Meio Ambiente Saneamento
SAAE pesquisa tratamento de esgoto em imóveis sem rede coletora
Levantamento abrange áreas urbanas e rurais de Marechal Cândido Rondon e busca identificar soluções individuais, riscos ambientais e necessidades de investimentos
14/10/2026 18h04
Por: João Livi
Ana Paula Scherer e Fábio Alexandre Regelmeier explicaram a pesquisa realizada pelo SAAE para identificar os sistemas individuais de tratamento de esgoto em Marechal Cândido Rondon.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Marechal Cândido Rondon está realizando uma pesquisa para identificar como moradores e estabelecimentos comerciais fazem o tratamento de esgoto nos imóveis que ainda não possuem acesso à rede pública de coleta. O levantamento abrange a cidade, os distritos e as comunidades rurais, com o objetivo de conhecer as condições dos sistemas individuais utilizados no município.

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o diretor do SAAE, Fábio Alexandre Regelmeier, e Ana Paula Scherer, responsável pelo setor de estatística da autarquia, explicaram que a pesquisa atende a exigências regulatórias e servirá como instrumento para orientar investimentos, identificar situações de risco ambiental e ampliar os indicadores municipais de saneamento.

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Atualmente, aproximadamente 40% dos usuários possuem rede coletora de esgoto disponível em frente aos imóveis, embora nem todos tenham realizado a ligação. Os demais utilizam soluções individuais, como fossas sépticas, sumidouros e sistemas rudimentares, cuja situação será identificada pelo levantamento.

Pesquisa em todo o município

Segundo Fábio Alexandre Regelmeier, o SAAE iniciou a coleta de informações há alguns dias, e os usuários poderão ser contatados por servidores identificados, telefone ou WhatsApp, conforme os dados disponíveis no cadastro da autarquia.

A pesquisa é destinada exclusivamente aos imóveis que não possuem rede coletora de esgoto disponível. Durante o atendimento, os moradores deverão informar qual sistema utilizam, como foi construído e de que maneira ocorre o tratamento dos efluentes.

O diretor explicou que os dados também permitirão identificar regiões que necessitam de maior atenção e orientar os usuários sobre possíveis adequações, especialmente em situações nas quais o tratamento individual não atende aos parâmetros exigidos.

Levantamento não é fiscalização

Ana Paula Scherer ressaltou que a pesquisa não tem finalidade fiscalizatória. O objetivo é levantar informações sobre as condições de saneamento e atender às exigências do órgão regulador, além de subsidiar o planejamento dos futuros investimentos.

Os moradores poderão responder diretamente aos servidores durante as visitas ou receber o formulário por WhatsApp. Quem tiver dificuldade para preenchê-lo poderá contar com atendimento por telefone ou pelo próprio aplicativo de mensagens.

Ana explicou que o levantamento também ajudará a esclarecer dúvidas sobre os sistemas de tratamento existentes, especialmente porque muitos usuários não conseguem diferenciar uma fossa séptica de uma estrutura rudimentar.

Diferença entre as fossas

Entre os sistemas que serão identificados estão as fossas rudimentares, popularmente conhecidas como poços negros, e as fossas sépticas associadas a estruturas de disposição dos efluentes, como os sumidouros.

A fossa rudimentar é uma escavação destinada ao recebimento de esgoto, sem as etapas adequadas de tratamento. Já a fossa séptica é uma estrutura projetada para promover tratamento preliminar, com separação e retenção de parte dos resíduos antes da destinação do efluente.

Ana explicou que a Prefeitura estabelece exigências técnicas para novas construções, e os projetos precisam atender às determinações do Plano Diretor e às avaliações dos profissionais responsáveis.

Riscos ao lençol freático

Fábio também chamou atenção para uma prática registrada ao longo da história do município: a transformação de antigos poços de abastecimento de água em fossas.

Segundo ele, muitos desses poços, conhecidos como cacimbas, foram abandonados após a implantação do abastecimento coletivo e passaram a receber esgoto doméstico.

O diretor alertou que essas estruturas podem representar risco de contaminação do lençol freático, especialmente quando os efluentes são lançados diretamente no solo, sem tratamento adequado.

Investimentos superiores a R$ 140 milhões

Um dos maiores desafios do SAAE está na expansão da rede coletora de esgoto.

Segundo Fábio Alexandre Regelmeier, os investimentos necessários para ampliar a estrutura ultrapassam R$ 140 milhões, valor que está além da capacidade financeira imediata da autarquia.

O diretor informou que o orçamento estimado do SAAE para o próximo ano é de R$ 39,28 milhões, considerando todas as atividades e responsabilidades da instituição.

Busca de recursos externos

Diante da necessidade de investimentos, o SAAE busca alternativas de financiamento junto aos governos estadual e federal.

Fábio informou que projetos já foram encaminhados a órgãos estaduais, incluindo o Instituto Água e Terra (IAT), na tentativa de viabilizar recursos para ampliar a capacidade de coleta e tratamento de esgoto.

Enquanto a rede pública não chega a todas as regiões, os sistemas individuais corretamente projetados e operados podem contribuir para melhorar as condições sanitárias e ambientais do município.

Metas nacionais para 2033

O Marco Legal do Saneamento estabelece metas de universalização até 2033, incluindo atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Segundo Fábio, uma das finalidades da pesquisa é identificar sistemas individuais adequados que possam contribuir para os indicadores de atendimento, conforme os critérios técnicos e regulatórios aplicáveis.

A expectativa apresentada pelo diretor é que o levantamento permita identificar uma cobertura próxima de 70%, considerando a rede pública e as soluções individuais que atendam aos requisitos técnicos. Ele avalia que esse resultado poderá ajudar o município no planejamento das ações necessárias para avançar em direção às metas nacionais.

Melhorias nas lagoas de tratamento

O diretor também apresentou investimentos realizados na estrutura de tratamento coletivo, especialmente nas lagoas localizadas na região norte da cidade.

Segundo ele, as instalações iniciaram suas operações em 2013 e passaram recentemente por intervenções para melhorar o funcionamento.

Entre as ações citadas estão investimentos próximos de R$ 1 milhão no sistema de aeração das lagoas e a implantação de estrutura para recebimento de efluentes transportados por caminhões limpa-fossa.

Atendimento aos sistemas individuais

A melhoria permitirá avançar no recebimento e tratamento dos resíduos retirados de fossas particulares, serviço considerado importante para a manutenção dos sistemas individuais.

Fábio explicou que o município já possui uma forma de recebimento desses materiais, mas trabalha para adequar a estrutura às condições técnicas necessárias.

Ele também destacou que a autarquia acompanha a qualidade da água, os níveis e as vazões dos poços utilizados no abastecimento municipal.

Participação dos moradores

Ao final da entrevista, Fábio Alexandre Regelmeier e Ana Paula Scherer reforçaram a importância da colaboração dos usuários que forem procurados pelo SAAE.

As informações permitirão compreender melhor a realidade do tratamento de esgoto em Marechal Cândido Rondon, identificar áreas prioritárias e planejar investimentos com base em dados atualizados.

O levantamento será utilizado pela autarquia para subsidiar decisões sobre saneamento, proteção dos recursos hídricos e melhoria das condições ambientais e sanitárias do município.