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Toledo e Ibiporã desafiam mitos e provam que inovação pública cabe no orçamento no FIIL 2025

Municípios revelam que estratégia, articulação e coragem pesam mais que recursos na hora de inovar

Por: João Livi Fonte: Sebrae/PR
29/11/2025 às 09h52
Toledo e Ibiporã desafiam mitos e provam que inovação pública cabe no orçamento no FIIL 2025
Painel no FIIL 2025 destaca como Toledo e Ibiporã transformam inovação pública em prática concreta. (Foto: Divulgação)

O segundo dia do Festival Internacional de Inovação de Londrina (FIIL 2025) escancarou uma realidade que há muito ronda os bastidores da gestão pública: não é o tamanho da cidade nem a abundância de recursos que determina a capacidade de inovar, e sim organização, estratégia e vontade política. O painel “Descomplicando Políticas Públicas de Inovação” colocou Toledo e Ibiporã como exemplos vivos de que é possível modernizar o setor público com instrumentos acessíveis e planejamento sólido.

A mediação ficou a cargo da advogada Renata Queiroz, especialista em GovTech, que abriu a conversa atacando frases comuns nos corredores do poder público, como “se o governo não atrapalhar, já ajuda” e “inovação é só para cidade grande”. Para ela, essas máximas não passam de mitos desacreditados pela prática. “Os municípios podem, sim, fomentar inovação - e podem fazer isso com ferramentas simples e eficazes”, afirmou.

Toledo vira referência com o CPSI
A diretora-executiva de Inovação de Toledo, Tatiany Barbieri, apresentou a trajetória do município na implantação das Compras Públicas de Soluções Inovadoras (CPSI), mecanismo que se tornou referência estadual. Ela lembrou que, antes da regulamentação, em 2021, o processo era completamente engessado: só era possível comprar produtos e serviços totalmente definidos, sem margem para risco tecnológico.

O ponto de virada começou com um grande diagnóstico interno. As secretarias municipais identificaram 14 demandas, das quais 12 envolviam tecnologia. Após avaliar a viabilidade, cinco chegaram à fase final - e apenas uma avançou para o edital, respeitando o fator que, segundo Tatiany, é decisivo: o orçamento disponível.

A articulação interna despontou como peça-chave. “Se jurídico, compras e secretarias não entendem seus papéis, tudo trava”, pontuou. Mesmo sem modelos prontos, como o Catalisa Gov, Toledo elaborou o edital do zero, recebeu oito inscrições de startups e selecionou uma solução para a prova de conceito (POC).

A POC mostrou que a solução não atendia à necessidade real - e, graças ao formato da CPSI, o município pôde encerrar o processo sem prejuízos. “Em um modelo tradicional, estaríamos presos a um contrato. Aqui, tivemos liberdade. Isso revoluciona o setor público”, explicou Tatiany. Ela destacou que o edital precisa prever duração de até 12 meses, renováveis por mais 12, e possibilidade de contratação posterior de até cinco vezes o valor investido na prova.

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Ibiporã destaca a força da organização e da cultura interna
Na sequência, o prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira, reforçou que inovação não nasce de atos isolados, mas de processos contínuos. Para ele, a mudança cultural dentro da gestão é tão decisiva quanto qualquer instrumento jurídico. “Quando a equipe deixa de ver inovação como risco e passa a enxergar como oportunidade, tudo se transforma”, afirmou.

Ferreira destacou que a experiência de Toledo demonstra que cidades de médio porte também podem inovar. “O que falta muitas vezes não é dinheiro, e sim decisão política e capacidade de articulação”, disse. Ele também defendeu que municípios trabalhem juntos, fortalecendo o desenvolvimento territorial. “Se uma cidade avança, todo o território avança”.

Inovação como escolha, não privilégio
Encerrando o painel, a mediadora Renata Queiroz reforçou que não são necessárias estruturas complexas para implantar inovação, apenas vontade de executar. O debate mostrou que, quando municípios se organizam e compartilham experiências, conseguem construir políticas mais eficientes, econômicas e adaptadas às suas realidades - independentemente de tamanho ou orçamento.

Sobre o FIIL 2025
Promovido pela Estação 43, com correalização do Sebrae/PR e da Abratic, o festival reúne especialistas, gestores e empreendedores em dois dias intensos de debates e conexões. O evento conta com apoio das secretarias estaduais de Inovação e Inteligência Artificial (Seia), Turismo (Setu), Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária.

 

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