A Sicredi Aliança PR/SP iniciou um ciclo de prestação de contas referente aos sete primeiros meses de 2026, em um ano considerado desafiador para o sistema financeiro e para a economia brasileira. O cenário de endividamento de famílias e empresas exigiu atenção redobrada, especialmente na gestão da inadimplência, recuperação de crédito e acompanhamento dos associados.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o presidente da cooperativa, Fernando Barros Fenner, apresentou um panorama do desempenho da Sicredi Aliança no período, avaliou os principais números do exercício, comentou a expansão no Paraná e em São Paulo e destacou iniciativas ligadas à educação cooperativista e ao relacionamento com a comunidade.
Segundo ele, apesar das dificuldades do primeiro semestre, a cooperativa manteve crescimento em ativos, carteira de crédito, depósitos e número de associados.
Fernando afirmou que os primeiros sete meses de 2026 foram marcados por um cenário econômico mais apertado.
Segundo ele, o endividamento das famílias e a inadimplência de empresas no país impactam diretamente o ambiente em que a cooperativa está inserida.
O presidente explicou que a Sicredi Aliança atua com monitoramento permanente da carteira, cobrança preventiva, renegociação quando necessário e provisões para operações com maior risco.
De acordo com Fernando, a cooperativa fechou os sete primeiros meses do ano com resultado na casa de R$ 40 milhões.
A expectativa inicial era mais alta, mas o desempenho ficou acima do registrado no mesmo período do ano anterior, quando o resultado era de aproximadamente R$ 37 milhões.
O presidente lembrou que 2025 também teve um primeiro semestre mais desafiador, seguido de recuperação no segundo semestre. Para 2026, a expectativa é que os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro contribuam para melhorar o resultado final do exercício.
Além do resultado, a Sicredi Aliança registrou crescimento de quase 12% em ativos nos sete primeiros meses do ano.
Com isso, a cooperativa ultrapassou R$ 7,7 bilhões em ativos administrados.
Fernando destacou que esse crescimento ficou dentro do planejamento e ligeiramente acima do esperado. A carteira de crédito e a carteira de depósitos também avançaram no período, mesmo em um mercado mais voltado à captação do que à concessão de crédito.
A cooperativa também ampliou sua base social.
Segundo Fernando, a Sicredi Aliança chegou a 133 mil associados, divididos entre a atuação no Oeste do Paraná e no Norte de São Paulo.
Em Marechal Cândido Rondon, a expectativa é alcançar em breve a marca de 40 mil associados. O presidente destacou que esse crescimento ocorre tanto em mercados onde a cooperativa já possui forte participação quanto em novas áreas de expansão.
Ao tratar da inadimplência, Fernando explicou que a cooperativa acompanha diariamente os associados com compromissos a vencer ou em atraso.
Segundo ele, em muitos casos, a equipe entra em contato antes do vencimento ou recebe o próprio associado para buscar alternativas de readequação.
A orientação, conforme o presidente, é avaliar cada situação com responsabilidade, buscando preservar a capacidade de pagamento do associado e proteger os recursos da cooperativa.
Fernando também comentou os impactos de recuperações judiciais envolvendo empresas, produtores e negócios ligados ao agronegócio.
Segundo ele, a cooperativa já enfrentou casos dessa natureza, tanto no agro quanto em indústrias e empresas de outros setores.
O presidente explicou que, quando ocorre uma recuperação judicial, os valores envolvidos precisam ser provisionados, pois deixam de ter perspectiva de recebimento no curto prazo.
Na avaliação de Fernando, a recuperação judicial pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser analisada com muito cuidado.
Ele alertou que, ao entrar em recuperação judicial, o associado ou empresa pode enfrentar restrição de crédito, bloqueio de limites e dificuldades para comprar e vender no mercado.
Para o presidente, muitas vezes uma renegociação direta com as instituições financeiras pode ser um caminho mais adequado do que a judicialização da dívida.
A Sicredi Aliança conta atualmente com 11 agências no Paraná e 27 agências em São Paulo, distribuídas em 24 municípios paulistas.
No Paraná, Fernando citou São José das Palmeiras como exemplo de município em que a cooperativa possui presença importante para o atendimento financeiro da comunidade.
Em São Paulo, a expansão avançou inicialmente pelas maiores cidades da área de atuação e, agora, chega também a municípios menores, com populações entre 4 mil e 6 mil habitantes.
Fernando destacou que a presença da cooperativa em cidades pequenas tem impacto direto no desenvolvimento local.
Em alguns municípios, bancos comerciais encerraram suas atividades, obrigando moradores a se deslocarem para cidades vizinhas para acessar serviços financeiros.
Segundo ele, quando isso acontece, o consumidor acaba movimentando também o comércio de outros municípios. Ao instalar uma agência local, a cooperativa ajuda a manter recursos, consumo e serviços dentro da própria comunidade.
O presidente confirmou que a Sicredi Aliança já negociou a instalação de uma nova agência em Jaborandi, no Estado de São Paulo.
A unidade será implantada em imóvel anteriormente utilizado como agência bancária. A previsão é iniciar as adequações em outubro, com inauguração até janeiro de 2027.
Jaborandi tem cerca de 6 mil habitantes e fica próxima a Barretos. Segundo Fernando, a intenção é oferecer atendimento de qualidade e ampliar a presença cooperativa na região.
Dentro da área autorizada pelo Banco Central, restam poucos municípios sem presença ou atendimento direto da Sicredi Aliança.
Fernando explicou que a meta estratégica é concluir esse processo até o fim do mandato do atual conselho, em 2028.
Em municípios muito pequenos, a cooperativa avalia modelos alternativos, como atendimento por agência próxima, carteira específica ou uso de agência móvel, evitando estruturas incompatíveis com a realidade econômica local.
