A inauguração da sede própria do Conselho da Comunidade de Marechal Cândido Rondon também foi marcada pelo reconhecimento à trajetória de quem esteve na origem da entidade. Há 29 anos, enquanto juiz de Direito da comarca, o dr. Clairton Mario Spinassi criou o Conselho como órgão voluntário da sociedade civil para auxiliar a Justiça local no acompanhamento da execução penal.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, Clairton destacou que a criação do Conselho atende à previsão da Lei de Execução Penal e cumpre papel importante no apoio às pessoas privadas de liberdade.
Segundo ele, a função da pena não se limita à punição, mas também envolve a ressocialização, objetivo para o qual o Conselho da Comunidade contribui de forma direta.
Clairton lembrou que, desde a criação da entidade, o Conselho contou com pessoas dedicadas ao trabalho voluntário.
Entre elas, destacou Nelson Belincanta, parceiro dos primeiros anos de implantação e atuação da entidade.
Segundo o ex-juiz, Nelson assumiu grande parte das atividades em uma fase inicial em que a estrutura era mais simples e o trabalho dependia fortemente da disposição pessoal dos voluntários.
Com o passar dos anos, a atuação dos Conselhos da Comunidade ganhou nova organização.
Clairton avaliou que a estrutura se tornou mais consolidada e destacou também o trabalho desenvolvido atualmente pelo presidente da entidade, advogado Itamar Dallagnol.
Para ele, tanto Nelson quanto Itamar e suas equipes contribuíram de forma extraordinária para que o Conselho se mantivesse ativo e chegasse ao momento de inaugurar sua sede própria.
Há poucos meses, Clairton deixou formalmente a comarca de Marechal Cândido Rondon e passou a atuar vinculado à comarca de Curitiba.
Ele explicou que a promoção ocorreu para fins de aposentadoria como juiz de entrância final.
Apesar da mudança funcional, permanece morando em Marechal Cândido Rondon e realiza atividades em regime de trabalho remoto.
Clairton relembrou que chegou a Marechal Cândido Rondon com a intenção inicial de permanecer apenas um ano.
A permanência, no entanto, se transformou em uma trajetória de quase 37 anos de atuação na comarca.
Segundo ele, a cidade acabou sendo escolhida como lugar de vida, moradia e vínculo familiar.
Ao falar sobre sua trajetória, Clairton afirmou que julgou muitas pessoas ao longo da carreira e reconheceu a possibilidade de ter cometido erros, como qualquer ser humano.
Ressaltou, porém, que nunca teve intenção de prejudicar alguém.
Segundo ele, o papel do juiz é julgar o erro, não a pessoa que errou. Para ilustrar essa visão, citou uma frase que ouviu de um padre: “A gente odeia o pecado, não o pecador.”
Ao longo da permanência em Marechal Cândido Rondon, Clairton recebeu reconhecimentos da comunidade, entre eles o título de cidadão rondonense.
Ele afirmou acreditar que a comunidade mantém carinho por sua trajetória e por sua família.
Também lembrou que seus filhos não nasceram em Marechal Cândido Rondon, mas foram criados no município, reforçando o vínculo familiar construído com a cidade.
Clairton também comentou uma postura que sempre defendeu publicamente: a importância de ser correto, honesto e honrado.
Para ele, agir com correção não deve ser visto como virtude, mas como obrigação.
O reconhecimento, segundo afirmou, deve ser consequência natural de uma vida de serviço, e não objetivo principal da atuação pública.
O ex-juiz afirmou que escolheu Marechal Cândido Rondon para morar e que, embora tenha sacrificado parte da carreira ao permanecer no município, não se arrepende da decisão.
A inauguração da sede do Conselho da Comunidade, quase três décadas após sua criação, representa também a consolidação de uma ideia construída com participação da Justiça, voluntários e sociedade civil.
Para Clairton Mario Spinassi, a entidade segue cumprindo uma missão necessária: apoiar a execução penal, contribuir para a ressocialização e ajudar a comunidade a lidar de forma mais responsável com os desafios da Justiça e da segurança pública.