Economia Momento Contábil
Split Payment pode mudar fluxo financeiro das empresas
Paulo Adriano Grenzel explica que novo mecanismo da reforma tributária prevê separação automática entre valor da operação e tributos
13/10/2026 19h15
Por: João Livi
Paulo Adriano Grenzel explicou, no Momento Contábil, como o Split Payment pode alterar o fluxo financeiro das empresas com a reforma tributária.

O Split Payment é uma das novidades previstas no processo de implementação da reforma tributária e poderá alterar a forma como empresas recebem valores de vendas e serviços. O tema foi abordado por Paulo Adriano Grenzel no programa Momento Contábil.

Segundo ele, o mecanismo não deve ser uma preocupação imediata para as empresas, pois a implantação tende a ocorrer de forma gradativa, possivelmente a partir de 2028 ou 2029, dependendo do tipo de operação.

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A lógica do Split Payment é separar, no momento do pagamento, a parte correspondente ao produto ou serviço e a parte referente aos tributos, como IBS e CBS.

Repartição do pagamento

Paulo explica que o Split Payment funciona como uma espécie de repartição automática do recurso.

Na emissão da nota fiscal, haverá destaque separado do valor da operação e dos tributos incidentes.

Quando o adquirente fizer o pagamento, a parte referente ao tributo seguiria diretamente para o governo, enquanto a parte correspondente ao produto ou serviço ficaria com a empresa fornecedora.

Papel dos bancos

Um dos pontos discutidos envolve a participação das instituições financeiras na operacionalização do sistema.

Paulo lembra que, inicialmente, havia resistência dos bancos em assumir essa função, em razão do custo de desenvolvimento de sistemas e da complexidade operacional.

No entanto, segundo ele, a possibilidade de remuneração por operação pode tornar o modelo mais atrativo para o sistema financeiro.

Comparação com o Pix

Durante a explicação, Paulo citou o Pix como exemplo da capacidade tecnológica do mercado financeiro brasileiro.

Ele observou que, embora haja críticas sobre a adoção do Split Payment em outros países, o Brasil já demonstrou capacidade de implementar soluções financeiras amplas e digitais.

Para ele, essa estrutura tecnológica pode favorecer a implantação do novo modelo, caso haja interesse operacional e econômico das instituições envolvidas.

Impacto no caixa

A principal preocupação apresentada por Paulo Adriano Grenzel está no possível impacto do Split Payment sobre o fluxo de caixa das empresas.

Atualmente, uma empresa pode receber o valor integral de uma operação e recolher os tributos apenas na data de vencimento.

Nesse intervalo, o valor que futuramente será destinado ao imposto pode permanecer temporariamente no caixa, ajudando a financiar compras, despesas e novas operações.

Recurso antecipado ao governo

Com o Split Payment, essa dinâmica pode mudar.

Se a parte correspondente aos tributos for direcionada imediatamente ao governo no momento do pagamento, a empresa deixará de contar com esse valor em seu caixa.

Segundo Paulo, dependendo do setor e da disponibilidade financeira da empresa, a mudança poderá gerar dificuldades no início da implementação.

IBS e CBS

Paulo citou como exemplo a soma dos novos tributos, IBS e CBS, que poderá representar parcela relevante do valor da operação.

Se esse percentual for separado automaticamente, a empresa receberá apenas a parte líquida correspondente ao produto ou serviço.

Essa antecipação do repasse tributário é justamente o ponto que exige atenção das empresas no planejamento financeiro.

Crédito do adquirente

Outro aspecto destacado é a possibilidade de o adquirente recolher o tributo em nome do fornecedor.

A intenção, segundo Paulo, pode estar relacionada ao interesse de antecipar o direito ao crédito tributário.

Nesse modelo, o comprador poderia optar por recolher diretamente a parcela do tributo para garantir que o crédito fique disponível de forma mais rápida.

Fornecedor inadimplente

Paulo também explicou que o mecanismo pode ter importância em situações nas quais o fornecedor esteja atrasando o pagamento de tributos.

Pela lógica da apuração assistida, o crédito do adquirente só fica disponível para aproveitamento se o fornecedor tiver quitado o imposto da operação anterior.

Assim, o Split Payment pode permitir que o adquirente direcione o tributo diretamente ao governo e reduza o risco de ficar sem o crédito por inadimplência do fornecedor.

Implantação gradual

A avaliação de Paulo Adriano Grenzel é que o Split Payment deve ser implementado de forma gradativa.

Ele também mencionou que há discussões sobre a possibilidade de o sistema ser optativo em determinados casos, especialmente para adquirentes que desejem garantir o crédito de forma antecipada.

Embora ainda existam pontos a serem definidos, o mecanismo sinaliza uma mudança importante na relação entre pagamento, arrecadação e crédito tributário.

Planejamento necessário

Para as empresas, o principal alerta é acompanhar a regulamentação e avaliar os efeitos do novo modelo sobre o caixa.

A reforma tributária não muda apenas a forma de calcular tributos. Ela também altera processos, controles, documentos fiscais, apuração e disponibilidade de créditos.

No caso do Split Payment, a adaptação exigirá atenção especial à gestão financeira, pois parte do valor recebido poderá deixar de passar pelo caixa da empresa antes de ser recolhida ao governo.

Legenda de foto: Paulo Adriano Grenzel explicou, no Momento Contábil, como o Split Payment pode alterar o fluxo financeiro das empresas com a reforma tributária. (Foto: Divulgação)