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Norte deve liderar crescimento econômico do Brasil em 2026 e 2027

Estudo do Santander projeta avanço do PIB regional acima da média nacional, impulsionado por mineração, agropecuária, expansão da fronteira agrícola e mercado de trabalho aquecido

Por: João Livi Fonte: Santander
17/06/2026 às 08h24 Atualizada em 17/06/2026 às 08h54
Norte deve liderar crescimento econômico do Brasil em 2026 e 2027
Atividade agropecuária do Pará deve contribuir para o avanço econômico da região Norte, segundo estudo do Santander. (Foto: Bruno Cecin/Agência Pará)

A região Norte deve voltar a ocupar posição de destaque no crescimento econômico brasileiro em 2026 e 2027, segundo estudo realizado pelo banco Santander. A projeção indica avanço de 3% no Produto Interno Bruto (PIB) regional neste ano e de 2,4% no próximo.

Se confirmados, os índices ficarão acima da previsão do banco para a economia brasileira no mesmo período. Para o país, o Santander estima crescimento de 1,8% em 2026 e de 1% em 2027.

A última vez em que o Norte liderou a expansão econômica nacional foi em 2024, conforme estimativa do Santander. Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desempenho dos Estados estão disponíveis até 2023.

Mineração e agropecuária puxam avanço

O estudo aponta que a economia dos Estados do Norte deve ser favorecida por uma combinação de fatores, especialmente a força da indústria extrativa, o bom momento do agronegócio e o desempenho do mercado de trabalho.

De acordo com Gabriel Couto, economista do Santander responsável pelo estudo, anos em que a região Norte cresce abaixo da média nacional são mais exceção do que regra. Ele observa que regiões com economias menores tendem a apresentar taxas maiores de crescimento ao longo do tempo.

Entre os vetores de expansão, o economista destaca a indústria extrativa do Pará e a agropecuária, com expansão da fronteira agrícola e aumento da área plantada.

Safra recorde reforça participação regional

A mais recente estimativa do IBGE para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas aponta que o Norte deve responder por 6,1% de uma nova safra recorde prevista para o Brasil.

A produção nacional deve somar 350,4 milhões de toneladas, segundo a projeção. Dentro da região Norte, o Tocantins concentra a maior participação, com expectativa de responder sozinho por 2,4% da produção brasileira.

O avanço da agropecuária ajuda a fortalecer a base econômica regional e contribui para sustentar a expansão acima da média nacional.

Pará concentra investimentos em mineração

No setor extrativista, os números do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) indicam a força do Pará na atração de investimentos para os próximos anos.

Segundo a entidade, o Estado aparece atrás apenas de Minas Gerais como principal destino de projetos de mineração. Para o período de 2026 a 2030, a estimativa é de que o Pará receba quase US$ 14,661 bilhões em investimentos, o equivalente a 19,1% do total esperado para o país.

Minas Gerais lidera a projeção, com US$ 19,675 bilhões previstos no mesmo período.

Para Aline Nunes, gerente de Assuntos Minerários do Ibram, o crescimento da mineração na região Norte pode atuar como um dos impulsionadores do avanço econômico previsto. Considerando toda a região, a estimativa é de participação próxima de 30% nos investimentos projetados para o Brasil.

Centro-Oeste segue acima da média

Embora deva perder a liderança para o Norte, o Centro-Oeste deve continuar crescendo acima da média nacional. A previsão do Santander é de alta de 2,3% no PIB regional em 2026.

No ano passado, o Centro-Oeste foi a região que mais cresceu no país, impulsionado pela supersafra. O PIB de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, somados, deve ter avançado 4,8%.

A agropecuária segue como força importante para a região, com tendência de manutenção de níveis razoáveis de crescimento e maior capacidade de proteção diante de riscos climáticos.

Sul deve ter menor crescimento

Na outra ponta, a região Sul deve registrar o menor crescimento econômico entre as regiões em 2026, segundo a projeção do Santander.

O banco estima avanço de 1,4% no PIB regional neste ano e de 1% em 2027. A avaliação considera que o Sul foi beneficiado pela safra recorde no ano passado, mas enfrenta riscos associados a problemas climáticos e possíveis impactos na produção.

O estudo também aponta que o Sudeste, com crescimento previsto de 1,7%, e o Nordeste, com 1,6%, devem ficar abaixo da média nacional em 2026.

Desaceleração atinge regiões maiores

No caso do Sudeste, a projeção reflete a semelhança da estrutura econômica regional com o agregado do país. A região tende a acompanhar a desaceleração mais cíclica da economia brasileira, em ambiente ainda marcado por condições financeiras mais apertadas.

Já o desempenho do Nordeste também deve permanecer abaixo da média nacional, de acordo com as estimativas apresentadas pelo banco.

O levantamento reforça a diferença de ritmo entre as regiões brasileiras e indica que mineração, agropecuária e expansão produtiva devem manter o Norte em posição de destaque no cenário econômico nacional nos próximos dois anos.

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