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O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) chegou a 88% de execução da estrutura do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), em Curitiba. Com inauguração prevista até o fim de 2026, a unidade deverá produzir insumos utilizados na identificação de brucelose, tuberculose e leucose bovina.
A fábrica terá 3 mil metros quadrados e previsão de produção de 40 milhões de doses de insumos por ano. A entrega da estrutura, porém, não representa o início imediato do abastecimento: o fornecimento regular dependerá da conclusão das etapas técnicas e regulatórias e do registro dos produtos.
O empreendimento recebeu R$ 58,9 milhões para construção e aquisição de equipamentos. Os recursos são do Fundo Paraná, administrado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e integram os R$ 151 milhões destinados ao Tecpar em 2026 para 22 projetos de saúde e inovação.
Localizado no câmpus CIC do Tecpar, o centro terá estrutura de Nível de Biossegurança 3 (NB-3), com protocolos de contenção e proteção biológica. Nesta fase, os trabalhos se concentram na instalação dos equipamentos, na verificação do funcionamento das instalações, na aquisição de insumos e no treinamento dos profissionais.
Segundo a gerente do CIV, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo, a expectativa é produzir os lotes-piloto e obter os registros dos produtos no segundo semestre de 2027.
Essa etapa incluirá a produção e a validação dos lotes iniciais de antígeno acidificado tamponado e de tuberculinas bovina e aviária, utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose bovina.
Para o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a unidade deverá ampliar a participação do Paraná no fornecimento nacional de insumos veterinários e apoiar o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal.
Conforme o instituto, mais de 70% dos antígenos utilizados no diagnóstico da brucelose bovina são atualmente importados. Paralelamente à construção da fábrica, o Tecpar desenvolve uma pesquisa sobre o cultivo de cepas da bactéria Brucella spp., com foco na ampliação da escala produtiva do insumo.
O projeto recebeu R$ 5,6 milhões para aquisição de equipamentos. A proposta é desenvolver a produção nacional e aprimorar os métodos utilizados no diagnóstico e no controle da doença.
Outra pesquisa busca desenvolver, validar e registrar um teste nacional para diagnóstico da leucose enzoótica bovina. O estudo é conduzido em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
Com investimento de R$ 400 mil, o trabalho prevê a produção de um kit baseado no método Elisa, sigla para Ensaio de Imunoabsorção Enzimática. A intenção é que o Tecpar passe a fabricar e comercializar o teste após a conclusão do desenvolvimento e das exigências de registro.