
A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, desenvolveu a polilaminina, composto que vem sendo apontado como avanço relevante no campo da biomedicina e da regeneração celular. A inovação amplia perspectivas científicas voltadas à reparação de tecidos e ao tratamento de lesões do sistema nervoso, projetando a pesquisa nacional em um campo estratégico da saúde.
A laminina é uma proteína essencial da matriz extracelular, responsável por processos como adesão, diferenciação e sobrevivência celular. Com base nesse conhecimento, a polilaminina foi estruturada a partir de uma reorganização molecular da proteína original.
O objetivo científico foi ampliar sua capacidade de interação com células, criando uma matriz com maior potencial de suporte à regeneração tecidual.
Estudos experimentais indicam que a polilaminina pode contribuir em frentes como:
Regeneração neural
Reparação de tecidos lesionados
Engenharia de tecidos
Estudos sobre doenças neurodegenerativas
A estrutura desenvolvida funciona como base biotecnológica para novos protocolos experimentais, especialmente em áreas onde há limitação terapêutica consolidada.
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa autorizou o início dos estudos clínicos de Fase 1. Essa etapa é destinada à avaliação da segurança do composto em pacientes com lesões medulares.
A autorização marca a passagem do ambiente experimental para a aplicação em humanos sob rigor regulatório.
Os estudos concentram-se em pacientes com lesões medulares agudas, preferencialmente até 72 horas após o trauma. A aplicação é feita cirurgicamente no local da lesão.
A estratégia busca atuar na fase inicial da resposta inflamatória e da degeneração celular, considerada determinante para o prognóstico funcional.
O Laboratório Cristália é parceiro no desenvolvimento e detém a patente do processo de formulação. A cooperação entre universidade e indústria viabiliza padronização, produção controlada e cumprimento das exigências técnicas para registro futuro.
Os ensaios clínicos de Fase 1 estão em andamento.
A etapa atual tem como prioridade a análise de segurança, eventos adversos e tolerabilidade. Após relatos de óbitos de pacientes que receberam o tratamento por via judicial, o laboratório informou que as mortes não tiveram relação com a polilaminina, mas com a gravidade clínica dos casos.
A investigação de causalidade é parte obrigatória dos protocolos clínicos.
Diante da gravidade das lesões medulares e da ausência de terapias plenamente eficazes, foi mencionada a possibilidade de solicitar uso provisório (chamado uso compassivo) antes da conclusão da Fase 3.
O mecanismo é previsto para situações em que há condição grave sem alternativa terapêutica estabelecida.
O desenvolvimento da polilaminina foi marcado por quase duas décadas de pesquisa. A pesquisadora relatou que cortes orçamentários impactaram a manutenção de patentes internacionais da tecnologia.
Apesar das limitações estruturais, o projeto alcançou a etapa regulatória.
Se as próximas fases clínicas avançarem conforme o cronograma previsto, a estimativa é que a polilaminina possa ser comercializada entre 2027 e 2028.
O avanço posiciona a ciência brasileira em estágio relevante no cenário da medicina regenerativa e amplia o debate sobre investimento contínuo em pesquisa, inovação e transferência tecnológica.