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“Eu o amei”: Matheus Thim vive expectativa para ser ordenado padre

Natural de Maripá, futuro padre da Diocese de Toledo fala sobre família, chamado vocacional, formação no seminário, lema sacerdotal e preparação para a ordenação

Por: João Livi
05/08/2026 às 16h35 Atualizada em 05/08/2026 às 16h59
“Eu o amei”: Matheus Thim vive expectativa para ser ordenado padre
Diácono Matheus Thim será ordenado padre no dia 15 de agosto, às 9h30, no Centro de Eventos de Maripá, pela Diocese de Toledo.

A Diocese de Toledo viverá, no dia 15 de agosto, um momento especial com a ordenação presbiteral do diácono Matheus Thim. Natural de Maripá, ele será ordenado padre diocesano em celebração marcada para as 9h30, no Centro de Eventos de Maripá, dentro do âmbito da Paróquia Nossa Senhora de Fátima.

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, Matheus falou sobre sua história, sua família, a caminhada de fé, o processo de formação no seminário e a expectativa para a ordenação.

A celebração integra um período significativo para a Diocese de Toledo, que neste ano terá quatro novos padres. Para Matheus, os dias que antecedem a ordenação são marcados por alegria, preparação espiritual e gratidão.

Raízes em Maripá

Matheus Thim nasceu em Maripá, no ano 2000, e tem 25 anos. Filho de Vilson Thim e Neide Maria Mallmann Thim, cresceu no município, onde realizou sua formação escolar e também desenvolveu sua caminhada cristã.

Ele foi batizado pelo saudoso padre André Kásper e, depois, acompanhado pelo padre Lucas Schwartz, que teve papel importante em sua formação inicial na fé. Foi em Maripá que Matheus percorreu a catequese, fez a primeira comunhão e recebeu o sacramento da crisma.

O diácono também tem um irmão mais velho,  Alexandro Thim, casado com Jenifer Aline, e é tio e padrinho de Gabriel e Gael.

Caminhada no seminário

Em 2018, Matheus ingressou no seminário e iniciou um percurso formativo de oito anos. A preparação para o sacerdócio incluiu os estudos de Filosofia e Teologia, etapas fundamentais para a formação intelectual e pastoral de um padre.

Segundo ele, a Filosofia abre caminhos para o conhecimento, a razão, o raciocínio e a dimensão humana. Já a Teologia aprofunda as questões próprias da fé e prepara o seminarista para compreender e anunciar a mensagem cristã.

Matheus ressalta, porém, que a formação no seminário vai além das faculdades. O processo envolve acompanhamento pessoal, direção espiritual, vida comunitária, relações humanas e preparação pastoral para servir o povo de Deus na Diocese de Toledo.

Chamado construído aos poucos

O chamado vocacional, conforme relata Matheus, não surgiu de um único acontecimento, mas de vários sinais ao longo da vida. Desde criança, ele se sentia tocado pelo testemunho de duas tias de sua mãe, religiosas da Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã.

A alegria dessas religiosas despertou nele uma pergunta: como também poderia ser feliz daquela forma?

Mais tarde, outro testemunho marcou sua caminhada: o do padre Lucas Schwartz. A sabedoria, a calma e a paciência do sacerdote ficaram gravadas em sua memória e fortaleceram a inquietação vocacional.

Retiro marcou a decisão

Um dos momentos decisivos ocorreu durante um retiro de preparação para a primeira Eucaristia, no Seminário Santa Mônica, em Toledo, dos Freis Agostinianos Descalços. Ao ver jovens religiosos felizes, Matheus voltou para casa com uma pergunta: por que não ser padre?

Depois de um período de menor intensidade na caminhada vocacional, um convite de amigos para participar de um retiro em Maripá mudou sua perspectiva. Segundo ele, aquele encontro representou uma virada de 180 graus em sua vida.

A partir dali, passou a se envolver mais na comunidade, na pastoral da liturgia, na projeção de slides nas celebrações e na organização do grupo de jovens.

A escolha pelo seminário

A aproximação definitiva com o seminário ocorreu após o convite de um seminarista diocesano que realizava estágio pastoral na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Maripá.

Matheus participou dos encontros vocacionais, conheceu a casa de formação e se encantou com o ambiente. No mesmo período, precisava escolher um caminho acadêmico. Havia sido aprovado em Biologia, área pela qual também tinha interesse, mas as inquietações vocacionais permaneceram fortes.

Ele decidiu ingressar no seminário e cursar Filosofia, mesmo sem saber se aquela experiência seria definitiva. A escolha, segundo ele, foi vivida como uma oportunidade de discernimento.

