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Tragédia das Águas de Março impulsionou modernização da Defesa Civil no Paraná

Quinze anos após desastre que atingiu o Litoral, Estado ampliou monitoramento, sistemas de alerta e ações de prevenção

Por: João Livi Fonte: Assessoria
11/03/2026 às 09h48
Tragédia das Águas de Março impulsionou modernização da Defesa Civil no Paraná
Chuvas intensas de março de 2011 provocaram deslizamentos e enchentes no Litoral do Paraná, episódio que impulsionou mudanças na atuação da Defesa Civil estadual. (Foto: Defesa Civil Estadual))

O desastre conhecido como Águas de Março, ocorrido em 2011 no Litoral do Paraná, tornou-se um marco para a transformação das estratégias de prevenção e resposta a desastres naturais no estado. A partir da tragédia, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) passou a implementar novas ferramentas de monitoramento, sistemas de alerta e protocolos voltados à mitigação de riscos.

As chuvas intensas registradas entre os dias 10 e 11 de março daquele ano provocaram enxurradas, enchentes e mais de 2.500 deslizamentos de terra, atingindo principalmente os municípios de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaratuba. O episódio deixou milhares de pessoas afetadas e alterou profundamente a paisagem da região.

Ao todo, 10.761 pessoas ficaram desalojadas e outras 2.500 perderam suas moradias. Durante as operações de resgate, 816 moradores precisaram ser retirados de áreas isoladas, em ações realizadas por equipes terrestres e com apoio de aeronaves.

Novos sistemas e monitoramento permanente

Após o desastre, o Governo do Paraná iniciou um processo de modernização das ferramentas utilizadas pela Defesa Civil. Entre as principais iniciativas está o Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC), que centraliza informações sobre ocorrências, planos de contingência e ações de resposta.

Por meio do sistema, os 399 municípios paranaenses registram e atualizam anualmente seus planos de contingência, incluindo mapeamento de áreas de risco, definição de rotas de evacuação e indicação de locais destinados a abrigos em situações emergenciais.

Criado inicialmente como banco de dados sobre desastres naturais, o SISDC foi aperfeiçoado ao longo dos anos e hoje reúne registros de eventos ocorridos no Paraná desde a década de 1980, incluindo informações sobre número de pessoas atingidas, feridos, óbitos e danos estruturais.

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Em 2015, a ferramenta recebeu reconhecimento internacional ao ser premiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres.

Centro de gerenciamento e alertas à população

Outra estrutura implantada após o episódio foi o Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CEGERD), inaugurado em 2017. A unidade permite o acompanhamento em tempo real, 24 horas por dia, das condições meteorológicas em todo o território paranaense.

O Paraná também se destacou ao implementar sistemas de alerta direto à população. O estado foi pioneiro no envio de mensagens de aviso por telefone celular para moradores cadastrados em áreas de risco.

Atualmente, os alertas podem ser enviados por SMS, WhatsApp, Telegram e também por meio de transmissões em televisão. Além disso, a tecnologia Cell Broadcast já foi utilizada mais de 130 vezes para informar a população sobre riscos iminentes.

Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, as mudanças ocorreram a partir das lições deixadas pela tragédia.

"Da dor que vivemos em 2011 procuramos evoluir e modernizar os sistemas de monitoramento e alerta, criando protocolos mais ágeis. Hoje temos condições de avisar a população por mensagens no celular, o que ajuda a reduzir os impactos de eventos extremos".

Investimentos em prevenção

Outra ferramenta criada para fortalecer a prevenção é o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), responsável por financiar obras de prevenção e ações de reconstrução em municípios atingidos por desastres.

De acordo com a Defesa Civil, desde a criação do fundo em 2023 já foram destinados R$ 88 milhões para 145 municípios do Paraná.

Além dos investimentos financeiros, o Estado também ampliou a integração entre órgãos técnicos, institutos de pesquisa e equipes municipais de Defesa Civil, fortalecendo o compartilhamento de dados e o planejamento de ações preventivas.

Tragédia que marcou o Litoral

O episódio das Águas de Março permanece como uma das maiores tragédias climáticas da história do Paraná. Durante o período mais crítico, comunidades inteiras ficaram isoladas e dependeram de resgates realizados por helicópteros.

Em Morretes, um morro inteiro deslizou. Rodovias estratégicas também foram afetadas, com pontes da BR-277 destruídas pela força das enxurradas e quedas de barreiras na BR-376 que impediram o acesso terrestre ao Litoral.

Após o desastre, foi realizado um amplo mapeamento de cerca de 2 mil quilômetros quadrados da região, levantamento que até hoje orienta as ações de monitoramento e gestão de riscos conduzidas pela Defesa Civil.

 

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