
O Brasil abriga a maior diversidade de formigas do mundo, com 1.737 espécies e subespécies registradas até 2025. Esse universo é tema do livro Brazilian Myrmecology: Exploring the World’s Richest Ant Fauna, obra que reúne o estado atual das pesquisas sobre mirmecologia, área dedicada ao estudo das formigas.
A publicação conta com a participação de 144 cientistas, vinculados a 48 instituições, e foi organizada por Rodrigo Machado Feitosa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carla Rodrigues Ribas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Fernando Augusto Schmidt, da Universidade Federal do Acre (UFAC).
Inteligência coletiva
Entre os aspectos abordados pela obra está a capacidade de organização das formigas. Diferentemente de um comando centralizado, muitas decisões surgem da cooperação entre milhares de indivíduos, formando o que os pesquisadores chamam de inteligência coletiva.
Esse comportamento aparece em diferentes situações. No Pantanal, por exemplo, algumas espécies realizam migrações verticais durante períodos de inundação, transferindo colônias para partes mais altas das árvores até que as águas baixem.
Outras espécies compartilham trilhas, ninhos e estratégias de defesa, demonstrando formas complexas de cooperação e sobrevivência.
Inspiração para algoritmos
O comportamento das formigas também inspira pesquisas em inteligência artificial, logística e robótica. A forma como elas escolhem rotas, evitam congestionamentos e comunicam caminhos por feromônios e contato físico serviu de base para algoritmos capazes de organizar grandes volumes de informação e otimizar trajetos.
Em sistemas logísticos, modelos inspirados em formigas simulam diferentes rotas até encontrar caminhos mais eficientes, reduzindo tempo de deslocamento e consumo de recursos.
Aliadas do ambiente
Além da tecnologia, as formigas também têm importância ecológica. Elas dispersam sementes, reciclam nutrientes, modificam o solo, controlam populações de insetos e servem de alimento para diversos animais.
Por responderem rapidamente a mudanças ambientais, são consideradas bioindicadoras da qualidade dos ecossistemas. Alterações de temperatura e umidade podem afetar diretamente sua distribuição e abundância.
Preservação
A obra também chama atenção para os impactos das mudanças climáticas. Regiões mais quentes e secas podem favorecer espécies generalistas, enquanto formigas mais especializadas tendem a desaparecer de determinados ambientes, reduzindo a diversidade e afetando o equilíbrio ecológico.
Compreender esse comportamento ajuda a identificar áreas prioritárias para conservação e a antecipar efeitos sobre outros grupos de organismos.