
Abril de 2026 terminou com comportamento climático acima das médias históricas em grande parte do Paraná, segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Entre as 42 estações meteorológicas com mais de cinco anos de operação e funcionamento integral durante o mês, 29 registraram volumes de chuva acima da média histórica para o período.
Outras 13 estações ficaram abaixo ou muito próximas da média de chuva esperada para abril. O mês também foi marcado por temperaturas elevadas: dez estações tiveram médias mais de 1°C acima do histórico, enquanto as demais ficaram dentro da média ou ligeiramente acima.
O comportamento das chuvas seguiu o regime previsto pelo Simepar. O Estado enfrentou vários dias consecutivos sem precipitação e, quando a chuva chegou, os volumes foram expressivos o suficiente para fazer grande parte das estações superar a média mensal.
De acordo com o coordenador de operações do Simepar, Marco Jusevicius, o cenário foi provocado por um bloqueio atmosférico associado a uma circulação de grande escala, que impediu a passagem de frentes frias pelo Paraná durante praticamente todo o mês.
“Esse cenário foi provocado por um bloqueio atmosférico associado a uma circulação de grande escala, e que impediu passagens de frentes frias pelo Paraná. Essa condição persistiu praticamente durante todo o mês”, explicou.
A mudança no padrão ocorreu apenas nos últimos dias de abril. Entre os dias 26 e 30, a chegada de uma frente fria combinada com a atuação de um cavado meteorológico alterou o tempo no Estado, provocando chuva forte, queda de temperatura e até geadas no extremo sul paranaense.
Entre os maiores volumes registrados no mês, Antonina teve 140,8 mm acumulados no dia 5. Em Cruzeiro do Iguaçu, choveu 103,8 mm no dia 26.
No dia 29, os acumulados superaram 100 mm em várias localidades: Toledo registrou 140 mm, Cruzeiro do Iguaçu 129,4 mm, Laranjeiras do Sul 111,2 mm e o Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, 106,6 mm.
Em todas essas estações, abril registrou o maior volume acumulado de chuva em um único dia de 2026 até o momento.
A chuva mais expressiva veio depois de longos períodos de estiagem em diversas regiões. Em Santo Antônio da Platina, havia chovido mais de 10 mm em apenas um dia somente no primeiro dia do ano.
Em Curitiba, não havia registro de mais de 10 mm em um único dia desde 15 de fevereiro. Em Irati, o mesmo volume não ocorria desde 26 de fevereiro. Em Pinhais, desde 12 de março. Já no Distrito de Horizonte, em Palmas, não chovia mais de 10 mm em um dia desde 17 de março.
Todas essas estações voltaram a registrar precipitações mais significativas nos últimos dias de abril, quando a frente fria rompeu o padrão de bloqueio atmosférico.
As chuvas vieram acompanhadas de outros fenômenos meteorológicos. No dia 19 de abril, uma nuvem funil foi observada em Cascavel.
Também houve registro de ventos fortes. No dia 7, rajadas ultrapassaram os 60 km/h em cidades como Planalto, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Nova Prata do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Santa Maria do Oeste, Londrina e Apucarana.
A rajada mais intensa foi registrada em Santa Maria do Oeste, às 20h do dia 7, quando os ventos chegaram a 80 km/h.
As temperaturas médias ficaram pouco mais de 1°C acima da média histórica em estações localizadas em Antonina, Capanema, Campo Mourão, Cruzeiro do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guaíra, Guaratuba, Paranaguá, Paranavaí e Pinhais.
A maior temperatura registrada pelo Simepar em abril foi em Capanema, às 16h do dia 4, com 36,8°C. O dia 5 concentrou a maior quantidade de máximas elevadas no mês.
Já a menor temperatura do mês, e também a menor de 2026 até o momento entre as estações do Simepar, foi registrada em Palmas, às 6h do dia 28, com 3,9°C.
No dia 28, além de Palmas, municípios como Mariópolis, General Carneiro e Clevelândia registraram geada fraca.
Na mesma data, diversas estações tiveram as menores temperaturas de 2026 até o momento, incluindo Antonina, Assis Chateaubriand, Capanema, Cambará, Campo Mourão, Cascavel, Cerro Azul, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, General Carneiro, Guaíra, Guarapuava, Guaratuba, Laranjeiras do Sul, Loanda, Palmas, Paranaguá, Pato Branco, Pinhão, Ponta Grossa, Nova Prata do Iguaçu, Santa Helena, São Miguel do Iguaçu, Toledo, Umuarama e União da Vitória.
Curitiba também registrou, no dia 28, sua tarde mais fria do ano até o momento, com máxima de 17°C.
Ficaram abaixo ou muito próximas da média histórica de chuva para abril as estações de Altônia, Curitiba, Francisco Beltrão, Guaíra, Guaratuba, Maringá, Palmas, Palotina, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais e Umuarama.
Entre as estações com chuva acima da média, os maiores volumes mensais foram registrados em Cruzeiro do Iguaçu, com 346,8 mm; Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, com 313,8 mm; Guaraqueçaba, com 312,6 mm; Laranjeiras do Sul, com 261 mm; Antonina, com 257,2 mm; Toledo, com 245,8 mm; Santa Helena, com 241,4 mm; Ponta Grossa, com 234 mm; e Capanema, com 230,6 mm.
O balanço mostra que abril foi um mês de contrastes no Paraná, combinando bloqueio atmosférico, longos intervalos sem chuva, temporais concentrados, temperaturas acima da média e entrada de frio mais forte nos últimos dias.