Quinta, 09 de Julho de 2026
11°C 21°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Indústria empaca em maio, mas volta a contratar após dois meses de queda

Faturamento e horas trabalhadas ficaram praticamente parados, enquanto juros altos seguem pesando sobre crédito, demanda e investimentos, aponta a CNI

Por: João Livi Fonte: CNI
09/07/2026 às 09h50
Indústria empaca em maio, mas volta a contratar após dois meses de queda
Indicadores da CNI mostram indústria praticamente estável em maio, com leve reação no emprego e queda na renda do trabalhador industrial. (Foto: Magnific)

A indústria brasileira atravessou maio sem ganhar tração. O faturamento real avançou apenas 0,2% em relação a abril, enquanto as horas trabalhadas na produção ficaram estáveis. Os dados fazem parte dos Indicadores Industriais, divulgados nesta quarta-feira, 8 de julho, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O resultado mantém o faturamento no campo positivo pelo sétimo mês seguido, mas confirma a perda de ritmo. Em março, o indicador havia crescido 3,8%. Em abril, a alta foi de 0,5%. Em maio, praticamente não saiu do lugar.

No acumulado de janeiro a maio, o faturamento da indústria de transformação está 2,7% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

As horas trabalhadas também mostram um setor mais frio. Depois de um primeiro trimestre positivo, o indicador passou a oscilar no segundo trimestre. Em abril, caiu 1,3%. Em maio, ficou estável. Nos cinco primeiros meses do ano, o total de horas trabalhadas está 1,6% menor do que no mesmo intervalo do ano passado.

A utilização da capacidade instalada teve leve melhora, passando de 77,1% em abril para 77,5% em maio. Ainda assim, na média dos cinco primeiros meses de 2026, o uso do parque fabril está 0,9 ponto percentual abaixo do observado no mesmo período de 2025.

Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, os números reforçam o ambiente desfavorável enfrentado pelo setor produtivo.

“A retração da atividade industrial nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, reforça o ambiente desfavorável no qual o setor produtivo se encontra, com a política monetária exercendo um papel relevante no encarecimento do crédito, no aumento do endividamento, na desaceleração da demanda e no desestímulo à aquisição de máquinas e equipamentos”, afirma.

Emprego reage, mas renda cai

O ponto positivo do levantamento veio do emprego industrial, que cresceu 0,5% em maio, interrompendo uma sequência de duas quedas consecutivas. Apesar da reação, o número de postos de trabalho no setor acumula recuo de 0,6% nos cinco primeiros meses de 2026.

Já os indicadores de renda tiveram queda no mês. A massa salarial recuou 3,2% em maio, embora ainda acumule alta de 0,8% no ano. O rendimento médio caiu 3,3% no mês, mas mantém avanço de 1,4% entre janeiro e maio.

Na leitura geral, os dados mostram uma indústria que resiste, mas ainda opera em ritmo baixo, pressionada por crédito caro, demanda mais fraca e menor disposição para investir.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários