o prefeito, a modernização também envolve melhores condições de trabalho para os servidores, deslocamento mais seguro e equipamentos adequados para atuação na cidade e no interior.
Um dos pontos destacados por Fábio foi o fim da prática de fechamento noturno de registros, medida adotada em períodos anteriores para garantir água no dia seguinte.
Segundo ele, desde outubro do ano passado, o SAAE deixou de realizar esse procedimento. A mudança ocorreu após diagnóstico de perdas superiores a 30% e organização de uma estratégia de trabalho com as equipes.
O diretor afirma que o sistema hoje está mais equilibrado, com produção suficiente durante o dia e a noite. Mesmo em situações de rompimentos, quedas de energia ou intervenções de terceiros, as equipes atuam para reduzir impactos e evitar que a população fique sem abastecimento.
Além da água, o avanço do esgotamento sanitário é tratado como um dos principais desafios para os próximos anos.
Fábio lembrou que a Estação de Tratamento de Esgoto está em operação desde 2013 e recebeu investimentos importantes. Para o próximo ano, a meta é ampliar redes coletoras no município.
Adriano Backes afirmou que os projetos prontos para expansão do esgoto ultrapassam R$ 100 milhões. Segundo ele, o município busca recursos junto à Itaipu, ao Governo do Estado e a outras fontes para avançar gradualmente na cobertura.
O prefeito ressaltou que obras de saneamento exigem alto volume de recursos e, muitas vezes, não têm a mesma visibilidade de intervenções como asfaltamento.
Mesmo assim, afirmou que o município precisa avançar no esgoto para cumprir exigências ambientais, atender recomendações dos órgãos de controle e preparar Marechal Cândido Rondon para o futuro.
A intenção da administração é aportar recursos próprios do SAAE, buscar parcerias e deixar projetos estruturados para que os próximos gestores possam dar continuidade à expansão da rede.
Durante a entrevista, Backes também comentou a preocupação de municípios paranaenses com sistemas autônomos de água e esgoto diante de propostas que poderiam alterar a gestão dessas autarquias.
O prefeito afirmou que Marechal Cândido Rondon defenderá a manutenção do SAAE como estrutura municipal autônoma. Segundo ele, a autarquia é referência e tem condições de seguir sob gestão local.
Backes destacou que prefeitos de municípios com sistemas autônomos têm se articulado por meio de entidades regionais para defender a autonomia das estruturas que funcionam de forma eficiente.
Outro ponto destacado foi o trabalho de conscientização desenvolvido por meio do ProÁgua nas escolas.
Segundo o prefeito, a ação envolve crianças da rede municipal e busca formar cidadãos mais conscientes sobre o uso racional da água, a preservação dos mananciais e a importância do SAAE para o município.
Backes citou a participação de centenas de crianças no projeto Guardiões da Água e afirmou que o trabalho educativo ajuda a construir uma cultura de cuidado com os recursos hídricos.
Para Adriano Backes, o SAAE deixa como legado seis décadas de atendimento, organização e entrega de um serviço essencial à população, às empresas, ao comércio, às agroindústrias e ao interior do município.
Ele destacou que Marechal Cândido Rondon possui elevado índice de atendimento com água encanada, tanto na cidade quanto no interior, e que a autarquia tem papel direto no desenvolvimento econômico e na qualidade de vida.
Fábio Regelmeier também ressaltou que o trabalho do SAAE é coletivo e depende da integração entre população, administração pública e servidores.