O Brasil pode ter nesta semana o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros. A ampla maioria das instituições financeiras consultadas espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
A expectativa também aparece no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Entre as 78 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 75 projetam corte de 0,25 ponto percentual, enquanto apenas três trabalham com a manutenção da Selic em 14%.
O Copom se reúne a partir de hoje (15) para definir o novo patamar dos juros. A decisão será conhecida ao término do encontro do colegiado, o que poderá acontecer amanhã (16).
A expectativa predominante entre os economistas é sustentada por sinais de alívio da inflação no curto prazo e por evidências mais consistentes de desaceleração da atividade econômica.
O próprio Focus trouxe nova revisão para baixo da inflação. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 5% para 4,90%. Há quatro semanas, estava em 5,02%.
Ao mesmo tempo, a projeção para o crescimento da economia brasileira voltou a diminuir. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,93% para 1,89%. Quatro semanas antes, a previsão era de expansão de 1,98%.
Se a redução para 13,75% é amplamente esperada para esta reunião, os passos seguintes do Banco Central despertam maior incerteza entre os analistas.
A expectativa é de que o Copom evite antecipar decisões e mantenha sua comunicação condicionada ao comportamento dos indicadores econômicos. Isso permitiria avaliar, reunião após reunião, a evolução da inflação, da atividade econômica e das condições externas antes de decidir por novos cortes.
Entre os fatores de atenção estão o comportamento do câmbio e do petróleo. As tensões no Oriente Médio mantêm pressão sobre as cotações internacionais da commodity, com possíveis reflexos sobre combustíveis, custos de produção e inflação.
A aproximação das eleições de 2026 também entra no radar dos analistas por seu potencial de ampliar a volatilidade e as incertezas econômicas.
Pelas projeções reunidas no Boletim Focus, a Selic deverá encerrar 2026 nos mesmos 13,75% esperados para esta reunião. Isso indica que, neste momento, a mediana das expectativas não contempla novos cortes até dezembro após uma eventual redução nesta semana.
Para 2027, o mercado projeta crescimento de 1,45% para o PIB e inflação de 4,30%. No câmbio, a estimativa para o final de 2026 permanece em R$ 5,20 por dólar, valor mantido nas projeções por 13 semanas consecutivas.
Na reunião de agosto, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.
Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa permaneceu em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas. O ciclo de redução começou em março, acompanhando a melhora das perspectivas para a inflação.
Agora, além da decisão sobre a Selic, o mercado estará atento principalmente ao comunicado do Copom. A linguagem adotada pelo Banco Central poderá oferecer indicações sobre o grau de cautela da autoridade monetária e as condições necessárias para que o ciclo de redução dos juros continue.