
Dois dias após receber a aplicação experimental de polilaminina, o paciente João Luiz Miqueline, de 70 anos, iniciou o processo de reabilitação no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, unidade especializada em reabilitação localizada na capital paranaense.
Morador de Colombo, ele havia recebido o composto dois dias antes no Hospital do Trabalhador. O procedimento foi realizado após o paciente sofrer um acidente doméstico em dezembro, quando caiu de aproximadamente três metros de altura e fraturou a coluna.
Atualmente internado na unidade de reabilitação, o paciente recebe atendimento multidisciplinar, com acompanhamento de diferentes áreas da saúde.
De acordo com o secretário estadual da Saúde do Paraná, Beto Preto, o hospital oferece suporte completo para a recuperação do paciente.
“O Hospital de Reabilitação oferece atendimento integral, não apenas em fisioterapia, mas em um cuidado global, fundamental para uma recuperação plena”, afirmou.
Segundo o médico ortopedista Bruno Bodanese, a equipe está mobilizada para garantir todos os recursos disponíveis durante a fase inicial de tratamento.
O plano inicial prevê cerca de duas semanas de reabilitação intensiva, com atendimento de uma equipe formada por profissionais de diversas especialidades, incluindo:
fisioterapia motora
fisioterapia pélvica
fisioterapia aquática
terapia ocupacional
nutrição
psicologia
Após esse período, o paciente deverá continuar o tratamento em regime ambulatorial.
Já na primeira sessão de fisioterapia, o paciente surpreendeu a equipe médica ao conseguir ficar em pé com auxílio de barras paralelas, demonstrando grande determinação durante o processo de recuperação.
Segundo ele, a fisioterapia é essencial para potencializar os efeitos do tratamento.
“Quando fiz a aplicação, o médico disse que, se eu não fizesse fisioterapia, não adiantaria o procedimento. Sou muito grato a todos os profissionais que estão me dando essa oportunidade”, afirmou.
A polilaminina é um composto experimental brasileiro derivado da laminina, proteína presente na placenta. A substância foi desenvolvida para estimular a regeneração de nervos após lesões na medula espinhal, funcionando como uma espécie de “andaime biológico” que facilita o crescimento e a reconexão das fibras nervosas.
Apesar do potencial terapêutico, o composto ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso amplo.
Nesta semana, o médico neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf apresentou os avanços da pesquisa ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, no Palácio Iguaçu.
Participaram também da apresentação a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento do estudo, e Rogério Almeida, empresa que produz o composto.
O governo estadual manifestou apoio logístico ao projeto, incluindo suporte para transporte do medicamento e treinamento de médicos para futuras aplicações dentro da chamada janela terapêutica de 72 horas após a lesão.
Segundo o governador, a pesquisa pode representar um avanço significativo na medicina regenerativa.