Eventos Sicredi Summit
Sicredi Aliança PR/SP participa de Summit Educação Sicredi. Evento tem como foco as transformações contemporâneas na educação
Summit Educação Sicredi 2026 reuniu mais de mil educadores para discutir com Lúcia Helena Galvão, Fabiano Calil, Clóvis de Barros Filho e outros palestrantes as novas formas de ensinar e aprender diante das transformações contemporâneas
06/10/2026 12h28
Por: João Livi Fonte: Assessoria

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela transformação digital, pelo excesso de informação e por novas questões sobre o papel da escola, uma pergunta ganha cada vez mais espaço entre os educadores: o que precisa ser ensinado e aprendido para preparar crianças e jovens para um mundo em constante transformação? Foi a partir dessa reflexão que o Summit Educação Sicredi 2026 reuniu, nos dias 23 e 24 de setembro, em Curitiba (PR), mais de mil educadores dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Sicredi Aliança PR/SP esteve representada pelo Presidente da cooperativa, Fernando Fenner, equipe de Desenvolvimento do Cooperativismo, coordenadores pedagógicos de ambos os estados de atuação e de representantes de primeira cooperativa escolar fundada, a Cooperativa Escolar Rui Barbosa. 

Com o tema “A pergunta que não quer calar”, o evento colocou em debate os desafios contemporâneos da educação, o protagonismo dos professores e estudantes, a educação financeira, a saúde emocional, a relação com a tecnologia e o papel da escola na formação de pessoas capazes de fazer escolhas e construir seus próprios caminhos.

Continua após a publicidade

Entre os destaques da programação esteve a apresentação de uma avaliação dos programas educacionais do Sicredi, que traz um olhar sobre o impacto das metodologias na realidade das escolas. O levantamento, realizado com dados de instituições de todo o Brasil e com consultoria externa, comparou escolas que participam dos programas A União Faz a Vida (PUFV), Finanças na Mochila e Cooperativas Escolares com instituições que não participam das iniciativas.

No caso do A União Faz a Vida, por exemplo, as escolas participantes apresentaram desempenho superior, com uma diferença de mais de 16% em comunicação interpessoal. Em Finanças na Mochila, 31% dos estudantes ampliaram a compreensão sobre educação financeira e, em Cooperativas Escolares, mais de 25% dos estudantes desenvolveram a habilidade de liderança e 23%, a de comunicação. Atualmente, cerca de 600 mil crianças e adolescentes participam anualmente das metodologias.

Os dados reforçam a importância de avaliar, para além do alcance dos programas, os efeitos que eles produzem no cotidiano escolar. Ao comparar escolas participantes e não participantes, o levantamento permite observar resultados concretos associados às metodologias e dá visibilidade ao impacto de iniciativas desenvolvidas para apoiar educadores e estudantes.

“O resultado social vem dos professores, dos alunos e dos assessores pedagógicos. Não existe prosperidade sem educação, e construir sociedades mais prósperas é um dos objetivos do Sicredi”, afirma Keyla Copes, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi.

Educação diante de novas perguntas

A discussão sobre o futuro da educação permeou toda a programação. Se, por um lado, crianças e jovens têm acesso a um volume cada vez maior de informações e tecnologias, por outro, cresce a necessidade de desenvolver habilidades que permitam interpretar, questionar e fazer escolhas diante desse cenário.

Para Mariana Baião, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi PR/SP/RJ, o desafio está justamente em repensar o que significa aprender e ensinar em um mundo em transformação. “O que será de nós com tanta tecnologia? Essa é uma das perguntas que nos movem para o novo. E talvez a pergunta que não queira calar para educadores e alunos seja justamente: o que precisamos aprender e ensinar para continuar sendo protagonistas das nossas escolhas?”, pontua.

A filósofa e professora Lúcia Helena Galvão, palestrante do evento, trouxe a reflexão sobre os limites de uma educação baseada apenas na transmissão de informações. Para ela, a sabedoria não se resume ao acúmulo de informações. “Sabedoria é o rastro que deixamos. Temos muita informação e tecnologia, mas sabedoria não. Educar é dar à luz”, afirmou, ao defender uma formação que vá além da transmissão de informações e contribua para o desenvolvimento das pessoas. 

A educação financeira também ganhou espaço entre as discussões. O economista e psicanalista Fabiano Calil defendeu que temas como planejamento, escolhas, limites e relação com a própria realidade financeira sejam trabalhados desde cedo. “Dinheiro é um meio”, afirmou. 

Já o educador e pesquisador Nélio Spréa trouxe a linguagem, a oralidade, a ludicidade e a cultura popular para a discussão sobre a aprendizagem. Ao abordar o papel do educador como estimulador, lançou algumas questões: “Que lugar você está na sua vida hoje? Para onde eu vou? Onde isso vai dar?”. Com isso, mostrou como o questionamento pode fazer parte da prática pedagógica.

O filósofo Clóvis de Barros Filho provocou os participantes a refletirem sobre o que caracteriza o sucesso da educação e qual é a responsabilidade da escola nesse processo. “Tudo o que ensinamos pode ser problematizado e tudo o que não ensinamos pode ser mais problematizado ainda”, declarou.

Para Clóvis, educar também significa ajudar o estudante a desenvolver critérios para as escolhas ao longo da vida. A escola deve contribuir para a autonomia, o autoconhecimento e a capacidade de desejar uma vida boa, para além do consumo e do conforto material. O filósofo destacou ainda que prazer e sabedoria exigem formação e preparo. Nesse sentido, cabe à educação desenvolver a resiliência crítica e a capacidade de avaliar as próprias escolhas. “Educar é também ensinar a desejar bem”, sintetizou, ao defender que cada pessoa seja capaz de tirar de si o melhor.

Protagonismo que sai do discurso

O protagonismo dos estudantes também esteve presente no Summit. Jovens participantes das Cooperativas Escolares compartilharam suas experiências e mostraram, na prática, como os programas podem criar espaços para desenvolvimento, participação e construção de perspectivas para o futuro.

Para Nicholas Silva Baltor, presidente da Cooperativa Escolar Coopssamarah U.E.P., da Sicredi Agroempresarial PR/SP, participar do evento representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e perspectivas. “O Summit Educação são oportunidades que estão sendo abertas para o nosso futuro”, afirma.

A assessora pedagógica Luciana Diniz, da Sicredi Paranapanema Serrana PR/SP/RJ, também destacou a possibilidade de transformar os aprendizados do evento em ações concretas. Segundo ela, as experiências compartilhadas ajudam a levar novas ideias para a implantação do projeto de Cooperativas Escolares em sua região.

Ao reunir educadores, estudantes, dirigentes e especialistas, o Summit Educação Sicredi 2026 propôs que as respostas para os desafios da educação não estão prontas. Em um cenário de rápidas transformações, a capacidade de continuar fazendo perguntas — sobre o papel da escola, do professor, da tecnologia e do próprio estudante — passa a fazer parte da construção do futuro.