
A indústria brasileira de estruturas pré-fabricadas de concreto inicia 2026 com expectativas positivas. Levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas, a pedido da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto, aponta que mais de 70% das empresas associadas projetam crescimento no volume de produção neste ano. A maioria estima expansão de até 10%.
O índice supera a previsão registrada para 2025, quando cerca de 65% das empresas indicavam expectativa de alta.
O avanço é impulsionado principalmente pelo setor de infraestrutura, beneficiado por concessões e Parcerias Público-Privadas. Segundo a sondagem, a área respondeu por 19% da participação de mercado em 2023 e 15% em 2024.
Em 2024, a indústria e os centros de distribuição e logística lideraram a demanda, com 28% e 18% de participação, respectivamente. O segmento habitacional avançou para 5%, enquanto varejo (14%) e edifícios comerciais (13%) também figuraram entre os principais mercados.
O volume de produção de pré-fabricados superou 716 mil metros cúbicos em 2024. As vendas cresceram 9,6% em relação a 2023, alcançando mais de 880 mil metros cúbicos.
O setor também registrou expansão no emprego. O número de trabalhadores aumentou 10,5%, totalizando 8.560 postos. Os dados integram o Caderno de Dados Setoriais Abcic 2026.
O desempenho acompanha o crescimento do PIB da construção civil, que avançou 4,4% em 2024, sustentado pelo aquecimento do mercado imobiliário e pelos investimentos em infraestrutura.
A sondagem destaca avanços em inovação e sustentabilidade. O uso do Ultra High Performance Concrete (UHPC) passou de 10% das empresas em 2023 para 14% em 2024. Outras 56% informaram estar em fase de estudos para implementação.
Já o concreto autoadensável foi produzido por 78% das empresas no ano passado.
Em 2024, as indústrias consumiram 293,6 mil toneladas de cimento e 75,4 mil toneladas de aço. O setor avalia que a adoção de concretos de melhor desempenho é estratégica para manter competitividade e contribuir para metas de neutralidade de carbono.
A pesquisa foi coordenada pela economista Ana Maria Castelo e elaborada pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV entre outubro e novembro de 2025, com revisão técnica da Abcic.