
O juramento é a comprovação de que existe mentira no mundo. Se o ser humano não fosse capaz de mentir, não haveria necessidade de juramento.
Embora seja um obstáculo para a mentira, o juramento pode até estimular os mentirosos, pois na reivindicação de ser a última instância da verdade, confirma a possibilidade de haver espaço para a mentira, ou seja, a mentira obtém certo direito de existir.
A lei do Antigo Testamento recusa a mentira por meio do juramento. Jesus, por sua vez, recusa a mentira proibindo o juramento. Num e noutro caso, trata-se de encontrar um meio para a destruição total da mentira na vida dos creem.
O juramento, que no Antigo Testamento era usado para combater a mentira, tornou-se refém da própria mentira e passou a servir ao mentiroso. Por meio do juramento, a mentira estabelece seu direito de existir.
De seu modo, portanto, Jesus aprisiona a mentira no lugar mesmo onde ela se esconde, isto é, atrás do juramento. O juramento deve desaparecer, pois se tornou proteção da mentira.
O ataque da mentira contra o juramento podia ter êxito de duas maneiras. Primeiro, por meio do próprio juramento tornando-se falso testemunho. Segundo, disfarçando-se na forma de juramento, isto é, não como invocação pública do nome de Deus vivo, mas de algum outro poder mundano ou divino.
Neste caso, porque a mentira se infiltrou profundamente no juramento, só a proibição do juramento garante a verdade total.
Adaptado por T. H. Vanderlinde da obra “Discipulado” do teólogo Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Bonhoeffer foi martirizado pelo regime nazista alemão em 1945. O livro foi inspirado no sermão que Jesus proferido no Monte das Bem-Aventuranças.
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