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A Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (ACIMACAR) promoveu, na manhã desta quarta-feira, a palestra “Há vagas, há pessoas, por que elas não se encontram?”. O encontro reuniu empresários, lideranças e profissionais de recursos humanos para discutir os desafios da empregabilidade no município e na região.
A palestra foi conduzida por Alessandro de Castro, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). Segundo ele, o Paraná mantém um cenário de grande oferta de trabalho, mas enfrenta dificuldade para preencher vagas disponíveis.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, Alessandro afirmou que o tema exige reflexão sobre problemas, mas principalmente sobre soluções, com destaque para a formação de jovens para o mercado de trabalho.
De acordo com Alessandro, o Paraná iniciou a semana com mais de 20 mil propostas de trabalho disponíveis nas agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Mesmo assim, muitas vagas seguem sem preenchimento.
O superintendente do IEL destacou que pessoas de outros estados têm vindo ao Paraná em busca dessas oportunidades.
Para ele, o desafio está em aproximar quem procura emprego das empresas que precisam contratar, considerando tanto a qualificação dos profissionais quanto os processos internos das organizações.
Alessandro defendeu que as empresas criem estratégias próprias para enfrentar o problema.
Entre os pontos citados estão a entrada de jovens no mercado de trabalho, a melhoria dos processos de recrutamento e seleção e o fortalecimento da marca empregadora.
Segundo ele, as empresas precisam se mostrar atrativas aos profissionais, enquanto os trabalhadores também devem receber orientação para acessar as oportunidades de forma mais rápida e adequada.
O palestrante também ressaltou que o mercado de trabalho mudou.
Mesmo nas funções de entrada, especialmente na indústria, já existe exigência de qualificação mínima.
Alessandro explicou que a indústria trabalha cada vez mais com tecnologia, o que exige preparo também para funções operacionais.
Segundo ele, a maior oferta de trabalho ainda está na linha de produção.
O desafio é mostrar às pessoas que estão fora do mercado que a entrada em uma função operacional pode ser o início de uma trajetória de crescimento.
Alessandro defendeu que a indústria seja apresentada como ambiente de oportunidades, desenvolvimento e construção de carreira.
Durante a entrevista, o superintendente também comentou o equilíbrio entre políticas de assistência social e oferta de emprego.
Segundo ele, os benefícios são necessários em determinados momentos, mas as pessoas também precisam buscar qualificação e aproveitar oportunidades de trabalho quando elas estão disponíveis.
Para Alessandro, regiões que investem em qualificação e abrem vagas precisam estimular a entrada e a permanência das pessoas no mercado.
A presidente da ACIMACAR, Geovana da Silva Krause, afirmou que a palestra trouxe provocações importantes aos empresários e lideranças locais.
Segundo ela, o tema foi escolhido porque Marechal Cândido Rondon e a região vivem um momento de transição na empregabilidade, com vagas abertas, empresas em busca de profissionais e necessidade de maior conexão entre candidatos e empregadores.
Geovana destacou que o trabalho é resultado de parceria entre ACIMACAR e IEL, com o objetivo de discutir um assunto considerado essencial para o desenvolvimento econômico local.
A presidente da ACIMACAR relacionou o tema da empregabilidade à defesa da ampliação da formação profissional no município.
Ela lembrou que a entidade tem entre suas bandeiras a busca pela instalação de um Instituto Federal de Educação em Marechal Cândido Rondon.
Para Geovana, a educação é fundamental para enfrentar o desafio da falta de mão de obra qualificada, especialmente em um mundo cada vez mais digital e tecnológico.
Geovana afirmou que as empresas precisam de profissionais preparados e que essa preparação passa pela educação de base.
Segundo ela, o jovem que irá sustentar o futuro do mercado de trabalho precisa estar bem formado.
A presidente da ACIMACAR também defendeu que os cursos oferecidos estejam alinhados às necessidades reais das empresas e do setor produtivo.
A ACIMACAR mantém o Balcão do Emprego, serviço voltado à aproximação entre empresas e trabalhadores.
Geovana explicou que pessoas interessadas em vagas podem procurar a associação para deixar currículo e buscar informações sobre oportunidades disponíveis.
Segundo ela, algumas vagas também são divulgadas pelo Sine, enquanto outras chegam diretamente por meio dos empresários associados.
A presidente explicou que os empresários podem acionar a ACIMACAR, informar os requisitos da vaga e a proposta de contratação.
A partir disso, a entidade encaminha currículos compatíveis para o processo de seleção.
O objetivo é facilitar a conexão entre quem procura emprego e quem precisa contratar.
Outro ponto destacado foi o desafio do primeiro emprego.
Geovana lembrou que a ACIMACAR trabalha em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e com a Guarda Mirim de Marechal Cândido Rondon.
Segundo ela, a aproximação com essas instituições ajuda a mostrar aos empresários a importância de abrir oportunidades para jovens, estagiários e aprendizes.
Geovana citou a comemoração dos 50 anos da Guarda Mirim, realizada recentemente, como exemplo da importância da formação inicial.
Ela relatou que empresários hoje reconhecidos na comunidade iniciaram suas trajetórias como estagiários ou aprendizes vinculados à entidade.
Para a presidente da ACIMACAR, esses depoimentos reforçam como a primeira oportunidade pode transformar a vida profissional de um jovem.
A palestra “Há vagas, há pessoas, por que elas não se encontram?” reforçou a necessidade de integração entre empresas, entidades, instituições de ensino e poder público.
O debate apontou que a solução para a falta de mão de obra não passa apenas pela existência de vagas, mas pela qualificação, orientação profissional, melhoria nos processos de contratação e valorização do primeiro emprego.
Para a ACIMACAR, discutir empregabilidade é também discutir o desenvolvimento de Marechal Cândido Rondon e da região.