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Três em cada quatro empresários industriais brasileiros apontam o transporte como o principal gargalo de infraestrutura do País. O resultado integra uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira (5), com executivos de 2.500 empresas de médio e grande portes, nas 27 unidades da Federação.
O levantamento também revela a dependência do setor em relação às estradas: 98% das empresas entrevistadas utilizam rodovias para escoar a produção. Entre as que recorrem ao modal, 23% transportam mercadorias por distâncias superiores a 1.600 quilômetros.
Os dados fazem parte da publicação Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, que reúne o diagnóstico dos empresários, propostas nacionais e 500 intervenções prioritárias identificadas pelas federações estaduais das indústrias.
As condições da infraestrutura são percebidas de maneira diferente conforme o segmento. Os aeroportos receberam avaliações positivas de 64% dos entrevistados, seguidos pelas telecomunicações, com 62%, e pela energia elétrica, com 60%.
Na outra ponta, apenas 21% classificaram as ferrovias como boas ou ótimas. Hidrovias tiveram aprovação de 27%, enquanto as rodovias alcançaram 38%.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, as deficiências têm impacto direto na atividade produtiva. “São gargalos que encarecem a produção, ampliam o Custo Brasil e comprometem a competitividade da indústria brasileira”, afirmou.
| Infraestrutura | Avaliação boa ou ótima |
|---|---|
| Aeroportos | 64% |
| Telecomunicações | 62% |
| Energia elétrica | 60% |
| Saneamento básico | 48% |
| Portos | 44% |
| Rodovias | 38% |
| Hidrovias | 27% |
| Ferrovias | 21% |
Entre os empresários que utilizam rodovias, 45% aceitariam transferir pelo menos parte das cargas para outros modais, caso houvesse infraestrutura adequada. Nesse grupo, 67% indicaram as ferrovias como alternativa, 21% o transporte aéreo e 12% o aquaviário.
A redução de custos foi mencionada por 82% dos executivos como motivo para uma eventual mudança. Também foram citadas a redução de sinistros nas estradas, por 43%; a diminuição das emissões, por 33%; e a menor incidência de roubos de cargas, por 26%.
A CNI defende maior integração logística, com uso prioritário de caminhões em trajetos curtos e médios e participação de ferrovias, hidrovias e cabotagem nos percursos mais longos.
A conta de energia foi considerada alta ou muito alta por 81% dos entrevistados. No transporte, 75% fizeram a mesma avaliação sobre os custos.
Segundo a pesquisa, 91% dos executivos perceberam aumento das despesas logísticas nos últimos dez anos. Para 70%, a elevação foi expressiva e provocou perda de competitividade.
O especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, avalia que os efeitos alcançam toda a cadeia produtiva. O encarecimento da energia e do transporte pressiona matérias-primas, fabricação e distribuição, podendo repercutir nos preços pagos pelos consumidores.
A entidade destaca que ampliar a participação privada, isoladamente, não resolve os problemas de infraestrutura. No setor ferroviário, embora concessionárias privadas respondam por 99% da malha, persistem trechos sem operação ou com baixa utilização.
Segundo o superintendente de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, dos aproximadamente 30 mil quilômetros da rede brasileira, cerca de 12 mil estão sem operação. Entre as prioridades apontadas estão novas obras, acesso à malha, disponibilidade de capacidade e integração entre as operações.
Para a CNI, o enfrentamento dos gargalos exige investimentos públicos e privados, estabilidade regulatória e planejamento que considere as necessidades de cada região. As 500 intervenções reunidas no documento abrangem transportes, energia, saneamento e telecomunicações.
O estudo foi realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com entrevistas a executivos de empresas industriais de médio e grande portes em todo o Brasil. A margem de erro informada é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.