
O Paraná deu um passo decisivo no enfrentamento da brucelose e da tuberculose bovina com a publicação de uma nova portaria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A medida endurece as regras de trânsito de bovinos e búfalos oriundos de propriedades com ocorrência confirmada dessas doenças infecciosas, consideradas risco direto à produção pecuária e à saúde pública.
A Portaria nº 013/2026 determina que propriedades enquadradas nesses critérios não podem movimentar animais vivos, exceto para abate imediato, até a conclusão total do saneamento sanitário. A liberação só ocorre após o cumprimento integral dos trâmites, incluindo resultados negativos em todos os animais elegíveis.
A norma veta qualquer forma de transferência de animais vivos dessas propriedades, mesmo quando exames individuais apresentem resultado negativo. O objetivo é eliminar o risco de disseminação silenciosa das doenças, que podem não ser detectadas em fases iniciais ou apresentar falsos-negativos.
Segundo a Adapar, a medida busca impedir que rebanhos saudáveis sejam contaminados por aquisições realizadas em propriedades ainda em processo de saneamento, quando testes usuais podem não captar a infecção.
A brucelose e a tuberculose bovina são enfermidades que, muitas vezes, não apresentam sinais clínicos evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce. Além disso, fatores como manejo, estresse animal e condições técnicas podem influenciar a execução dos exames. Diante desse cenário, o controle rigoroso do trânsito passa a ser uma estratégia preventiva central.
Além das restrições, a Adapar reforça ações contínuas de educação sanitária junto a produtores e profissionais do setor. Outro eixo estratégico é o avanço da rastreabilidade, com identificação individual dos animais, alinhada às normas estaduais vigentes desde 2020, que vêm sendo aprimoradas no combate às enfermidades.
Em 2025, as ações de prevenção, controle e combate às doenças tiveram impacto direto nos indicadores sanitários do Estado. Houve queda de 17% nos focos de brucelose bovina em comparação com 2024. Já os focos de tuberculose bovina registraram aumento de 4,5%, reflexo de maior detecção e do fortalecimento da vigilância, o que orienta o planejamento de novas medidas de controle.
As ações são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa), estrutura responsável por garantir a sanidade dos rebanhos paranaenses.
As enfermidades têm relevância estratégica para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, na qual o Paraná ocupa posição de destaque nacional. O reforço das regras sanitárias protege o consumo de alimentos, amplia a segurança da população e preserva a competitividade do setor agropecuário.