
A decisão de não comparecer às eleições e optar pelo pagamento da multa pode ter um efeito contrário ao que muitos eleitores imaginam. É o que alerta o chefe do Cartório Eleitoral da 121ª Zona Eleitoral, sediada em Marechal Cândido Rondon, Fábio Geahl.
Segundo ele, o valor arrecadado com multas por ausência nas urnas não é destinado à estrutura da Justiça Eleitoral, mas sim repassado integralmente aos partidos políticos.
Percepção equivocada do eleitor
De acordo com Geahl, é comum que parte dos eleitores adote o discurso de que prefere pagar a multa por não se identificar com partidos ou candidatos. No entanto, essa escolha acaba contribuindo diretamente para o financiamento das próprias siglas.
“Muitas vezes a pessoa diz que não vai votar porque não gosta da política, dos partidos, e prefere pagar a multa. Mas, na prática, esse valor vai justamente para os partidos políticos”, explica.
Valores que se tornam expressivos
Embora a multa individual seja considerada baixa, o montante arrecadado ganha proporções significativas quando somado ao número de eleitores que deixam de votar em todo o país.
Segundo o chefe do cartório eleitoral, trata-se de um volume financeiro milionário, que reforça os recursos das legendas partidárias. “Pode parecer pouco individualmente, mas quando somamos milhões de eleitores nessa situação, o valor é muito alto. É um recurso que fortalece o caixa dos partidos”, destaca.
Destino dos recursos
Fábio Geahl explica que já houve discussões sobre a possibilidade de direcionar esses valores para a estrutura do Judiciário Eleitoral, mas a proposta não avançou. Atualmente, a legislação mantém o repasse integral às agremiações partidárias.
O processo de distribuição segue critérios definidos em lei, garantindo que os recursos sejam incorporados ao financiamento das atividades políticas.
Reflexão sobre o papel do eleitor
Diante desse cenário, o chefe do cartório reforça a importância da participação do eleitor no processo democrático. Para ele, deixar de votar não significa afastamento da política - ao contrário, pode representar uma forma indireta de contribuição ao sistema partidário.
A orientação é que o eleitor avalie seu papel no processo eleitoral e compreenda os impactos de suas decisões, inclusive quando opta pela ausência nas urnas.
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