A inflação oficial do Brasil iniciou 2025 em desaceleração e registrou 0,16% em janeiro, o menor índice para o mês desde a implantação do Plano Real, em 1994. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal fator que contribuiu para o resultado foi a redução expressiva nas tarifas de energia elétrica, impulsionada pelo Bônus Itaipu, que beneficiou milhões de consumidores.
Apesar do arrefecimento, a inflação acumulada em 12 meses segue acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), alcançando 4,56%. O objetivo do governo é manter a taxa em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
A grande protagonista da desaceleração foi a conta de luz, que teve redução de 14,21% em janeiro, resultado do desconto concedido pelo Bônus Itaipu a aproximadamente 78 milhões de consumidores. O impacto no índice foi significativo, com redução de 0,55 ponto percentual no IPCA do mês.
Com isso, o grupo "Habitação", que inclui a energia elétrica, teve retração de 3,08%, contribuindo fortemente para o resultado final. Essa queda nos preços foi a maior desde fevereiro de 2013, quando as tarifas energéticas haviam recuado 15,17%.
Se por um lado a conta de luz ajudou a segurar o índice, por outro, os aumentos em transportes e alimentos pressionaram a inflação para cima. O setor de transportes registrou alta de 1,3%, puxada pelo aumento nas passagens aéreas (10,42%) e nas tarifas de ônibus urbanos (3,84%), que tiveram reajustes em sete das 16 regiões pesquisadas pelo IBGE.
Os alimentos também mantiveram uma sequência de altas, subindo 0,96% em janeiro. Produtos essenciais tiveram aumentos expressivos, como o tomate (20,27%), cenoura (36,14%) e café moído (8,56%). Somente os alimentos contribuíram com um impacto de 0,21 ponto percentual no IPCA.
Mesmo com o alívio pontual, o acumulado em 12 meses mostra que a inflação segue resistente. Com 4,56% no período, o indicador permanece ligeiramente acima do teto da meta definida pelo CMN. A nova regra de avaliação, que considera a média dos últimos 12 meses em vez do fechamento anual, estabelece que o governo só será considerado fora da meta caso a inflação ultrapasse o limite de tolerância por seis meses consecutivos.
O IPCA reflete o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e é calculado com base na coleta de preços em diversas regiões metropolitanas e capitais. Em janeiro, o índice de difusão indicou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços. Em dezembro, essa taxa havia sido de 69%.