Mesmo após completar a presença em todos os municípios da área de atuação, a cooperativa poderá seguir crescendo por meio da abertura de novas unidades em cidades maiores.
Fernando citou municípios paulistas com potencial para receber segunda agência, especialmente onde a população e o volume de negócios justificam a ampliação.
Ele comparou esse processo com Marechal Cândido Rondon, que possui cinco agências e uma história de mais de 40 anos com a cooperativa.
Outra novidade destacada foi a futura ampliação da agência de Olímpia, em São Paulo.
A unidade atual funciona em um prédio histórico no centro da cidade, mas o espaço ficou pequeno diante do crescimento da demanda.
A nova agência deverá ser construída em uma das principais avenidas da cidade, próxima à região turística. Segundo Fernando, o projeto buscará dialogar com a identidade cultural de Olímpia, município conhecido nacionalmente pelo turismo.
Questionado sobre uma possível expansão para além da área atual, Fernando explicou que, dentro do Sicredi, todos os territórios já estão vinculados a alguma cooperativa.
Por isso, uma nova expansão dependeria de conversas com outras cooperativas, eventuais incorporações ou cessão de municípios por entidades que tenham dificuldade de atender toda sua área.
Segundo ele, esse debate ainda não começou, pois a prioridade é concluir o dever de casa na atual área de atuação.
A Sicredi Aliança atua em uma região que soma perto de 1 milhão de habitantes entre Paraná e São Paulo.
Fernando avaliou que ainda há grande potencial de crescimento dentro da própria base atual, especialmente em São Paulo.
Segundo ele, se a cooperativa alcançar em território paulista um nível de participação semelhante ao registrado em Marechal Cândido Rondon, a base de associados poderá crescer de forma expressiva nos próximos anos.
Ao comentar a expansão do Sicredi pelo Brasil, Fernando destacou o papel do Oeste do Paraná no fortalecimento do cooperativismo de crédito.
Segundo ele, a região possui uma cultura cooperativista consolidada, influenciada pela organização comunitária, pela presença de cooperativas fortes e pela base construída ao longo de décadas.
O presidente lembrou que cooperativas sediadas em cidades como Marechal Cândido Rondon, Palotina, Toledo e Medianeira tiveram papel importante na expansão para São Paulo e no fortalecimento da marca Sicredi naquele estado.
Durante a entrevista, Fernando também comentou a criação da primeira cooperativa escolar do Colégio Luterano Rui Barbosa, em parceria com a Sicredi Aliança PR/SP.
A iniciativa integra ações desenvolvidas por meio da Fundação Sicredi e busca aproximar crianças e adolescentes dos princípios do cooperativismo.
Segundo Fernando, os estudantes terão a oportunidade de vivenciar a dinâmica de uma cooperativa, com eleição de diretoria, participação em conselhos, tomada de decisões, responsabilidade coletiva e organização de projetos.
O presidente destacou que a cooperativa escolar fortalece o Programa União Faz a Vida, principal programa de responsabilidade social do Sicredi.
Na área de atuação da Sicredi Aliança, mais de 12 mil crianças estudam atualmente com a metodologia do programa, que também envolve quase 2 mil professores habilitados.
Fernando afirmou que a intenção é ampliar o União Faz a Vida especialmente em São Paulo, onde a cooperativa pretende implantar o programa em pelo menos mais um município no próximo ano.
Para Fernando, levar o cooperativismo às escolas ajuda a formar uma geração mais preparada para compreender a participação coletiva, a gestão democrática e o compromisso com a comunidade.
Ele destacou que o Colégio Rui Barbosa foi parceiro na implantação do União Faz a Vida há cerca de 14 ou 15 anos e agora também se tornou pioneiro na criação da cooperativa escolar.
A cooperativa nasceu com 30 estudantes associados e deve ampliar sua participação com o avanço das atividades.
Outro projeto recente destacado pelo presidente foi a entrega da Praça Sicredi, espaço criado junto à Agência Avenida Maripá, no centro de Marechal Cândido Rondon.
O local funciona como estacionamento para associados durante o expediente, com 70 vagas para carros e 55 para motos.
Após as 17h, nos fins de semana e feriados, o espaço também passou a ser utilizado por famílias, crianças, ciclistas, corredores e moradores que circulam pela região central.
Fernando explicou que o terreno foi locado pela cooperativa após negociação com a família proprietária. Inicialmente pensado como área de estacionamento, o espaço ganhou também uma função comunitária.
Foram instalados bancos, pergolado e bebedouro com água fria, água quente e ponto para pets. O local também recebeu pinturas no piso, como amarelinha, e passou a ser frequentado por famílias com crianças.
Segundo o presidente, o espaço já vem sendo utilizado para lazer, convivência, aprendizado de bicicleta, patins e outras atividades.
Para Fernando, a Praça Sicredi também contribuiu para embelezar uma área importante da cidade.
A cooperativa ainda pretende fazer novas intervenções visuais no local, incluindo grafitagem e elementos que reforcem a identidade do Sicredi.
O projeto, segundo ele, demonstra como um espaço inicialmente pensado para uso operacional pode também gerar convivência, pertencimento e benefício direto à comunidade.
A prestação de contas da Sicredi Aliança segue com encontros junto a coordenadores de núcleo, lideranças e associados no Paraná e em São Paulo.
Fernando destacou que a agenda da presidência envolve visitas às agências, participação em eventos do sistema Sicredi, compromissos nacionais e internacionais do cooperativismo, ações de formação e reuniões com equipes.
O objetivo, conforme explicou, é manter transparência, proximidade com os associados e alinhamento das estratégias da cooperativa para o fechamento do exercício de 2026.