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Um material de baixo valor comercial da produção de seda ganhou uma nova aplicação em pesquisa desenvolvida na rede estadual de ensino. Gustavo Bachmann, do Centro Estadual de Educação Profissional do Sudoeste do Paraná, em Francisco Beltrão, criou um revestimento biodegradável para sementes utilizando uma proteína do bicho-da-seda.
A proposta emprega a fibroína, extraída de fios produzidos pelo inseto, para formar uma película protetora sobre sementes, como as de soja. O objetivo é desenvolver uma alternativa aos tratamentos químicos convencionais, com potencial para favorecer a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas.
“O meu principal objetivo com o projeto foi valorizar a fibroína do bicho-da-seda, que não tem muito valor agregado para os produtores de seda, e também ajudar os produtores de produtos orgânicos”, explicou Gustavo.
O trabalho utiliza a fibroína da anafaia, formada pelos fios que o bicho-da-seda produz no início da construção do casulo. Segundo a professora coordenadora do projeto, Lydiane Damaceno Carvalho Franchin, esses fios são desalinhados e costumam ser considerados resíduos, embora também tenham aproveitamento na indústria têxtil.
Na pesquisa, a fibroína é utilizada como camada protetora, enquanto a sericina contribui para a sustentação da estrutura. O estudo também contempla a associação com nisina, substância de origem natural com propriedades antimicrobianas.
Após a extração e o preparo, o material é aplicado às sementes. Com a secagem, forma uma película cuja função é auxiliar na proteção durante a germinação.
De acordo com o estudante, um dos testes foi realizado em solo salino. Nessa condição, o revestimento biológico apresentou germinação mais eficaz na comparação com o tratamento químico utilizado no experimento.
Outro teste envolveu solo com bactérias e fungos. Segundo Gustavo, a película ajudou a proteger as sementes contra a ação desses microrganismos. O estudante também relatou vantagem no desenvolvimento inicial das plantas.
Os resultados descritos indicam potencial para a tecnologia nas condições avaliadas. O material divulgado, porém, não apresenta percentuais de desempenho nem informa disponibilidade comercial do revestimento.
O aproveitamento da anafaia aproxima o projeto da economia circular, ao buscar uma aplicação agrícola para um material proveniente de outra cadeia produtiva.
Segundo os dados divulgados, o Paraná responde por aproximadamente 85% da produção nacional de seda. A sericicultura é desenvolvida majoritariamente por agricultores familiares e está presente em 137 municípios paranaenses.
Em 2025, a atividade alcançou Valor Bruto da Produção de R$ 34,57 milhões no Estado, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral). A pesquisa busca agregar valor a essa matéria-prima e ampliar suas possibilidades de utilização no campo.