
A segurança do processo eleitoral brasileiro é o tema do 5º episódio do programa “Eleições sem dúvidas”, com a participação de Fábio Gealh, chefe do Cartório Eleitoral de Marechal Cândido Rondon. A entrevista aborda, de forma didática, os mecanismos técnicos e institucionais que garantem a integridade da votação, a fiscalização das urnas eletrônicas e a importância de combater informações falsas durante o período eleitoral.
Logo no início do episódio, Fábio Gealh chama a atenção para a velocidade com que informações circulam em grupos de WhatsApp, redes sociais e conversas informais. Segundo ele, dúvidas sobre o processo eleitoral devem ser tratadas com seriedade, mas sempre a partir de informações técnicas e verificáveis.
O chefe do Cartório Eleitoral reforça que a Justiça Eleitoral, neste contexto, deve ser compreendida como o órgão técnico responsável pela organização e administração das eleições. Ele diferencia esse trabalho institucional de debates políticos envolvendo ministros, tribunais ou decisões judiciais específicas.
Durante a entrevista, Fábio Gealh destaca que a urna eletrônica foi inserida em debates políticos, muitas vezes sem base técnica. Para ele, questionamentos são legítimos, desde que feitos com responsabilidade, conhecimento e disposição para compreender os mecanismos de funcionamento do sistema.
“Vamos questionar, debater aquilo que gera dúvida, mas com informações técnicas. Nada de burburinho, de coisas que querem só gerar polêmica e corte sensacionalista”, afirma.
A observação serve como ponto de partida para o episódio, que busca explicar ao eleitor como funciona a segurança das eleições, desde a preparação das urnas até a totalização dos votos.
Fábio Gealh explica que a segurança das eleições não se limita à urna eletrônica. O conceito envolve todo o processo eleitoral, incluindo registro de candidaturas, organização da votação, identificação do eleitor, funcionamento das seções, transmissão dos dados, fiscalização por partidos, atuação do Ministério Público e acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil.
Segundo ele, a segurança também está presente na identificação biométrica do eleitor e nos procedimentos adotados antes, durante e depois da votação.
“O sistema eleitoral brasileiro é considerado seguro, sim. Isso eu falo sem nenhuma dúvida”, declara.
Um dos pontos explicados no episódio é que a urna eletrônica não possui conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth. O equipamento também não funciona como um computador comum, pois utiliza um sistema operacional exclusivo, desenvolvido para a Justiça Eleitoral.
Fábio Gealh detalha que apenas programas autorizados e assinados digitalmente pela Justiça Eleitoral podem funcionar na urna. Essa assinatura digital atua como mecanismo de autenticação, impedindo a execução de sistemas não reconhecidos.
Além disso, a ausência de conexão externa elimina a possibilidade de interferência remota. Conforme explicado no programa, a urna permanece configurada para funcionar apenas com os sistemas lacrados e previamente validados.
O episódio também aborda o código-fonte da urna eletrônica, frequentemente citado em debates públicos. Fábio Gealh explica que o código-fonte é disponibilizado com antecedência para fiscalização por entidades habilitadas.
Segundo ele, o processo de verificação começa cerca de um ano antes da eleição, com a participação de instituições como OAB, Congresso Nacional, TCU, Exército e entidades técnicas. O sistema pode ser analisado, auditado e aperfeiçoado até o período de lacração.
A etapa seguinte é a cerimônia de lacre dos sistemas eleitorais e dos programas que serão utilizados na eleição. Depois disso, o conteúdo fica registrado, assinado digitalmente e bloqueado contra alterações.
Após o lacre digital dos sistemas, cada cartório eleitoral realiza a carga e lacração física das urnas. Nesse processo, os equipamentos recebem os dados correspondentes à seção eleitoral em que serão utilizados.
A cerimônia é pública e conta com convocação do Ministério Público, partidos políticos, OAB e demais interessados. Segundo Fábio Gealh, representantes podem acompanhar a configuração, solicitar verificações e conferir se a urna está com os programas assinados corretamente.
Depois da preparação, são colocados lacres físicos nos compartimentos da urna. Esses lacres permitem verificar se houve qualquer tentativa de violação entre a configuração do equipamento e o dia da votação.
Outro mecanismo explicado no programa é a emissão da zerésima, documento impresso antes do início da votação que demonstra que a urna não possui votos registrados. A zerésima é fixada na seção eleitoral e pode ser conferida pelos eleitores.
Ao final da votação, é emitido o boletim de urna, com a quantidade de votos recebidos por cada candidato naquela seção. O documento é impresso em várias vias, entregue aos fiscais presentes e também afixado no local.
O boletim de urna possui QR Code e permite que partidos, fiscais, imprensa e qualquer cidadão confiram se os resultados divulgados correspondem aos dados impressos na própria seção eleitoral.
Fábio Gealh também explica que a urna registra os votos por meio do Registro Digital do Voto (RDV), sem identificar a ordem em que cada eleitor votou. O registro ocorre de forma aleatória, sem vincular o voto à sequência de comparecimento dos eleitores.
Com isso, mesmo em uma hipótese de acesso indevido aos dados, não seria possível identificar em quem determinada pessoa votou. Segundo ele, o sistema possui várias camadas de proteção e foi desenvolvido para preservar o sigilo e a integridade da votação.
O chefe do Cartório Eleitoral também menciona auditorias como a votação paralela, realizada com urnas sorteadas e submetidas a testes acompanhados e registrados. Segundo a explicação apresentada, esse procedimento permite comparar votos registrados em ambiente controlado com o resultado emitido pela urna.
O episódio reforça a importância da presença dos fiscais de partidos e coligações durante a votação. Eles podem acompanhar o funcionamento das seções, verificar procedimentos, observar a emissão dos documentos e acompanhar etapas posteriores, como o encaminhamento das mídias de resultado.
Fábio Gealh explica que a urna não permite que alguém vote em seção diferente daquela em que está habilitado. Além disso, o processo envolve mesários, conferência biométrica e fiscalização presencial.
O programa destaca que a segurança das eleições depende de um conjunto de procedimentos técnicos, institucionais e humanos. Por isso, a participação de partidos, entidades fiscalizadoras e cidadãos interessados é parte essencial da transparência do processo.
O 5º episódio de “Eleições sem dúvidas” apresenta a segurança das eleições como um tema central para fortalecer a confiança do eleitor. A proposta é oferecer informação oficial, acessível e objetiva sobre o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro.
Com explicações sobre urna eletrônica, código-fonte, lacração, zerésima, boletim de urna, fiscalização e combate à desinformação, o programa busca contribuir para que a população compreenda melhor as etapas que envolvem o voto.
A série “Eleições sem dúvidas” é apresentada como um espaço de orientação pública, com informações oficiais para eleitores de Marechal Cândido Rondon e região.