Turma perseverou até o fim

Matheus entrou no seminário com outros dois colegas de turma. Diferente do que costuma ocorrer em muitos processos formativos, os três permaneceram até o final, e o grupo ainda recebeu a integração de outro seminarista ao longo da caminhada.

Para ele, essa perseverança foi sustentada pela oração, pela amizade, pelo apoio mútuo e pela vida espiritual.

O diácono reconhece que a caminhada teve dúvidas e dificuldades, mas afirma que sempre foi sustentado pelo amor de Deus e pelas orações das comunidades da Diocese de Toledo.

Amizades como sinais de Deus

Durante a formação, Matheus construiu amizades que considera sólidas. Ele reconhece que nenhuma relação é perfeita, mas afirma que o companheirismo foi sendo forjado nas dificuldades do dia a dia do seminário.

Para o diácono, as amizades são sinais da presença de Deus na caminhada. Muitas vezes, segundo ele, Deus se manifesta por meio das pessoas próximas, do apoio recebido e das relações que ajudam a sustentar a vocação.

Essa dimensão humana da formação foi fundamental para prepará-lo ao ministério sacerdotal.

“Eu o amei”

O lema escolhido por Matheus para sua ordenação é retirado do livro do profeta Oseias, capítulo 11, versículo 1: “Eu o amei.”

Segundo ele, a frase representa uma síntese de sua caminhada vocacional. O lema expressa a certeza de que o amor de Deus o criou, chamou, sustentou e agora o motiva a se entregar ao ministério sacerdotal.

Matheus afirma que deseja fazer desse lema um programa de ministério, ajudando outras pessoas a experimentarem o amor de Deus, serem restauradas e fortalecidas na fé.

Espiritualidade e serviço

Ao falar sobre sua espiritualidade, Matheus afirma que se sente próximo da espiritualidade inaciana, inspirada em Santo Inácio de Loyola. Essa espiritualidade valoriza o silêncio, a oração, o contato diário com a Palavra de Deus, o exame de consciência e a busca de fazer tudo para a maior glória de Deus.

Apesar dessa proximidade, ele ressalta que o padre é chamado a servir toda a Igreja e todo o povo de Deus, independentemente das diferentes espiritualidades presentes nas comunidades.

Para Matheus, a missão sacerdotal exige abertura, escuta e disposição para acompanhar diferentes realidades.

Alegria e seriedade

Duas características marcam a caminhada de Matheus: alegria e seriedade. Ele afirma que a alegria sempre foi algo buscado em sua vida e nasceu do testemunho de religiosos, freis, padres e comunidades que mostraram a beleza de doar a vida a Deus.

Para ele, a verdadeira alegria é fruto do encontro com Cristo e deve estar presente na vida de todo cristão.

A seriedade, por sua vez, nasce da responsabilidade da missão. Matheus afirma que anunciar a Palavra de Deus, orientar pessoas e acompanhar vidas exige compromisso, cuidado e consciência do peso de cada palavra dita no ministério.

Curiosidades pessoais

Além da vida religiosa, Matheus também tem forte interesse pela natureza. Ele gosta de plantas, animais e, de modo especial, de peixes e aquários.

Segundo ele, se não tivesse ingressado no seminário, uma das possibilidades de formação seria Biologia. O gosto pela natureza está ligado à forma como contempla a criação de Deus.

Matheus também gosta de leitura e música, elementos que fazem parte de sua vida pessoal e de sua formação humana.

Convite aos jovens

Para os jovens que sentem inquietação vocacional, Matheus deixa uma orientação: dar-se a oportunidade de viver uma experiência.

Ele afirma que o primeiro passo é procurar o padre da comunidade e manifestar esse desejo. A partir disso, o jovem poderá ser acompanhado, conhecer o seminário e participar dos encontros vocacionais realizados ao longo do ano.

Segundo o diácono, a experiência nunca será perda de tempo, pois toda caminhada de formação, oração e vida comunitária traz crescimento humano e espiritual.

Ordenação será em Maripá

A ordenação presbiteral de Matheus Thim será realizada no dia 15 de agosto, às 9h30, no Centro de Eventos de Maripá. A celebração ocorre no contexto da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, comunidade onde ele cresceu na fé.

Matheus convida familiares, amigos, fiéis da Diocese de Toledo e comunidades da região para participarem desse momento de oração e alegria.

Após a ordenação, a previsão é de que o novo padre siga trabalhando em Marechal Cândido Rondon durante o restante de 2026.

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