A Sicoob Confiança encerrou o primeiro semestre de 2026 em um ambiente econômico desafiador, marcado pelo aumento do endividamento de pessoas e empresas, maior cautela na concessão de crédito e necessidade de aprimoramento na gestão de riscos. Mesmo diante desse cenário, a cooperativa avalia o período como uma fase de superação, reorganização interna e fortalecimento da relação com os cooperados.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o superintendente Jaques Samuel dos Santos afirmou que a cooperativa precisou remodelar sua forma de atuação e ressignificar o olhar sobre os riscos do negócio.
Segundo ele, a nova fase foi assumida em conjunto com o Conselho de Administração, com a missão de conduzir a Sicoob Confiança em um momento de maior exigência para todo o sistema financeiro.
Jaques destacou que o principal movimento do primeiro semestre foi a mudança de cultura dentro da cooperativa.
A reestruturação envolveu colaboradores, fluxos de trabalho, processos internos e preparação das equipes para avaliar riscos com mais precisão, sem deixar de identificar oportunidades junto ao quadro social.
A Sicoob Confiança encerrou o primeiro semestre com mais de 23.800 cooperados, ampliando sua base mesmo em um período de maior instabilidade econômica.
Ao comentar o cenário de endividamento da população, Jaques afirmou que o momento exige uma atuação mais próxima e consultiva.
Segundo ele, a cooperativa precisa compreender a realidade de cada cooperado, tanto pessoa física quanto empresa, para oferecer soluções compatíveis com sua capacidade financeira.
Essa postura envolve atendimento preventivo, reorganização de dívidas, renegociações e construção de alternativas em conjunto com o cooperado.
O superintendente explicou que a Sicoob Confiança também precisou ajustar políticas internas para atuar com maior segurança.
As políticas, conforme afirmou, estabelecem limites de atuação diante do risco elevado, mas não podem impedir a cooperativa de buscar soluções para quem precisa de apoio.
Para Jaques, o desafio está em equilibrar prudência, análise técnica, proximidade e responsabilidade na concessão de crédito.
A entrevista também abordou o avanço das recuperações judiciais no país e seus reflexos na área de atuação da cooperativa.
Jaques explicou que o ato cooperativo oferece proteção normativa às cooperativas, mas isso não elimina os riscos financeiros das operações.
Segundo ele, a Sicoob Confiança já registrou situações envolvendo cooperados em recuperação judicial, o que exige reconhecimento de risco no balanço e atuação técnica para recuperação dos valores.
Para o superintendente, o trabalho mais importante ocorre antes de uma situação chegar ao ponto crítico.
A proximidade com o cooperado permite identificar sinais de fragilidade, avaliar se a dificuldade é momentânea ou estrutural e antecipar possíveis soluções.
Quando a recuperação judicial se confirma, a cooperativa aciona uma área estruturada de recuperação de crédito, utilizando instrumentos legais, garantias e mecanismos previstos nas operações.
Jaques também contestou a ideia de que instituições financeiras se beneficiam automaticamente de uma taxa Selic elevada.
Segundo ele, juros em dois dígitos tornam o cenário mais difícil, pois aumentam a inadimplência, reduzem a capacidade de pagamento de famílias e empresas e exigem mais restrição na concessão de crédito.
Na avaliação do superintendente, a Selic alta é consequência de outros fatores econômicos e representa mais problemas do que soluções para a gestão financeira.
O superintendente destacou que o papel das cooperativas se diferencia especialmente nos momentos de dificuldade.
Segundo ele, a cooperativa não pode abandonar o cooperado quando surgem fragilidades financeiras. Ao mesmo tempo, também não deve conceder crédito sem critério para quem já está em situação crítica.
Para Jaques, mais crédito nem sempre é remédio. Em alguns casos, pode agravar o problema. Por isso, a atuação precisa combinar acolhimento, orientação e responsabilidade.
Jaques comparou a instituição financeira a um termômetro da economia.
Segundo ele, quando a Selic permanece elevada, o crédito se torna mais restrito, a atividade econômica perde força, investimentos são adiados e a renda das pessoas também passa a ser impactada.
Nesse contexto, a cooperativa precisa manter atenção diária à liquidez, ao custo de captação, ao risco das operações e à capacidade de atender seus cooperados.
Ao comentar as projeções econômicas, Jaques afirmou que os economistas do Sicoob trabalham com possibilidade de redução da Selic a partir de 2027.
No entanto, segundo ele, a queda não deve levar rapidamente a taxa para patamares abaixo de dois dígitos.
Fatores fiscais, geopolíticos e eleitorais seguem influenciando as decisões econômicas e exigem cautela do sistema financeiro nos próximos anos.
Para Jaques, a Sicoob Confiança deve atuar como consultora dos cooperados.
Ele explicou que essa função exige corresponsabilidade, análise da realidade financeira, orientação e capacidade de indicar caminhos adequados em cada situação.
A atuação consultiva, segundo o superintendente, é essencial para que a cooperativa esteja presente junto às empresas, produtores, famílias e demais associados, especialmente em momentos de maior incerteza.
A entrevista também tratou do desafio de captar recursos em um ambiente de juros elevados.
Jaques afirmou que o cooperado tem direito de buscar boa remuneração para suas aplicações, enquanto a cooperativa precisa equilibrar esse custo com a concessão de crédito saudável.
Segundo ele, a Sicoob Confiança cresceu em captação no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Mesmo em um cenário exigente, a cooperativa registrou crescimento de 21% na margem financeira na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2025.
O indicador considera a relação entre custo de captação, risco de crédito e aplicação dos recursos.
Para o superintendente, o resultado mostra que a cooperativa conseguiu manter competitividade, preservar bons negócios e atender cooperados sem perder o controle dos riscos.
Jaques afirmou acreditar que a Sicoob Confiança terá resultado positivo ao fim do exercício de 2026.
A expectativa é de que a cooperativa consiga entregar sobras aos cooperados, mesmo em um ano de reposicionamento e maior exigência na gestão.
Segundo ele, seis meses ainda representam um período curto para medir todos os efeitos das mudanças, mas o semestre serviu como referência importante para ajustar processos e preparar a cooperativa para o fechamento do ano.
O superintendente também adiantou que a Sicoob Confiança deve apresentar novidades importantes nos próximos meses.
Segundo ele, o Conselho de Administração acompanha oportunidades e conduz um processo de aproximação e discussão com outras cooperativas do próprio sistema.
Embora ainda não haja anúncio oficial, Jaques afirmou que a iniciativa poderá tornar a Sicoob Confiança uma cooperativa maior, mais estruturada e com maior capacidade de atendimento.
Jaques destacou que o processo está sendo conduzido com cautela, envolvendo o quadro social e respeitando as etapas necessárias de análise e decisão.
Para ele, a cooperativa caminha com passos firmes, sólidos e responsáveis, buscando chegar ao fim do exercício em um novo patamar.
A avaliação do semestre reforça que a Sicoob Confiança atravessa 2026 com foco em gestão de riscos, proximidade com os cooperados, recuperação de crédito, captação competitiva e preparação para novas oportunidades de crescimento.