
Em meio ao avanço da obesidade no Brasil, o município de Urupês, no interior de São Paulo, tornou-se referência ao implantar uma iniciativa inédita: a oferta gratuita do medicamento tirzepatida pelo sistema público de saúde para pacientes com obesidade.
O programa foi iniciado no final de fevereiro e posiciona a cidade como a primeira do estado de São Paulo a disponibilizar o tratamento pelo SUS local, ampliando o acesso a uma das terapias mais modernas disponíveis atualmente.
Diferente de ações isoladas, o modelo adotado por Urupês é baseado em um protocolo clínico rigoroso, que inclui acompanhamento por equipe multidisciplinar formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.
A previsão é que cerca de 200 pacientes sejam atendidos de forma escalonada, garantindo monitoramento contínuo e segurança no tratamento.
O público-alvo inicial são pacientes em situação de vulnerabilidade social e que já aguardam na fila para cirurgia bariátrica, ou seja, casos mais avançados da doença.
Para participar, os pacientes precisam atender a critérios clínicos específicos, como:
IMC elevado (acima de 30 ou 35, conforme comorbidades)
Presença de doenças associadas
Tentativa prévia de tratamento sem uso de medicamentos por pelo menos seis meses
O município também estabeleceu regras claras: o uso da tirzepatida não é permitido para fins estéticos, sendo restrito a pacientes que realmente necessitam do tratamento.
Mesmo aqueles que não se enquadram no uso do medicamento continuam sendo acompanhados com orientação alimentar, atividade física e suporte psicológico, reforçando que o enfrentamento da obesidade exige uma abordagem completa.
A tirzepatida é um medicamento injetável que atua em hormônios ligados à saciedade e ao metabolismo. Inicialmente indicada para diabetes tipo 2, passou a ser utilizada também no tratamento da obesidade.
Estudos clínicos mostram resultados relevantes, com perda de peso que pode chegar a até 20% do peso corporal, além de melhora no controle glicêmico e em indicadores metabólicos.
Apesar disso, o medicamento ainda não é amplamente acessível, já que segue sob patente e não possui versão genérica, mantendo custo elevado na rede privada.
A iniciativa de Urupês ganha ainda mais relevância diante do cenário atual. No próprio município, dados do Sisvan apontam que 43% da população apresenta algum grau de sobrepeso.
No Brasil, o problema é ainda maior: mais de 60% dos adultos estão acima do peso, o que aumenta significativamente o risco de doenças crônicas e pressiona o sistema público de saúde.
Ao incorporar uma terapia moderna dentro de um protocolo estruturado e com critérios técnicos bem definidos, Urupês demonstra que é possível inovar na gestão pública da saúde.
A experiência pode servir como referência para outros municípios, especialmente no debate sobre a ampliação do acesso a tratamentos mais eficazes para a obesidade.
Especialistas reforçam que a perda de peso vai muito além da estética. Reduções de apenas 5% a 10% do peso corporal já trazem benefícios importantes, como:
Controle da pressão arterial
Redução do risco cardiovascular
Melhora do diabetes
Aumento da qualidade de vida
No entanto, o tratamento deve sempre envolver mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional.
A experiência de Urupês reforça uma nova perspectiva: combater a obesidade exige não apenas conscientização, mas também acesso a ferramentas eficazes, especialmente para quem mais precisa.