Economia Construção civil
Construção perde ritmo e emprego recua em agosto
Atividade do setor caiu 2,6 pontos e indicador de trabalhadores atingiu o menor nível para agosto desde 2017; intenção de investimento também diminuiu
23/09/2026 13h24
Por: João Livi Fonte: Agência CNI
Atividade da indústria da construção voltou a recuar em agosto, acompanhada pela redução no indicador de emprego e pela piora das expectativas empresariais. (Foto: Shutterstock)

A indústria da construção voltou a perder força em agosto. O indicador de atividade do setor caiu 2,6 pontos em relação a julho, passando de 47,3 para 44,7 pontos, enquanto o índice que acompanha a evolução do número de empregados recuou para 45,8 pontos, o menor resultado para um mês de agosto desde 2017.

Os números fazem parte da Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O indicador de atividade ficou 2,9 pontos abaixo da média histórica para agosto.

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A desaceleração também chegou aos canteiros de obras. A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) passou de 66% para 65%, na segunda queda consecutiva. O percentual está um ponto abaixo de agosto de 2025, embora ainda supere a média histórica de 63% para o mês.

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Emprego tem pior agosto desde 2017

O indicador de evolução do número de empregados apresentou redução de 2,5 pontos, passando de 48,3 em julho para 45,8 pontos em agosto. Além de ficar 0,7 ponto abaixo da média histórica do mês, o resultado foi o menor registrado em agosto nos últimos nove anos.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o desempenho reflete dificuldades que já vinham sendo enfrentadas pelo setor ao longo de 2026.

“O setor já vinha enfrentando algumas dificuldades por conta da taxa de juros elevada, como o aumento dos custos e, por causa disso, a atividade perdeu força ao longo de 2026. Há também um quadro de incerteza bastante intenso com a proximidade das eleições, que também pode ter influenciado o desempenho da construção no mês de agosto”, avalia.

A referência às eleições representa a avaliação do economista da CNI sobre um dos fatores que podem ter influenciado o resultado e não uma relação causal estabelecida pela pesquisa.

Expectativas também pioram

A sondagem mostra que a perda de confiança não está restrita ao desempenho recente. Todos os quatro indicadores de expectativas da construção recuaram em setembro.

A expectativa para o número de empregados caiu dois pontos, para 48 pontos. O nível de atividade recuou 3,6 pontos, chegando a 47 pontos. Novos empreendimentos e serviços diminuíram 2,6 pontos, para 46,1, enquanto compras de insumos e matérias-primas tiveram a maior retração, de 4,3 pontos, chegando a 45,8 pontos.

Como os indicadores ficaram abaixo da linha de 50 pontos, a pesquisa aponta predominância de expectativas de queda para essas variáveis nos próximos seis meses. No caso de novos empreendimentos e serviços, a percepção negativa se intensificou em relação a agosto.

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Empresários reduzem intenção de investir

O cenário também afetou os planos de investimento. O índice de intenção de investimentos da indústria da construção caiu 2,7 pontos, de 42,4 para 39,7 pontos. É o menor resultado para setembro desde 2019.

A confiança dos empresários acompanhou o movimento. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção recuou 1,7 ponto, passando de 47,2 para 45,5 pontos. Segundo a sondagem, o resultado reflete a piora na percepção sobre as condições atuais e nas expectativas para as empresas e para a economia.

A edição da Sondagem Indústria da Construção ouviu 313 empresas, sendo 120 pequenas, 128 médias e 65 grandes. A coleta das informações ocorreu entre os dias 1º e 11 de setembro.