
O Programa Oeste em Desenvolvimento apresentou, em Marechal Cândido Rondon, sua ambição estratégica para o futuro da região. A pauta foi abordada durante encontro realizado na manhã desta terça-feira, dia 04 de agosto, na sede da Acimacar, reunindo lideranças, empresários, representantes de instituições e do poder público.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o vice-presidente do POD, Clédio Roberto Marschall, explicou que o objetivo é mobilizar o território em torno de uma estratégia de longo prazo: tornar o Oeste do Paraná líder global em produção de conhecimento e tecnologia agregados à cadeia da proteína até 2040.
Segundo ele, a região já é extremamente eficiente na produção de proteínas e se destaca nacionalmente pela força produtiva. O desafio, agora, é ir além do volume produzido e ampliar a geração de valor por meio de inovação, pesquisa, tecnologia e desenvolvimento de soluções próprias.
Clédio afirmou que o Oeste já é referência na produção de proteína, mas ainda importa parte das tecnologias utilizadas na cadeia, como equipamentos, medicamentos, diluentes, produtos de nutrição, estruturas laboratoriais e outras soluções técnicas.
A ambição do POD, conforme explicou, é fazer com que a região também produza conhecimento e tecnologia para sustentar sua própria cadeia produtiva e ampliar sua competitividade.
A estratégia busca transformar o território não apenas em referência na produção de proteína vegetal e animal, mas também em polo de inovação aplicada ao setor.
O Programa Oeste em Desenvolvimento é uma governança regional, sem fins lucrativos, formada por aproximadamente 60 instituições dos 54 municípios do Oeste do Paraná.
A estrutura reúne diferentes setores e atua por meio de oito câmaras técnicas, que discutem demandas urgentes e estratégicas do território.
Entre os temas trabalhados estão infraestrutura, rodovias, energia elétrica, sanidade, educação, empregabilidade e outras áreas fundamentais para o desenvolvimento regional.
Marschall explicou que as câmaras técnicas permitem tratar tanto questões imediatas quanto projetos de longo prazo. A câmara de sanidade, por exemplo, tem relação direta com a força da produção de proteínas no Oeste.
A câmara de educação é apontada como uma das bases para alcançar a ambição estratégica até 2040, pois a formação de pessoas, a pesquisa e a qualificação profissional serão fundamentais para transformar produção em conhecimento e tecnologia.
Segundo o vice-presidente, o POD trabalha para integrar universidades, parques tecnológicos, empresas, centros de pesquisa, poder público e setor produtivo em torno de uma mesma visão regional.
Marechal Cândido Rondon tem participação relevante dentro do POD. Entre os atores locais citados estão a Acimacar, que representa o setor empresarial, a Unioeste, considerada uma instituição estratégica para o território, e lideranças como Sérgio Marcucci, coordenador da Câmara Técnica da Empregabilidade.
Clédio ressaltou que o município está entre os principais do Paraná em valor bruto da produção agropecuária. Segundo ele, Marechal Cândido Rondon ocupa posição de destaque entre os maiores produtores de grãos e de produção agropecuária do Estado.
Para o vice-presidente, essa força produtiva torna o município peça importante na construção da estratégia regional ligada à cadeia da proteína.
Um dos desafios apontados por Clédio é mobilizar os 54 municípios do Oeste em torno da ambição regional. Segundo ele, o trabalho atual consiste em visitar cidades, conversar com prefeitos, setor privado e lideranças locais para apresentar a proposta e obter engajamento.
A receptividade, conforme afirmou, tem sido positiva. Nos municípios visitados, o POD tem encontrado adesão à ideia de fortalecer uma estratégia comum para o território.
A proposta é que decisões sobre novos cursos, projetos de pesquisa, mestrados, doutorados, trabalhos acadêmicos e iniciativas empresariais passem a dialogar com essa ambição regional.
Clédio destacou que universidades, professores, alunos e instituições de pesquisa terão papel central na construção do futuro do Oeste. A expectativa é que novos projetos acadêmicos estejam conectados às demandas da cadeia da proteína e da inovação.
Ao mesmo tempo, o POD busca atrair empresas âncoras para instalar centros de pesquisa, laboratórios e estruturas de inovação no território.
A ideia é utilizar o conhecimento das universidades e parques tecnológicos para gerar riqueza local, desenvolver soluções próprias e, futuramente, exportar também tecnologia e conhecimento.
As prefeituras são consideradas fundamentais para o avanço da estratégia. Clédio afirmou que a Amop, Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, representa os municípios no Conselho de Administração do POD e é uma grande articuladora regional.
Segundo ele, a união entre municípios, Amop, POD, setor produtivo e instituições é essencial para que as ações de desenvolvimento econômico sejam compartilhadas e alinhadas.
Com unidade regional, o Oeste pode fortalecer sua capacidade de planejamento e executar projetos voltados à ambição estratégica até 2040.
Ao falar da vocação regional, Clédio destacou que o Oeste é forte na transformação de proteína vegetal em proteína animal. Ele citou números que demonstram a relevância do território na produção de tilápia, suínos, frango, milho e soja.
Segundo ele, a região concentra cerca de 80% da tilápia produzida no Paraná e aproximadamente 70% da produção nacional. Também representa cerca de 65% da produção de suínos do Paraná e 70% da produção estadual de frango, além de participação expressiva na produção de milho e soja.
Para o vice-presidente do POD, esses indicadores mostram que a região já possui base produtiva consolidada e pode avançar ainda mais quando unir produção, tecnologia, inovação e conhecimento.
O Oeste já exporta proteína para mais de 150 países, conforme destacou Clédio. A próxima etapa, segundo ele, é agregar valor maior à produção, exportando também tecnologia e inovação.
A reunião em Marechal Cândido Rondon marcou mais uma etapa de disseminação da ambição estratégica do POD. O encontro reforçou a necessidade de cooperação regional, mobilização institucional e participação de lideranças públicas e privadas.
Para Clédio, o desenvolvimento do Oeste depende da união de forças em torno de um objetivo comum, com foco na produção de alimentos, geração de conhecimento e preparação do território para os desafios das próximas décadas.