
A solenidade da Epifania do Senhor marcou, na manhã desta terça-feira (6), o encerramento oficial do Jubileu da Esperança, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A celebração foi presidida pelo Papa Leão XIV, que destacou o significado espiritual do Ano Santo e convocou os fiéis a permanecerem “peregrinos de esperança” mesmo após o término do Jubileu.
A cerimônia teve início com o rito do fechamento da Porta Santa, por onde passaram mais de 33 milhões de peregrinos ao longo do período jubilar, iniciado em 24 de dezembro de 2024. Na Basílica de São Pedro, cerca de 5.800 fiéis participaram presencialmente da Missa, enquanto outros 10 mil acompanharam a celebração por telões instalados na Praça São Pedro.
Na homilia, o Papa refletiu sobre o simbolismo da Porta Santa como passagem espiritual para uma vida renovada. Segundo ele, o fluxo intenso de peregrinos ao longo do Jubileu revela uma busca espiritual profunda, muitas vezes maior do que se imagina. O Pontífice questionou como a Igreja acolheu essas pessoas e que experiência elas encontraram ao atravessar a soleira do templo.
Para Leão XIV, a Epifania recorda que, na presença de Deus, nada permanece igual. O encerramento do Ano Santo não representa um fim, mas o início de uma responsabilidade maior: fazer com que os lugares sagrados continuem sendo sinais vivos de esperança, capazes de indicar que um “outro mundo” já começou.
Ao recordar a passagem dos Magos, o Papa ressaltou que a pergunta “Onde está o rei que acaba de nascer?” continua atual. Ele afirmou que quem entra em uma igreja deve perceber que ali há vida, acolhimento e uma comunidade em movimento. O Jubileu, segundo o Pontífice, veio lembrar que sempre é possível recomeçar e que Deus continua a agir na história, envolvendo pessoas de todas as idades e condições em suas obras de misericórdia e justiça.
Leão XIV alertou ainda para os riscos de uma sociedade que transforma tudo em produto, inclusive a busca humana por sentido. Amar a paz e protegê-la, afirmou, exige cuidado com aquilo que é frágil e nascente, como a vida simbolizada no Menino Jesus, centro da celebração da Epifania.
O Papa destacou que o Reino de Deus cresce de forma silenciosa, mas constante, e que cabe aos cristãos resistirem às tentações do poder, da violência e da indiferença. Para ele, o verdadeiro legado do Jubileu será medido pela capacidade das comunidades cristãs de continuarem abertas, acolhedoras e comprometidas com a dignidade humana.
Na conclusão da celebração, Leão XIV afirmou que a fidelidade de Deus continuará a surpreender a humanidade. Ele ressaltou que, se as igrejas não se tornarem apenas monumentos, mas permanecerem como casas vivas, a Igreja poderá ser sinal de uma nova aurora. Ao encerrar sua mensagem, confiou o caminho futuro à intercessão de Maria, apresentada como Estrela da Manhã que guia o povo de Deus.
O fechamento da Porta Santa encerra o Jubileu da Esperança, mas reafirma o convite feito pelo Papa: continuar a caminhada, juntos, como peregrinos que transformam a fé em compromisso concreto com a vida, a paz e a reconciliação.