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Toffoli se declara suspeito e deixa relatoria de ação sobre CPI do Banco Master

Ministro do STF alegou “foro íntimo” e foi substituído por André Mendonça na análise do pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg

Por: João Livi
11/03/2026 às 18h29
Toffoli se declara suspeito e deixa relatoria de ação sobre CPI do Banco Master
Ministro do STF Dias Toffoli alegou “foro íntimo” e deixou relatoria de ação que pede CPI para investigar o Banco Master. (Foto: Divulgação)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito nesta quarta-feira (11) para relatar a ação que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master.

O magistrado havia sido sorteado relator do processo no mesmo dia, mas poucas horas depois informou que não conduziria o caso. A justificativa apresentada foi de “foro íntimo”, situação prevista na legislação quando o juiz entende haver circunstâncias pessoais que possam comprometer sua imparcialidade.

Com a decisão, a relatoria do processo foi transferida ao ministro André Mendonça.

Suspeição pode ocorrer por relação pessoal

A suspeição ocorre quando o magistrado reconhece que possui relações pessoais ou possíveis conflitos envolvendo pessoas citadas na investigação.

No despacho de sete páginas, Toffoli citou o artigo 145 do Código de Processo Civil, que prevê a possibilidade de afastamento quando o juiz seja “amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados”.

Apesar disso, o ministro afirmou que não existe impedimento para sua atuação em outros processos ligados ao caso.

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Foram definitivamente afastadas, por decisão transitada em julgado, quaisquer hipóteses de suspeição ou de impedimento da minha atuação nos processos da chamada Operação Compliance Zero”, registrou o magistrado, conforme despacho citado pelo Estadão.

Caso envolve investigação sobre o Banco Master

O pedido analisado pelo Supremo foi apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar solicita que o STF determine à Câmara dos Deputados a instalação da CPI para investigar suspeitas envolvendo negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília.

Na petição enviada ao Supremo, Rollemberg argumenta que há omissão da presidência da Câmara em instalar a comissão de investigação.

Segundo ele, a demora pode gerar impactos negativos para o sistema financeiro.

A prolongada inércia na investigação de graves fraudes financeiras, como as que envolvem o Banco Master e o BRB, pode causar danos irreparáveis ao sistema financeiro, à confiança dos investidores e à própria imagem da fiscalização parlamentar”, afirmou o deputado na ação.

Pedido afirma que CPI atende requisitos constitucionais

O parlamentar sustenta que o pedido de instalação da CPI já cumpre todas as exigências previstas na Constituição.

De acordo com Rollemberg, o requerimento foi protocolado em 2 de fevereiro com 201 assinaturas de deputados, número superior ao mínimo exigido para abertura de uma comissão parlamentar de inquérito.

Além disso, o documento indicaria fato determinado a ser investigado e estabelece prazo para a apuração.

Para o deputado, portanto, a criação da CPI seria um ato obrigatório da presidência da Câmara.

“A gravidade dos fatos a serem investigados pela CPI é de proporções alarmantes”, declarou Rollemberg, conforme citado pelo Estadão.

Pedido também questiona decisão da presidência da Câmara

Segundo a petição, o presidente da Câmara, Hugo Motta, teria afirmado que não poderia instalar a comissão porque haveria uma fila de requerimentos de CPIs aguardando análise.

Rollemberg contesta esse argumento e afirma que o regimento interno da Câmara apenas limita a cinco CPIs em funcionamento simultaneamente, sem prever ordem de prioridade entre pedidos.

O deputado também afirma que, mesmo após mais de 30 dias do protocolo do requerimento, o pedido ainda não teria sido lido em plenário nem registrado oficialmente no sistema da Câmara.

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